sexta-feira, 27 de setembro de 2013

Os 40 anos de relacionamento entre Japão e Vietnã

Quarenta anos se passaram desde que o Japão e o Vietnã estabeleceram laços diplomáticos, no dia 21 de setembro de 1973. Desde então, o relacionamento entre os dois países tem mudado de maneira drástica. 

Ambos os governos decidiram que o ano de 2013 é o ano da amizade entre o Japão e o Vietnã, e que irão promover eventos comemorativos. 


Ho Chi Minh capital do Vietnã



O governo e as pessoas do Vietnã fizeram com que este ano fosse bastante festivo e cheio de eventos. Mais de 150 eventos oficiais, como seminários científicos, apresentações artísticas e conferências sobre a cooperação econômica, comercial e de investimento, estão acontecendo nas maiores cidades do Vietnã.

Nos últimos 40 anos, o enfoque das relações entre o Japão e o Vietnã mudou com o tempo. No período inicial, quando o Vietnã e o Japão estabeleceram relações diplomáticas em 1973, e especialmente no final da década de 1980 e início da década de 1990, as relações se concentraram nas atividades de assistência conduzidas pelo Japão para ajudar o Vietnã a se livrar das sequelas da Guerra do Vietnã e voltar a fazer parte da comunidade internacional. 


Depois, a atenção se voltou em grande parte ao setor econômico e aos poucos se concentrou no comércio, investimento e desenvolvimento de infraestrutura com base na Assistência Oficial para o Desenvolvimento, de sigla ODA do Japão. Até o momento este tem sido o enfoque mais importante das relações entre os dois países. 


fabrica da Honda no Vietnã


Contudo, este enfoque outra vez está mudando em direção a novos aspectos, especialmente sócio-culturais, políticos e de segurança.


Para o futuro, existem duas questões principais que o Vietnã e o Japão precisam superar. 

Em primeiro lugar, está a questão de como obter o máximo de vantagem da ODA do Japão, que é o país que mais faz doações ao Vietnã, agora que o Vietnã está se movendo rumo à industrialização, modernização e reformando sua economia de mercado.

Em segundo lugar, o Vietnã atualmente precisa se elevar a um novo patamar tecnológico após um processo relativamente longo de industrialização e modernização. A transferência de tecnologia do Japão para o Vietnã ainda é limitada. O Japão tem se concentrado mais em metas comerciais, tirando vantagem dos recursos naturais e mão de obra barata do Vietnã, ao invés de ajudar o Vietnã a melhorar sua eficiência econômica e produtividade. O ideal seria que o Japão desse mais apoio tecnológico ao Vietnã.


Este ano é particularmente importante não apenas porque marca os 40 anos de relações diplomáticas entre o Japão e o Vietnã, mas também porque muitas mudanças estão acontecendo em ambos os países.

quarta-feira, 25 de setembro de 2013

Japão, deve permitir reentrada de brasileiros beneficiados com auxílio retorno

 Um artigo publicado no influente jornal Asahi em sua edição de domingo 22 de setembro teve grande repercussão na comunidade brasileira residente no Japão. O artigo que exibia o seguinte titulo: “Japão, deve permitir a reentrada aos Nikkeis que retornaram ao seu país com o auxilio  de Retorno”. O artigo também criticou o governo por usar os Nikkeis como um “tampão" contra o desemprego.



Com a grave crise do emprego ocorrida após o colapso do Lehman Brothers, o Japão criou em 2009 um programa de subsídio de 300.000 ienes para os Nikkeis, que queriam voltar para os seus países de origem, em troca essas pessoas beneficiadas com o auxílio, não poderiam retornar dentro de três anos.

O governo japonês prometeu que até o fim desse período de tempo consideraria levantar restrições à reentrada como “as circunstâncias da economia e do emprego no país.”

"Já faz mais de três anos, que o governo impôs um ponto de referência para levantar a restrição. Se é assim, por acaso o Japão não está aproveitando abusivamente da regra do programa de retorno? Para impedir a reentrada dessas pessoas”, questionou o editorial de Asahi.

Programa de Retorno separou várias famílias

Segundo o jornal, o programa de Retorno recebeu críticas porque iria incentivar a separação de famílias, entre as pessoas que aceitavam a proposta, e aqueles que ficaram para trabalhar.

Mais de 21 mil pessoas aceitaram as condições do governo japonês, os brasileiros registraram o maior número de retorno ao país de origem.


"Na verdade, não foi permitida a reentrada de uma nikkei brasileira que viveu no Japão por dez anos com seus pais e se casou com um rapaz que mora no Japão. A razão para a rejeição foi porque seus pais utilizaram o auxilio  de Retorno," escreveu Asahi.

É a primeira vez que a imprensa japonesa se pronuncia sobre os termos do Programa de Assistência de Retorno. Há quinze dias, outro artigo do renomado jornal Manichi , foi publicado no mesmo sentido .

Mas a Asahi foi mais fundo, porque defende sem rodeios que a ajuda de 300 mil ienes, significa um fardo moral sobre os ombros de quem aceitou o beneficio.

"Uma das razões que piorou o desemprego foram os trabalhadores Nikkeis - acusa o diário Asahi - foi o fato de que a sociedade japonesa fez esforços suficientes para aceitar e integrá-los como parte dela.”

Problemas sociais, como a dificuldade na comunicação e o grave abandono escolar dos filhos dos Nikkeis, denunciaram as fraquezas da política de imigração japonesa.

O jornal observa que os efeitos da crise do Lehman Brothers forçaram o governo japonês a tomar medidas tais como oferecer gratuitamente cursos de japonês e capacitação profissional para ajudar os nikkeis desempregados. “O governo deve continuar este tipo de apoio e permitir a reentrada daqueles que usaram o auxilio de Retorno, mas por aquilo que são seres humanos."

"O importante é aceitar o Nikkei, não como uma simples mão de obra dekassegui, mas como residentes. “Sem essa atitude, o governo central não pode escapar das críticas que dizem que o Japão está usando o Nikkei como para-choques de desemprego”, conclui o editorial.



Fonte: Asahi Shimbum (Jornal Japonês)



segunda-feira, 23 de setembro de 2013

Japão e Rússia executam projetos agrícolas conjuntos

O Japão e a Rússia começaram a promover projetos agrícolas conjuntos na região do extremo leste russo. 

Os projetos agrícolas envolvendo os dois países têm por fim a exportação para o Japão de grãos produzidos na Rússia. Atualmente dois destes projetos estão em execução.

Um deles consiste no cultivo de soja na província de Amur, no interior da Rússia. Agricultores da Província de Hokkaido - a mais setentrional do Japão - estão em Amur para trabalhar com agricultores locais no projeto, que é financiado por um banco de Hokkaido. A meta final é a criação de uma empresa joint venture com o fim de exportar produtos agrícolas para o Japão.

O outro projeto em execução consiste na produção de trigo sarraceno nos arredores de Vladivostok. A maior companhia trading de cereais do Japão planeja adquirir os produtos regularmente. A empresa negocia agora com os agricultores locais.

O trigo sarraceno é utilizado principalmente na culinária da Rússia e Polônia, além do Japão que é um grande consumidor.


trigo sarraceno


 No Japão, usa-se este trigo principalmente na fabricação de massas soba, que é um prato muito apreciado na culinária japonesa, é um macarrão com caldo a base de shoyu, consumido na forma de uma sopa acrescido de vários ingredientes desde algas a tempurá, sendo muito apreciado no verão com caldo gelado. Na Rússia, o cereal é em geral cozido na panela, como se faz com o arroz japonês, e condimentado com manteiga e sal. A Rússia é o maior produtor mundial de trigo sarraceno - maior até mesmo que a China - e é também o maior consumidor. O consumo na Rússia é quatro vezes maior que no Japão.

macarrão soba

A Rússia consome a maior parte da produção nacional. Diferentemente do trigo comum ou da soja, o trigo sarraceno não tem tanta procura fora da Rússia. Em sua maioria, os russos não sabiam que os japoneses consomem trigo sarraceno, daí o país nunca ter pensado em exportar o produto para o Japão. Foi aí que a companhia trading japonesa encontrou uma oportunidade empresarial.

O Japão dependia da China para cerca de 80% das importações do produto, mas agora pretende diversificar as suas fontes. Um dos motivos são preocupações com a segurança alimentar na China. Outro é o fato de que um número crescente de cultivadores de trigo sarraceno chineses estar passando a cultivar milho para ração animal.

Um dos fatores de maior importância para o sucesso de projetos agrícolas conjuntos entre o Japão e a Rússia é a qualificação e  a prestação de assistência técnica. Por acumular experiência em agricultura intensiva, o Japão está capacitado a oferecer o know-how necessário para aumentar a produtividade do setor. Além disso, pode fornecer equipamento para ajudar agricultores russos a cultivar produtos que atendam ao rigoroso padrão de qualidade estabelecido pelo Japão.

As duas nações têm experiência em cooperação econômica mútua no setor energético, no qual o Japão presta assistência técnica e a Rússia entra com recursos naturais. Esta modalidade de cooperação também pode ser aplicada no setor agrícola.

Fonte:NHK WORLD



quinta-feira, 12 de setembro de 2013

Mogiano lembra os bons tempos do Palacete Jafet



O contabilista Clóvis Akira Igarashi, 48 anos, nasceu e cresceu no Alto do Ipiranga, sendo testemunha das transformações radicais pelas quais o Bairro passou neste quase meio século.
Por isso, chamou-lhe a atenção a foto do Palacete Jafet, entre as que o jornal apresentou para serem comentadas por seus leitores, na sequência do Suplemento Especial em homenagem aos 453 anos de Mogi, completados no último domingo.
A imagem o levou de volta há cerca de 40 anos, quando aquela região da Cidade onde ele morava, hoje alvo de violenta ocupação imobiliária, ainda era cenário de grandes chácaras, onde moravam os imigrantes japoneses e libaneses que se fixaram em Mogi, em busca de trabalho.
E Igarashi contou sua história:
“Eu morava na Avenida Japão e, na época, jogava bola na rua, tamanha a tranquilidade, pois ali raramente passava um carro. Costumávamos jogar contra os colegas de outras ruas do Bairro e sempre nos reuníamos em um terreno próximo à Rua Henrique Eroles, de frente para o Palacete Jafet.
Quase que diariamente eu passava por ali e ficava admirando aquela construção imponente. Sempre via pessoas entrando em saindo, mas nunca via o dono do palacete, nem imaginava quem seria. Mas de uma coisa tinha certeza: era um homem muito rico para morar num verdadeiro palácio como aquele”.
Eu parava em frente e imaginava como seria lá dentro. Vários quartos, quadros na parede, cercada de obras de arte, grandes móveis antigos, tudo igual aos filmes clássicos. Quando assisti ao filme “E o Vento Levou”, pensei comigo: o palacete deve ser igualzinho ao casarão da produção cinematográfica.
A construção era imponente, ocupava toda a área onde hoje é o Supermercado Maktub. O palacete ficava bem no meio da propriedade e era cercado por um grande jardim. Mais ao fundo e dos lados, grandes árvores tomavam conta da paisagem de cinema. Na frente, um portão enorme, onde todos que passavam paravam para admirar.
Com o passar dos anos, eu ia notando que o palacete estava se deteriorando, precisava de pintura; no lugar do antes bem tratado jardim, crescia o mato. Passado mais algum tempo, percebíamos que não morava mais ninguém ali e o palacete estava abandonado. Uma pena, um patrimônio histórico da Cidade acabou daquela forma.
Lembranças de um belo passado, de uma infância cheia de alegria e de grandes monumentos, que se perderam no tempo”. 

Fonte: Jornal O Diário de Mogi

quarta-feira, 11 de setembro de 2013

Tóquio, sede dos Jogos Olímpicos de 2020

Este final de semana foi especial para o povo japonês. Tóquio foi escolhida para sediar os jogos olímpicos de 2020.

Comemoração dos japoneses após o anúncio do vencedor da disputa 


Após passar por períodos de dificuldades e preocupações devido aos grandes desastres naturais que afetaram o país nos últimos anos, o Japão acordou feliz e muito entusiasmado por organizar a maior competição esportiva do mundo.

O povo japonês é mundialmente reconhecido pela superação, sempre se sobressaindo após grandes adversidades, seja pós-guerra ou grandes catástrofes.

E agora não vai ser diferente, após ser devastado por um terremoto seguido de tsunami que atingiu a região de Fukushima, distante cerca de 250 km de Tóquio, o Japão assume o compromisso de organizar a melhor olimpíada de todos os tempos.

Na apresentação para os membros do COI, Tóquio apostou nas instalações futuristas, na infraestrutura de qualidade e no sistema de transporte público completo, tudo numa área com raio de cerca de oito quilômetros, que abrange a baía de Tóquio, onde será realizada a maior parte das competições.

A proposta é – Olimpíada para ir a pé. Nada de congestionamentos de automóveis, numa cidade onde o trem e o metrô são super eficientes, a ordem é esquecer o carro.

Toda a estrutura de aeroportos e rede hoteleira é muito eficiente, e as instalações para os jogos já estão praticamente prontas. Após a derrota sofrida na candidatura anterior, Tóquio tirou muitas lições e um meticuloso planejamento foi feito em várias atividades que envolvem os jogos com muito bom senso.


A Olimpíada será realizada daqui a sete anos, mas os preparativos já começaram. O mais urgente é solucionar o problema da água contaminada em Fukushima. A infraestrutura também deverá ser melhorada, acelerando as obras de reconstrução das áreas afetadas, modernizando as estradas e os aeroportos locais.

Quanto às instalações, nada de obras faraônicas. A ordem agora é sustentabilidade, apoio popular e economia. O projeto para as instalações visa modernidade aliado a um baixo custo. O orçamento de Tóquio é de 20 bilhões de dólares a menos que Istambul na Turquia, outra finalista.

A Olimpíada durará apenas duas semanas, mas surtirá efeitos econômicos positivos desde a oficialização da candidatura, até 2020. Esse período está sendo chamado pelos economistas de “corredor de longa distância”, que são as demandas sobre o setor privado que serão incrementadas durante o período de sete anos.

Outro fator que pesou muito na decisão foi a segurança, Tóquio orgulha-se de ser um dos lugares mais seguros do mundo, com índice de criminalidade perto de zero, nada de manifestações políticas, onde os policiais andam desarmados, pois a maior parte das ocorrências são os acidentes de trânsito.


Uma pesquisa recente constatou que 92% dos japoneses são favoráveis à realização de grandes competições internacionais na capital japonesa. Pode-se ver que as pessoas têm grandes expectativas quanto ao senso de realização que obtêm como espectadoras de jogos internacionais ou ao participar dos jogos. Para não frustrar estas expectativas, convém que o governo japonês aproveite a oportunidade e realize grandes reformas para sair definitivamente do período de estagnação econômica que passou durante alguns anos. 

sexta-feira, 6 de setembro de 2013

Produção inovadora de vinho na China ajuda a impedir o processo de desertificação

Especialistas dizem que, agora, os desertos constituem aproximadamente um quinto do território da China. No entanto, agricultores desenvolveram uma maneira de recuperar terra e, além disso, de conseguir extrair dela uma doce recompensa. 

O Deserto de Gobi está se expandindo do interior da China para a Mongólia. Ele é o quarto maior deserto do mundo.

cultivo de uvas no deserto chinês

A quantidade de chuva na região é de menos de 200 milímetros por ano, e toda a sua superfície está coberta de areia pura.

No entanto, em meio a essa terra árida, um pouco de verde pode ser visto entre as dunas. É um vinhedo com um tamanho de 1.400 hectares. Álamos impedem que a areia seja levada para dentro pelo vento. A fazenda cultiva uvas do tipo Cabernet e Merlot produzidas por cruzamento com variedades locais para que se adaptassem bem à areia. A empresa a que pertence o vinhedo experimentou diversos métodos de cultivo, e foram inclusive para Israel para estudar tecnologias de irrigação. 

Alfafa cresce em meio ao vinhedo. As suas raízes retêm água subterrânea, e suas folhas protegem as mudas durante tempestades de areia.

Quem desenvolveu o método foi Han Jianping, o proprietário do vinhedo. A sua técnica é resultado de 10 anos de uma sequência de tentativas e erros.

Han tem orgulho de ter desenvolvido uma tecnologia para cultivar uvas no deserto. Mas ele diz que quer expandir o vinhedo para ajudar a fazer a região ficar verde e melhorar a vida dos agricultores do local.

O cultivo de uvas no deserto é um desafio, mas isso também tem recompensas. O ambiente severo é livre de doenças, o que significa que as uvas são cultivadas de maneira orgânica. Além disso, a grande variação de temperatura entre o dia e a noite deixa as uvas mais doces e também melhora o seu sabor.

Chineses que apreciam vinho foram atraídos por essas características. Nos últimos cinco anos, o consumo de vinho na China cresceu 30%. O vinho produzido pela vinícola de Han Jianping é atualmente o oitavo mais vendido no país.



Um especialista da França foi convidado para melhorar o já sofisticado produto da vinícola de Han, que espera passar a vendê-lo no exterior.

O professor da Universidade da Mongólia Interior Xue Xiaoxian diz que o plantio de árvores tem sido uma maneira de impedir o processo de desertificação, mas, de acordo com ele, o método por si só não vai dar dinheiro às comunidades locais. O professor diz que, caso agricultores cultivem plantações lucrativas, como vinhedos, eles podem ter renda e, ao mesmo tempo, lutar contra a desertificação.

O vinhedo do deserto não é apenas um oásis, mas também um negócio promissor.

Fonte: NHK WORLD