terça-feira, 26 de agosto de 2014

Baixo índice de natalidade no Japão compromete economia de pequenas cidades


Nas cidades mais afastadas das metrópoles japonesas, paira o ar interiorano, tranqüilidade, índice de violência zero, excelente qualidade de vida. Mas apesar de todos esses atrativos, uma grande preocupação tem ocupado a mente dos governantes japoneses. O baixo índice de natalidade e o constante aumento do número de idosos.

Os jovens ao atingir a maioridade, buscam empregos nas grandes cidades, e abandonam suas cidades, permanecendo apenas os idosos.

Localizada a cerca de duas horas de trem da capital japonesa, Onjuku sofre de um problema comum a quase metade das cidades, distritos e povoados japoneses: a queda constante e crônica da população, que pode levar inclusive estes municípios à extinção.

"É triste ver a cidade definhando aos poucos", lamentou um morador da cidade. "Todo mês vemos no jornal local que o número de mortes é sempre maior do que o de nascimentos", contou.

Segundo estatística do governo japonês, a população de Onjuku diminui em média 0,5% ao ano. Em 1995, a população era de 8.129 pessoas. Em 2013, caiu para 7.632.

Se continuar neste ritmo, em 50 anos a população local será pouco mais de 2,5 mil pessoas.

Dificuldades

Segundo o relatório de uma subcomissão do Conselho de Política do Japão, quase metade dos municípios de todo o país poderá ter dificuldades para continuar operando normalmente até 2040.

O estudo deu especial atenção à população de mulheres com idade de 20 a 39 anos, pois elas são consideradas um fator-chave que irá determinar o futuro da população japonesa.

O grupo, liderado pelo ex-ministro de Assuntos Internos, Hiroya Masuda, definiu cidades, vilas e aldeias cujas populações provavelmente diminuirão em pelo menos 50% ao longo do período 2010-2040.

Pesquisadores da comissão explicaram à BBC Brasil que a estimativa foi feita com base em várias estatísticas do Instituto Nacional de População e Pesquisa da Segurança Social.

No total, 896 municípios, ou 49,8% do total do país, foram indicados como locais que podem desaparecer.

O relatório também alertou que 523 localidades cujas populações estão abaixo de 10 mil moradores – o que representa cerca de 30% do total – têm uma alta propensão a "quebrar" já nas próximas décadas, a menos que medidas eficazes sejam tomadas.

"Infelizmente, esse problema tem sido ignorado há muito tempo, porque ninguém quer falar sobre um futuro desfavorável. Agora, nós (japoneses) devemos reconhecer essa grave questão", comentou uma fonte da subcomissão.

Cidade grande

Em contrapartida, a população nas grandes cidades tem aumentado o que sugere que as pessoas estão deixando os pequenos municípios, onde quase não há oferta de emprego, para buscar oportunidades fora.
Kazuya Shiton, 25, de Onjuku, conta que está planejando deixar a casa dos pais e buscar um emprego melhor em Tóquio ou outra cidade maior.

O jovem, que trabalha na construção de vias públicas, explicou que o serviço atual é ruim e rende pouco dinheiro.

"Aqui também não há locais para lazer para os jovens", lembra. "Todos os meus amigos já se mudaram para outras cidades. Não vejo outra saída."

Para a subcomissão do Conselho de Política do Japão, o problema mais grave é que muitos destes jovens que vão para a capital japonesa não têm filhos.

"Criar uma criança em um ambiente como Tóquio é muito caro. Além da dificuldade de encontrar creches, a assistência é pouca para os pais, o que contribui para a baixa taxa de natalidade verificada na capital japonesa", explicou a fonte da subcomissão.

Para tentar resolver o problema, o governo japonês deve anunciar no próximo mês a criação de um comitê que vai tratar exclusivamente da regeneração de cidades do interior, focado principalmente na criação de postos de trabalho para jovens e no aumento da taxa de natalidade.

Contra a corrente

Por conta própria, o empresário americano Del Ricks abraça a ideia. Instalado em Onjuku apesar dos riscos econômicos, ele é só sorrisos.


"Não tenho do que reclamar", falou. "Enquanto a maioria dos comerciantes locais trabalha mesmo apenas dois meses por ano, nós temos clientela fixa por oito meses."

Ricks dá aulas de surf, aluga equipamento para a prática do esporte, tem uma lanchonete e ainda oferece quartos para turistas.

"Meu público não é o local. Trabalho com pessoas que vêm de Tóquio", explicou.

Além dos turistas que curtem praia, o casal trabalha principalmente com surfistas – que frequentam a cidade quase o ano todo –, pescadores, mergulhadores e empresas que buscam lugares diferentes para fazer festas para os funcionários.

Para o norte-americano, Onjuku poderia se tornar um local atrativo se o governo investisse mais para trazer jovens empreendedores e aposentados que moram nas grandes cidades.

"Aqui, o custo de vida é muito mais barato, além de ser muito menos estressante", defendeu.

Fonte: BBC Brasil

quinta-feira, 14 de agosto de 2014

Os brasileiros e suas dificuldades para encontrar empregos qualificados no Japão

centro de recrutamento de pessoal em Tokyo
Depois de uma ampla reforma na economia que tirou o Japão de duas décadas de deflação e de uma recessão profunda, agora o foco do governo de Shinzo Abe é ajudar as empresas a garantir mão de obra para poder crescer.

A escassez de trabalhadores é, segundo economistas, um dos grandes problemas que o Japão enfrenta hoje e que impede a rápida recuperação da terceira maior economia do mundo.

"O Japão é um dos países onde é mais difícil encontrar profissionais bilíngues. Para cada dez vagas existem apenas três profissionais, em média", conta o brasileiro Diego Utiyama, 27, que trabalha para uma empresa de recrutamento na capital japonesa.

"A demanda é grande, por isso muitas empresas chegam a pagar até 40 mil dólares a uma empresa de recrutamento caso ela encontre um bom profissional", afirma Utiyama, que cuida de contas de empresas na área de tecnologia da informação (TI).

Os estrangeiros têm aproveitado esta lacuna no mercado de trabalho japonês para conseguir empregos estáveis e muito bem remunerados. O próprio Diego é um dos que deixaram um trabalho não-qualificado em fábricas para ingressar no mercado especializado.



"Infelizmente, a maioria dos brasileiros que está no Japão tem grande potencial, mas não sai da zona de conforto e não almeja um trabalho qualificado. Por isso, não aprende o idioma e não faz cursos de qualificação", lamenta.

Barreira do idioma

Cerca de 180 mil brasileiros vivem hoje no Japão, grande parte trabalhando em linhas de montagem. Em 2007, antes da crise econômica, este número chegou a quase 320 mil. A grande maioria voltou ao Brasil nos anos 2008/2009 e após o terremoto de março de 2011.

Eric sonha desde criança em morar no Japão, país natal também da esposa. "Fui duas vezes, uma para conhecer os sogros e outra para apresentar a nossa filha aos avós. Fiquei encantado com o país", diz.

O rápido envelhecimento da população e a baixa taxa de natalidade são pontos-chave em discussão hoje no Japão, que busca soluções para manter o ritmo de crescimento do país.

Rogerio Taques, 34, voltou ao Brasil depois de um período de três anos trabalhando em fábrica logo após a crise econômica. "Da primeira vez, o objetivo era juntar o máximo de dinheiro, por isso não fazia questão de aprender o idioma japonês", conta.

Mas em julho de 2011, ele e a esposa resolveram voltar ao Japão, desta vez como imigrantes. "Sou formado em engenharia de sistemas e vim com a ideia de tentar uma vaga na minha área de formação, mesmo sem falar fluentemente o idioma."

O caminho foi muito difícil, mas em novembro de 2012 ele conseguiu uma vaga como programador web. Taques mostrou suas qualidades e, depois de colher sucessos implantando diversos programas no sistema de trabalho, foi promovido e ocupa hoje o cargo de diretor de TI do grupo todo, que engloba ao todo três empresas.

"Quando procurava por um emprego fiz diversas entrevistas em dezenas de empresas, mas o fato de não falar fluentemente o japonês virou uma grande barreira”, admite. "Mas nunca desisti e me esforcei bastante", completa.

O consultor sênior de sistemas industriais Eric Evangelista Ohtake, 31, de São Paulo, conhece muito bem este problema. Ele é altamente qualificado e fluente em alemão, espanhol e inglês, além do português. Mas não fala japonês.

"Concorri a três vagas em empresas japonesas. Foram muito educados, receberam meu currículo, falamos por telefone, porém o fim da linha era sempre a falta do idioma local", lamenta.

Minha história também é parecida com a de Eric, sou formado em Ciências Contábeis, tendo vasta experiência, mesmo estando morando no Japão, sempre procurei me manter atualizado, trocando ideias com membros de fóruns específicos na minha área e procurando atualização em cursos on-line. Me candidatei por diversas vezes aos cargos oferecidos, mas nunca obtive sucesso, apesar de dominar o idioma.


Só fui conseguir voltar a atuar na área contábil após retornar ao Brasil.

- Pensei que seria mais difícil, pelo longo tempo fora da profissão, mas com persistência, tudo deu certo, fui galgando gradativamente degraus na escala, e hoje ocupo um cargo de liderança dentro de uma empresa de consultoria contábil.

A palavra chave para mim, é a persistência, se não deu certo lá, aqui você consegue. O que não pode de jeito nenhum é se acomodar e deixar pra trás os planos de carreira. O Japão é uma ótima oportunidade de se ganhar dinheiro, mas nunca se esquecendo do nosso potencial, que pode ser muito bem aproveitado, longe das linhas de produção. 

Cultura local

Alex Masuo Kaneko, 29, concorda que o conhecimento do idioma japonês é imprescindível para quem pensa em concorrer a uma vaga de trabalho no Japão.

"O problema é que muitos estrangeiros não têm interesse em se aprofundar na cultura local, o que é crucial para entender como funciona uma empresa japonesa", sugere o Alex - que, depois de fazer o mestrado e o doutorado no Japão, conseguiu uma vaga, em abril passado, no departamento de pesquisas em robótica da Hitachi.

"A área de robótica é uma das que tem uma grande demanda por profissionais", conta o brasileiro. Mas ele diz não concordar que faltam tantos profissionais no mercado japonês: é a disputa que é acirrada, acredita. "O que faltam é mais candidatos qualificados", afirma.

Setores em crise

Entre as principais críticas ao governo estão a falta de uma política migratória e leis trabalhistas mais flexíveis.

Enquanto a solução não aparece, a falta de trabalhadores, qualificados ou não, tem obrigado muitas empresas a repensar os planos de expansão.

Alguns setores já falam até em crise, pois não vêm outra saída além da restrição nas operações e do aumento de salários.

Companhias aéreas, empresas varejistas e rede de restaurantes são algumas das áreas que sofrem com a escassez de trabalhadores. Em alguns casos extremos, as empresas são obrigadas a fechar lojas por não conseguir preencher as vagas.

Um relatório do governo japonês sobre a área de aviação divulgado recentemente mostrou que algumas companhias aéreas de baixo custo, como Jetstar Japan e Vanilla Air, foram obrigadas a cancelar centenas de voos neste verão.

Pela mesma razão, a Peach Aviation, uma joint venture da All Nippon Airwais (ANA), uma das maiores empresas aéreas japonesas, disse no mês passado que avalia o cancelamento de mais de 2 mil voos este ano - um corte de 16% no total planejado para 2014.

"Não há pilotos suficientes e, para treiná-los, gasta-se tempo e dinheiro", justificou o porta-voz da companhia, Hironori Sakagami.

Fonte: G1

quinta-feira, 7 de agosto de 2014

Japão tem a mais baixa taxa de autossuficiência alimentar entre os países desenvolvidos


Enquanto a produtividade dos produtos tecnológicos no Japão aumenta a cada dia, o setor agrícola vem sentindo a queda gradativa de sua produção

Segundo, o professor Keishiro Itagaki, da Universidade de Agricultura de Tóquio, a baixa taxa de autossuficiência é um problema estrutural. A falta de mão de obra no setor agrícola tem resultado no abandono de terras cultiváveis e o iene forte facilitou a importação. Além disso, segundo o professor existe um fator estrutural ainda maior: os ganhos com a agricultura permaneceram baixos pelos últimos 20 anos. O cultivo das plantações não gera renda suficiente, desestimulando os produtores rurais, que migram para outras atividades mais lucrativas.

Os produtos principais com baixa taxa de autossuficiência são os grãos, como o trigo e a soja, excluindo o arroz. A taxa de autossuficiência do trigo é de cerca de 10%, e a da soja gira em torno de apenas 4%. 




Enquanto isso, a indústria pecuária japonesa é bastante competitiva, em setores como a produção avícola e de carne bovina e suína. A taxa de autossuficiência de legumes e verduras é de mais de 70%, e as frutas produzidas no Japão são de alta qualidade, gerando altos lucros. Assim, segundo o professor a taxa de autossuficiência é alta em produtos agropecuários com alto valor agregado e o Japão depende da importação de produtos com baixo valor agregado.

Segundo Itagaki, o governo do Japão está tentando promover a mudança do cultivo do arroz, que tende a ter excesso de oferta, para o cultivo de outros cereais. Contudo, mesmo se um agricultor decidir plantar soja em vez de arroz, ele não pode esperar um aumento nos lucros, já que o preço do produto é baixo. 

Levando em conta o aumento dos custos de fertilizantes, mão de obra e combustíveis, entre outras coisas, Itagaki observa que não há incentivos econômicos para agricultores plantarem grãos que não sejam o arroz.

O governo do Japão criou uma alta meta numérica para aumentar a taxa de autossuficiência alimentar para 50% até o fim do ano fiscal de 2020. Para atingir este objetivo, o governo lançou medidas, como a tentativa de melhorar a competitividade dos preços fazendo com que agricultores e corporações agrícolas unificassem pequenas regiões cultiváveis. Além disso, o professor diz que o governo também tentou estabilizar a renda cobrindo a diferença quando o preço dos produtos no mercado doméstico fica abaixo do preço internacional. Mesmo assim a taxa de autossuficiência não aumentou. Itagaki sugere que, daqui em diante, será necessário haver um apoio um pouco maior à gestão agrícola, para ajudar a aumentar as margens de lucro do trabalho individual dos agricultores. 

Segundo o professor, os consumidores também têm bastante preocupação sobre a segurança dos produtos alimentícios importados, devido a recentes incidentes, como o uso de ingredientes vencidos numa fábrica processadora de alimentos na China. Contudo, a dependência dos alimentos importados continua aumentando e mais fabricantes japoneses estão transferindo suas fábricas para outros países. Itagaki conclui dizendo que, no futuro, será necessário manter um equilíbrio entre produtos domésticos e importados, entre a produção doméstica de produtos frescos e a dependência de alimentos processados importados, depois de certificar sua segurança.

segunda-feira, 4 de agosto de 2014

Candidatos nikkeis são discretos e poucos usam apelidos para ‘facilitar’ a vitória na eleição


Chamar a atenção no meio de tantos candidatos, com apenas alguns segundos de participação nas propagandas eleitorais, não é tarefa fácil. Por isso, valer-se do bom humor e do inusitado na hora de escolher o nome de candidatura pode ser uma arma poderosa. Pelo menos é nisso que aposta um grande número de pessoas, que aproveita a pouca restrição por parte a Justiça Eleitoral e utilizam nomes criados para chamar a atenção da população.

Como ocorreu em pleitos anteriores, nas listas por todo o Brasil, a criatividade rolou solta. Para sobressair, vale de tudo. Alguns buscam apelidos de infância, outros preferem usar a profissão. Há também aqueles que criam personagens. Dentre os diversos nomes estranhos desse ano, destaque para Bizarro, Cebolinha, Neymar Cover, Pão Torrado, Galo Cego e Mestre Drácula. Entre os candidatos nikkeis, porém, poucos ousaram. Os que mais chamam a atenção em São Paulo são: Eduardo Tsuneo Saito (PHS), que deve ser procurado nas urnas como “Saito-San”; Siusaku Hirashima (PSB) como “Marcos da Foto”; Carlos Munetachi Hayashida (PV), que optou por Carlos da Interpisos; Roberto Shizuo Kumasaka (PV), registrado como “Prof. X; além de Elmer Hayashiguchi (PSC) e João Yoshitika Nose (PDT), que se utilizam do primeiro nome seguido do apelido “Japonês”.

Deputado Federal Junji Abe
De acordo com a lista do Tribunal Superior Eleitoral, a maioria dos nipo-brasileiros apenas abreviou o nome. Antonio Yosiaki Muraki (PTB) virou “Toninho Muraki; Patrícia Kiyomi Tani (PSDC) simplificou para Patrícia Tani. Já Pedro Massami Kikudome (PTN) virou Pedro Kaka. Alguns também se utilizaram de títulos para compor o nome. Francisco Tadao Nakano (PDT) virou Dr. Nakano. O mesmo acontece com Henri Hajime Sato (PMDB), Anne Hanae Matsumoto (PSL), Charles Hider Kobayashi (PRTB) e Mauro Keiji Araki (PTB), que colocaram a profissão de médico antes do nome. Já Marilda Watanabe (PV) aparece nas propagandas com o título de professora antes do nome.

Nessas eleições também podem ser encontrados, em todo o canto do país, os “falsos orientais”. Em Goiás, Cirlei De Araújo Costa (PRP), usa Cirlei Japão; Willian Moura de Carvalho (PTN), de Minas Gerais, se intitula apenas com o nome do país nipônico. Já Denildo Araujo da Silva (PSL), usa o apelido “O Japa de Ilhabela”.


Normalmente, a Justiça Eleitoral somente indefere os nomes que atentem contra o pudor. Também são vetados os casos em que se tente utilizar nomes de instituições públicas, como por exemplo: “José dos Correios” ou “João da Petrobras”. Apesar da proliferação de nomes curiosos, as últimas eleições mostraram que usar tal estratégia nem sempre dá resultado, pois são quase inexistentes os candidatos com nomes exóticos na Câmara Federal ou nas Assembleias. Além dos apelidos, outras estratégias são usadas pelos partidos para conseguirem eleger mais nomes. A principal delas é apostar nos famosos como “puxadores de votos”. Entre os conhecidos do grande público que se candidatam nas eleições desse ano está o cirurgião plástico Robert Rey, apelidado de Dr. Rey, que se filiou ao partido PSC; e Marcos Pontes, o astronauta brasileiro, que é candidato pelo PSB.

Fonte: São Paulo Shimbum