quinta-feira, 29 de maio de 2014

JAPÃO: FESTIVAL DE DELICADEZAS

Valorizar todo encontro, cada momento vivido com outra pessoa, porque, afinal, ele pode nunca se repetir. Esse é o sentido de “ichigo ichie”, o espírito japonês da hospitalidade, que remonta aos samurais do século 15 e à tradicional cerimônia do chá.

Sejam amigos do peito, novos conhecidos ou colegas, os japoneses se desdobram pelos convidados. “Há uma preocupação extrema em receber e quase um sacrifício para agradar”, diz Yusuke Nakayama, vice-cônsul do Japão em São Paulo.

Mais do que dar o melhor de si, a ideia é satisfazer as necessidades dos convivas. Lumi Toyoda, pesquisadora e consultora de cultura e etiqueta japonesas, conta um caso que ilustra o grau de esforço do anfitrião japonês. Os protagonistas: um político brasileiro e sua mulher.
(Antes, é bom lembrar que no Japão não se entra em casa de sapato. Por uma questão de higiene, o calçado é deixado no hall de entrada, onde estão dispostos chinelinhos próprios para a circulação interna; se a sala for de tatame, fica-se descalço.)

Voltando ao casal de brasileiros: ao chegar a uma recepção, eles se dirigiram à sala. Então, perceberam que os anfitriões haviam sumido. Minutos depois, os donos da casa reaparecem calçando sapatos, como faziam, inadvertidamente, os brasileiros. Tudo para evitar constrangimento às visitas.

Poupe você também seu dedicado anfitrião japonês. Liberar a porção latina, por exemplo, pode ser altamente embaraçoso. Falar alto, expor alegria ou indignação, fazer críticas esbanjando contundência não caem nada bem numa cultura que prega conceitos budistas como humildade, serenidade e harmonia. O respeito mútuo também é cultivado.

Por isso, não é demais conferir práticas recomendáveis à visita que quer retribuir a acolhida:Compareça ao encontro na hora marcada. Se for atrasar – cinco minutos que seja –, ligue avisando.

Leve uma lembrancinha para o anfitrião; para acertar em cheio, chegue com uma sobremesa. Mas sem fazer aquele Carnaval em torno das qualidades do presente, como é costume aqui. Até dá para comentar que se trata de algo considerado bom, um doce apreciado, por exemplo. Mas sem exaltação.

Nos cumprimentos, controle seu ímpeto de distribuir beijinhos e abraços. Idem para o aperto de mão. Os japoneses não são tão pródigos com o contato físico. Restrinja-se a fazer uma leve reverência, curvando o corpo para frente. Exceção: a turma nipônica mais globalizada, que mantém contato regular com os ocidentais.

Dar gargalhada não é prática comum, mas tudo pode mudar depois de alguns saquês. Quando começam a beber, os japoneses se transformam. Nessa hora, os mais alegrinhos podem falar a besteira que for: a turma entende.

À mesa, atenção aos hashis: é aconselhável treinar o manuseio, porque nem toda casa tem garfo e faca para ajudar os ocidentais. E nunca espete os pauzinhos no sushi, porque remete a rituais religiosos em que uma tigela de arroz com um par de hashis espetado é oferecida aos mortos.

Não se assuste com a sinfonia dos convivas degustando a sopa. Fazer barulho para sugar o caldo é um costume nacional. Se não consegue fazer igual, OK. Mas diga que está apreciando a comida. Os japoneses gostam de elogio.

Não enrole muito para ir embora, como fazemos, permanecendo horas a fio de papo em volta da mesa regada a uma coleção de cafezinhos. Acabou o jantar? Arigatô e benção.

quarta-feira, 28 de maio de 2014

Japão trabalha em soluções para a sociedade envelhecida do futuro


O Japão, um dos países mais envelhecidos do mundo, procura soluções para a crescente demanda no cuidado dos idosos, um setor que promete ser responsável por uma grande rentabilidade econômica no futuro.

Nos últimos dias, o professor Hiroshi Kobayashi, da Universidade de Ciências de Tóquio, trabalha no projeto de uma máquina que literalmente tira as pessoas dependentes da cama e também em outra que ajuda a se sentar e levantar do banheiro.

O projeto é um dos muitos que agora está no foco do setor privado no país asiático, já cobrado pela sociedade super envelhecida.

Segundo dados divulgados em abril pelo Ministério da Saúde japonês, o número de japoneses com mais de 64 anos foi de quase 32 milhões, o que representa 25% da população do arquipélago.

Deles, 5,4 milhões requerem algum tipo de assistência, um número crescerá ainda mais quando a terceira idade será quase 40% da sociedade japonesa em torno do ano 2050, segundo previsões do governo.

Dentre todos os projetos de Kobayashi, o que já é uma realidade é seu exoesqueleto mecânico pensado especialmente para o setor de atendimento a idosos.


A armadura, que começou a ser produzir em série pela "Kikuchi", permite basicamente que a pessoa que a utiliza levante 30 quilos sem esforço.

Kobayashi desenhou especificamente este sistema para cuidadores depois que o responsável de uma empresa do setor lhe falou das dores lombares que sofrem os trabalhadores do coletivo por ter de levantar idosos para colocá-los ou tirá-los da cama ou do banheiro.

Deste modo, o equipamento é perfeito para movimentar pessoas dependentes graças a um sistema de "músculos artificiais".

Ditos músculos, que ficam apoiados sobre as costas da pessoa que utiliza a armadura, se esticam quando o usuário sopra por uma lingueta, o que ativa uma injeção de ar comprimido.

Nesse momento só é preciso ter agarrado o sujeito; a armadura faz o resto já que o mecanismo imita a força que produzem os músculos das costas e joga os ombros para trás.

Embora o preço esteja longe de ser uma pechincha (entre 2.150 e 5.750 euros), o fabricante permite a opção de alugar uma armadura por 180 euros por mês e deve fazer frente a cerca de mil pedidos neste ano.

"Agora há muitos postos na indústria nos quais mulheres ou pessoas de certa idade não podem trabalhar devido ao enorme esforço físico, mas espero que isso mude com este aparelho", explicou à Agência Efe Kobayashi em uma recente demonstração de sua armadura, que segundo ele, também criou interesse em empresas de logística.

Outro enfoque inovador no setor vem pelas mãos de "JC Group", uma empresa criada há sete anos por Hideaki Fujita partindo da ideia de oferecer um tratamento mais próximo e personalizado para seus clientes.

Em primeiro lugar, JC não constrói instalações específicas, mas desembolsa uma quantia muito menor para adquirir casas desocupadas (um fenômeno em alta no Japão devido à diminuição da população), onde depois as submete a um condicionamento mínimo.

O resultado é um entorno muito menos impessoal onde se presta serviço a dez clientes no máximo e emprega outros dez trabalhadores em três turnos, o que costuma envolver um cuidador para cada três idosos, uma proporção muito superior do que a maioria de negócios deste tipo no Japão.

Os próprios funcionários de JC explica que para os usuários com demência senil é muito traumático comparecer a um centro onde há mais pessoas e idosos, porque tantos rostos alimentam sua confusão e frustração.

Por isso, cada empregado das residências de JC usa uma camisa com um cor que sempre deve brilhar para facilitar sua identificação.

A empresa também assinou um convênio com uma agência de representação de artistas, que envia seus futuros músicos aos centros, onde, além de trabalhar como pessoal assistente, atuam para os idosos.

Fujita detalhou que o número de centros como esse disparou desde que fundou a companhia, passando dos 5 mil aos 35 mil pelo forte aumento da demanda.

"Para 2015, queremos conseguir as mil filiais no Japão, onde em longo prazo temos como objetivo abrir seis mil", explicou Fujita, que estuda também se expandir para Taiwan e China.

Fonte: IPC DIGITAL

sábado, 24 de maio de 2014

Estrangeiros contam as dificuldades de ter uma esposa japonesa


O número de casais formados por japoneses e um cônjuge de outro país esta crescendo cada vez mais no Japão. É notório nas ruas, bares, restaurantes, ver como a sociedade se torna cada vez mais internacionalizada. Claro que existem inúmeras barreiras como os costumes, alimentação, idiomas e entre outros. Por isso uma pesquisa revelada pelo Jornal Japan Today, mostra que não existe o cônjuge perfeito e no texto abaixo podemos notar uma lista de "queixas" dos homens que decidiram casar com uma japonesa.

É verdade que o povo japonês é mais introvertido, que não têm a mesma habilidade dos brasileiros na hora de paquerar. A grande maioria tem vergonha de andar pelas ruas de mãos dadas e mais ainda de dar um beijinho de despedida em público. E ainda existem as famílias conservadoras que não admitem ver seus filhos/filhas casados com estrangeiros.

Essa é uma característica dos japoneses. Não é comum apresentar a namorada aos pais, a não ser que seja um namoro muito sério.

Uma queixa comum dos homens estrangeiros é a falta de carinho explícito de suas esposas japonesas. Todos sabem que os japoneses são conhecidos como um povo frio e não tem o hábito de dizer "eu te amo" como a grande maioria das pessoas ao redor do mundo, mas a falta de validação pode parecer ainda mais angustiante quando a sua esposa acaba demonstrando toda a sua devoção a alguém que ela só viu no palco segurando um microfone.

Não é apenas a afirmação verbal que alguns homens esperam mais das suas parceiras e sim mais contato físico também, O povo japonês é extremamente tímido, e não costumam usar muito o contato físico ocasional de muitas culturas ocidentais, abraçar, andar de mãos dadas é comum em quase todos os países não asiáticos, já no Japão, dificilmente você irá ver um casal japonês dar aquele abraço caloroso como estamos acostumados entre nós brasileiros.

Outra queixa se refere ao convívio diário dentro de casa, seja na educação dos filhos ao costume de deixar os sapatos fora de casa, ou até mesmo na hora do banho.

"Quando eu entro em casa com os meus sapatos ainda, ela me pergunta: Você tem alguma ideia de quantas bactérias você pega apenas andando na rua?".

A sociedade japonesa tende a ser exigente, em geral, quando se trata de higiene e cuidados com a aparência, como revela outro homem cuja esposa surta cada vez que ela percebe um buraco em sua roupa ou meias.

"Ela diz que não vai comprar mais nenhuma roupa nova para mim, e pede que eu compre sozinho na loja mais em conta possível", conta um estrangeiro entrevistado.

Ainda hoje esses pequenos detalhes atrapalham a vida de um casal de diferente nacionalidade. Costumes e tradições milenares dos japoneses quase sempre estão enraizadas nas pessoas e a aceitação de uma outra pessoa de diferente nacionalidade acaba causando crises no casamento e só o tempo para acabar com essas barreiras.


quinta-feira, 22 de maio de 2014

Ministério das Relações Exteriores do Brasil preocupado com número de brasileiros presos no Japão


Em dois anos, o número de brasileiros presos no exterior passou de 2,5 mil, em 2011, para 3.209, em 2013. Um aumento de quase 30%, segundo dados divulgados pelo Ministério das Relações Exteriores (MRE). O tráfico e o porte de drogas estão entre os principais delitos, correspondendo a 30% dos casos.

De acordo com a diretora do Departamento Consular e de Brasileiros no Exterior, ministra Luiza Lopes da Silva, o aumento não está relacionado apenas à ocorrência de crimes, mas também a uma maior presença do consulado brasileiro em órgãos públicos e delegacias no exterior.

A ministra destacou a preocupação no caso dos brasileiros presos na Ásia, com 417 presos. Só no Japão, onde estão 407 brasileiros detidos, na maioria jovens, o narcotráfico corresponde a 25% dos casos. "Temos um caso de delinquência juvenil. Não temos nenhuma outra situação desse tipo em nenhum outro país", afirmou.

Segundo Luiza, a pasta identificou que, entre os fatores que levam à delinquência, está a evasão escolar. Ela explica que muitas famílias vão para o Japão para trabalhar como operárias e não sabem se vão ficar ou não por muito tempo. Os pais, pelo trabalho, não têm condições de acompanhar os filhos.



"A carga escolar é muito pesada no Japão, os pais estão em fábricas a maior parte do tempo e não conseguem dar a assistência necessária. Muitos estudantes brasileiros são vítimas de bullying e acabam deixando a escola, ficam ociosos e acabam indo para as ruas, formando gangues", diz.
Para tentar dar uma assistência aos jovens presos, o MRE, no ano passado, levou o Exame Nacional para Certificação de Competências de Jovens e Adultos (Encceja) para o Japão.
Pelo exame, os brasileiros recebem certificação do nível fundamental ou médio. Em Tóquio, 26 presos fizeram o exame no ano passado. Neste ano, são 35 inscritos. O ministério pretende levar o exame para prisões de outros países.


Fonte: IPC DIGITAL

domingo, 4 de maio de 2014

Japoneses criam filhos para que mulheres voltem ao trabalho


Manabu Tsukagoshi, consultor que mora em Tóquio, tirou um mês de licença-paternidade depois que seu segundo filho nasceu. Isso ajudou sua esposa, que era dona de casa, a conseguir um trabalho de tempo integral no setor financeiro.

“Quando me perguntam por que eu tiraria essa licença, já que minha esposa é dona de casa, eu respondo que é para que ela possa voltar a trabalhar fora”, disse Tsukagoshi, 38, que planeja tirar a licença novamente neste ano, da Toray Corporate Business Research Inc., quando sua mulher voltar ao trabalho depois de dar à luz seu terceiro filho.
“Precisamos de modelos de conduta para mostrar que há pais capazes de fazer isso”.
Embora Tsukagoshi esteja entre uma pequena minoria no Japão, o primeiro-ministro Shinzo Abe quer que os homens assumam papéis mais ativos no cuidado dos filhos, em uma campanha chamada de “Projeto Ikumen”, que pode ser traduzida como “homens que criam crianças”.
Apenas 1,9 por cento dos japoneses tiraram licença-paternidade em 2012, de acordo com os números do governo. O objetivo é elevar essa cifra para 13 por cento até 2020.
Algumas empresas da indústria financeira, como a Nippon Life Insurance Co. e a Meiji Yasuda Life Insurance Co., estão entre as empresas que reagiram com novos programas para estimular os homens a tirarem licença depois que seus filhos nascerem.
A Nippon Life, a maior seguradora do Japão, anunciou em 20 de março que a participação na licença-paternidade chegou a 100 por cento.
“O Projeto Ikumen ajudou muitas pessoas a perceberem que os homens podem ter um papel importante na criação dos filhos”, disse Masako Ishii-Kuntz, professora de sociologia na Universidade de Ochanomizu, em Tóquio.
“Dito isso, há um enorme abismo entre a situação ideal e a realidade, e esse abismo precisa ser superado”.
Mudança na cultura
O governo também está tentando aumentar a porcentagem de funcionários que tiram férias anuais pagas, de 47 por cento para 70 por cento, e a porcentagem de mulheres que voltam ao trabalho após dar à luz, de 38 por cento a 55 por cento, até 2020.
Se a licença-paternidade e a participação das mulheres na força de trabalho aumentarem, “toda a sociedade provavelmente crescerá e se tornará mais próspera”, de acordo com os objetivos da política do Projeto Ikumen, delineadas em seu site.
“Vemos mais jovens pais de terno e carregando bebês em porta-bebês, então é óbvio que o clima está mudando”, disse Ishii-Kuntz. “Para que os homens comecem a ver a licença-paternidade com outros olhos, primeiro a cultura deve mudar”.
De acordo com a lei japonesa, os funcionários homens com filhos pequenos têm direito a um ano de licença se tiverem trabalhado durante mais de 12 meses para o mesmo empregador. Durante o período da licença esses funcionários podem solicitar os benefícios de desemprego do governo e o empregador não é obrigado a pagar os salários.
“Nosso maior desafio é que isso seja a norma”, disse Kyomi Nakakura, gerente do departamento que apoia essa iniciativa na seguradora Nippon Life. “Queremos plantar a ideia de que seremos capazes de ajudá-los para que eles possam continuar a trabalhar para nós”.
A mudança nas empresas deve vir dos chefes, então o governo está financiando programas e palestras para que os gerentes incentivem a licença-paternidade, disse o ministro de Estado para a Igualdade de Gênero, Masako Mori, em entrevista no dia 9 de abril, em Tóquio.
Compensação
“As estatísticas sugerem que a quantidade de licenças-paternidade tiradas pelos pais japoneses é baixa em comparação com a de outros países desenvolvidos, então provavelmente há mais a fazer para mudar isso”, de acordo com Kathy Matsui, a primeira mulher a ser sócia no Goldman Sachs Group Inc. no Japão, conhecida por seus relatórios “Womenomics”.
Ela citou o exemplo da Suécia, que oferece benefícios de licença-paternidade financiados pelo governo.
“O Japão não necessariamente precisa imitar isso, mas algum tipo de incentivo econômico pode ajudar a estimular mudanças de comportamento”.

Fonte: Exame