quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013

No Japão também há casos de trabalho escravo


Ultimamente, um dos assuntos mais comentados na mídia é com relação  ao trabalho escravo.

Comenta-se muito sobre as condições de trabalho a que são submetidos os diversos trabalhadores, principalmente os estrangeiros que se encontram em situação ilegal no país, também sofrem com péssimas condições de trabalho, os menores no interior do nordeste e pessoas sem nenhuma instrução que desconhece qualquer direito trabalhista.

crianças trabalhando

Alguém imagina que esses fatos possam ocorrer também no Japão, um país altamente desenvolvido economicamente? Pois nas regiões mais afastadas, muito brasileiros passaram por essas condições há alguns anos atrás.



Nos últimos anos devido à recessão econômica, as empresas japonesas diminuíram o ritmo de contratações de trabalhadores estrangeiros, e o nível de exigência nas admissões, tornou-se cada vez mais rígido. Pessoas acima de 35 anos, casais com filhos e que não dominam o idioma praticamente não encontravam emprego. A solução era encarar o trabalho duro no interior, como na província de Kagawa que fica na ilha de Shikoku, uma região muito isolada, onde se predomina a agricultura e pequenas indústrias familiares.

O recrutamento começa em São Paulo, onde pessoas que não se enquadram no perfil das empresas japonesas, são encaminhadas a um agenciador, que faz toda intermediação até o embarque no aeroporto. Fica combinado que a empresa irá adiantar o valor da passagem que vai ser descontado em cinco ou seis vezes. As desconfianças começam quando é informado o valor da passagem, que chega a ser 40% superior ao praticado por outras agencias. Questionado sobre o assunto, o agenciador explica que o preço é maior porque é preciso pegar outro avião, quando desembarcar no Japão.

Ao desembarcar em solo japonês, é feita a conexão em vôo domestico até a cidade de Takamatsu, e depois mais meia hora de carro até o vilarejo de Shionoe-Cho, onde a maioria da população é idosa, pois os jovens ao atingirem a maioridade rumam para as grandes cidades em busca de melhores oportunidades de emprego.



Chegando ao destino, as pessoas são alojadas em kitinetes feitas de madeira, em locais bem isolados, sem nada por perto. Após passar por entrevista, descobre-se que o valor da passagem é bem maior do que o combinado no Brasil, pois está sendo cobrada toda a assessoria no desembarque e traslado até o alojamento.

O pouco dinheiro que a pessoa leva pra passar até receber o salário, vai se esvaindo rapidamente mesmo antes de começar a trabalhar, pois ele tem que arcar com alimentação, uniforme e equipamentos de segurança que são obrigados a pagar imediatamente, diferente das empresas nas regiões centrais onde todo material é fornecido gratuitamente.

Após regularizar a situação na imigração local, o passaporte é retido como garantia da quitação da dívida, que vai só aumentando, pois com as despesas iniciais, é inevitável a solicitação de empréstimo.

E o local de trabalho então, nem se fala, galpões abertos, onde se passa muito frio, sem mínimas condições de segurança, longas jornadas de trabalho, superando às 12 horas diárias com um salário bem abaixo da média. E quando recebem seus salários, os descontos são tantos que a pessoa é obrigada a pedir novamente outro empréstimo, dificultando ainda mais a quitação da dívida.

Os poucos que conseguem quitar seus débitos enfrentam outro grande problema, reaver o passaporte. Alegando que é mais seguro deixar no escritório da empresa, é travada uma longa batalha com muita conversa, onde o empregador sempre ganha.
Em meados de 2004, um grupo de trabalhadores resolveu criar coragem e denunciou a empresa para o Consulado do Brasil que encaminhou a denuncia ao Ministério do Trabalho que foi imediatamente ao local e constatou as irregularidades, fazendo com que todos os passaportes fossem devolvidos, e as pessoas liberadas para procurar outro emprego. As empresas envolvidas foram multadas e outra foi fechada.



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