quinta-feira, 28 de maio de 2015

Você sabe o que é "Síndrome de Galápagos"?



O Japão, em pleno século XXI, ainda continua sendo uma das sociedades mais fechadas do mundo. Mesmo com o crescente número de turistas estrangeiros, alguns equipamentos que facilitam o cotidiano dos japoneses, ainda é um quebra cabeças para os estrangeiros, devido a complexidade e não possuir informações em inglês. Um exemplo clássico, são os caixas eletrônicos.
As famosas máquinas ATM (caixas eletrônicos) para saques e outras operações, ainda são um mistério para a maioria dos visitantes estrangeiros.
Muito utilizadas pelos japoneses, elas ainda causam certa frustração nos turistas estrangeiros, por não se adequarem aos padrões internacionais. Cheios de peculiaridade, muitos caixas eletrônicos, por exemplo, não funcionam depois de uma determinada hora da noite. Isto surpreende os estrangeiros que estão acostumados a dispor do dinheiro no sistema 24/7.
De acordo com o jornal Nikkei Asian Review, apenas 48,000 dos quase 200.000 caixas eletrônicos do Japão aceitam cartões de crédito e bancários emitidos no exterior. As máquinas ATM sofrem um relativo isolamento do resto do mundo por causa de um resistente foco conservador do mercado local.

Esses efeitos são atribuídos à “Síndrome de Galápagos”(*), uma referência feita às famosas ilhas isoladas na costa do Equador e que define a tendência do Japão de se confinar nos próprios limites, como ocorre com a fauna e a flora daquela ilha. O termo foi primeiro utilizado para descrever o que ocorria com o mercado de celulares japoneses. Apesar da inovação tecnológica invejada pelo resto do mundo, eles não podem ser compreendidos ou utilizados fora do Japão.

O governo vem direcionando esforços para mudar esse cenário porque precisa do turismo internacional para impulsionar sua economia. Em abril deste ano, 1,76 milhões de estrangeiros visitaram o Japão, o que representa uma alta mensal pelo terceiro mês consecutivo, de acordo com o jornal The Japan News.

Graças à pressão do governo sobre os bancos, o número de caixas eletrônicos compatíveis com cartões estrangeiros deve atingir a marca de 80 mil até 2020, quando o Japão receberá Jogos Olímpicos. Os três maiores bancos do Japão já  se comprometeram a disponibilizar mais pontos para as ATMs, obedecendo uma programação interna e adaptada às metas as Olimpíadas.

Atualmente, o Seven Bank (do grupo 7-Eleven) e o Japan Post Bank (serviço postal do Japão) fornecem a maioria dos caixas eletrônicos “amigos” dos estrangeiros no Japão. Os bancos alegam que o número relativamente pequeno de visitantes estrangeiros não restitui os custos de manutenção das ATMs de padrão internacional. E eles tem uma certa razão. Enquanto o Japão tem como objetivo atingir 20 milhões de visitantes por ano até 2020, a Espanha recebeu três vezes mais do que isso, só em 2013.

(*) Síndrome de Galápagos: A “Síndrome de Galápagos” deriva da própria história japonesa, que oscila entre a retração nacional e a expansão mundial. Alguns indícios domésticos parecem revelar a existência dela, como o caso dos hikikomori, jovens japoneses absolutamente insulados em seus lares, incapazes de manter qualquer contato social. Além das relações pessoais, as decisões profissionais e acadêmicas dos japoneses parecem também indicar a existência da síndrome. Tornou-se notória a maneira como os profissionais do país tendem a recusar cargos e postos no exterior. Ao mesmo tempo, os estudantes japoneses recusam-se em estudar fora. Tanto empresas quanto indivíduos do Japão parecem mesmo seguir a tendência de enclausuramento.
Fonte: IPC Digital

sexta-feira, 8 de maio de 2015

Feliz dia das mães

Minha avó ao centro com filhos e bisnetos

A palavra “pioneira” significa alguém que é o primeiro a abrir caminho, descobridor, desbravador, precursor. Todos esses adjetivos são perfeitamente designados para classificar a minha avó que nos deixou no último dia 24 de abril, quando estava prestes a completar 100 anos de vida.

Seu nome, Hanae Toyota, nascida em 1915 na província de Gifu no Japão. Sua relação com o Brasil começa quando ela completa 15 anos de idade. Com o Japão assolado por uma grande crise financeira devido aos altos gastos com as guerras, milhares de japoneses rumavam para outros países em busca de melhores condições de vida. O Brasil era o país que mais recrutava japoneses para trabalhar nas lavouras de café. Foi aí que minha avó ainda adolescente embarcou rumo ao Brasil junto com seu tio. Esse sempre foi um mistério, pois ela nunca comentava sobre os pais ou irmãos, só se sabe que ela veio para o Brasil com esse tio.

Desembarcando no Brasil, foi trabalhar na região do Vale do Ribeira, e depois de alguns anos casou-se e teve 5 filhos.

Durante o período da 2ª guerra, os japoneses que aqui estavam, passaram por momentos de muita dificuldade, eram perseguidos, discriminados, tratados como inimigos. Como os japoneses são muito nacionalistas, a maioria não aceitava em hipótese alguma a ideia de que o Japão foi derrotado na guerra. Nesse período aconteceu um grande conflito entre os próprios japoneses, quem aceitava a derrota era declarado inimigo e muitos acabam assassinados. Meu avô estava nesse grupo de nacionalistas e acabou sendo preso, torturado e sofrendo nas mãos da policia. Após ser libertado, logo veio a falecer.

 Minha avó ficou viúva muito cedo. A partir daí ela mostra seu lado forte, apesar da aparência frágil. Com filhos para criar, não desanima em momento algum, arregaça as mangas e aflora toda sua força e determinação, conseguindo superar todas as adversidades, como aprender a língua portuguesa, e trabalhar no comércio.

Minha convivência com ela foi muito edificante. Morou conosco por muito tempo, enquanto meus pais trabalhavam, ela cuidada de mim e de meu irmão desde quando éramos pequenos. Ela me ensinou a ter disciplina, respeito, contava as historias de sua infância no Japão e de como chegou no Brasil. Também me levava na Igreja que freqüentava a Igreja Messiânica, onde era um dos membros mais antigos.

Estamos às vésperas do dia das mães, e ficará um vazio muito grande, pois durante todos os anos de minha vida, o dia das mães era um dia em que toda a família se reunia para homenagear minha avó.


Feliz dia das mães