segunda-feira, 15 de dezembro de 2014

Entendendo melhor o processo de envelhecimento


Durante o período em que morei no Japão, uma coisa que me impressionava era a disposição com que pessoas idosas tinham para o trabalho.

No meu trajeto para o trabalho, passávamos por uma área de atividade agrícola, onde havia várias pequenas propriedades onde se cultivava o plantio de hortaliças, legumes e arroz. No meio dos trabalhadores não se via nenhum jovem, somente pessoas com idade bem avançada, homens e mulheres com mais de 80 anos, cultivando a terra, trabalhando duro sob sol forte ou frio intenso, sempre com a mesma disposição e alegria.

Mesmo quem não trabalhava, mantinha-se ativo. Pela manhã os parques encontravam-se cheios de idosos fazendo caminhadas, passeando com seus cachorros ou ainda pedalando com suas bicicletas a lazer ou indo ao supermercado fazer compras.

Uma rotina bem diferente dos idosos brasileiros que ou estão sentados nas praças jogando conversa fora ou estão em casa assistindo televisão ou ainda estão nas filas dos hospitais reclamando de alguma dor pelo corpo.

No ano que vem completo 50 anos, como chegou rápido, até um dia desses estava na flor da idade, aos 30 anos. Olhando-me no espelho e vendo minha imagem, ainda não vejo a imagem de um velho, por sorte da minha genética e de alguns cuidados básicos, ainda devo aparentar uns 10 anos a menos.

Mas não dá para se enganar. Após os 40 anos, vamos percebendo mudanças no nosso corpo, a curva de nossa estrutura biológica cai inevitavelmente depois de atingir seu ápice aos 25 anos, e o nosso corpo começa sua lenta volta para terra.

A boa nova é que As pessoas estão se cuidando mais e mais cedo, os recursos para compensar o processo natural do envelhecimento se multiplicaram por mil, e os exemplos de gente mais velha e ativa aumentaram com uma velocidade espantosa.



O processo do envelhecimento não começa nem aos 40 e nem aos 50. Com 20 anos, você vai à balada, dorme quatro horas e aguenta  o pique no dia seguinte. Já na faixa dos 30, a história é outra. Com 40, então, nem pensar. Três dias de alta madrugada contínuos já são suficientes para matar. Quem é velho, então? Os chineses fazem uma classificação interessante da velhice: os jovens velhos ficam numa faixa bem elástica, dos 45 anos, aproximadamente, até aos 80. A partir disso são considerados velhos maduros.

Então levando-se em conta a escala chinesa , ainda estou na juventude.

Quando me encontrava com uns 35 anos, percebi o primeiro fator do processo de envelhecimento. É quando as pessoas começam a te chamar de “senhor” de “tio”. Nessa faixa de idade, biologicamente seu processo de envelhecimento já começou, e quem te diz primeiro que você envelheceu são as pessoas, não é o espelho.

O envelhecer é também um fenômeno social, e não apenas algo que acontece no seu mundo interno. Se nós pudéssemos envelhecer sozinhos e em paz, sem ninguém te apontar a ruga ou o sobrepeso, seria mais fácil. Mas não é assim.  Em outras palavras, as pessoas podem se dar conta disso antes de você. A saída é aceitar, perceber que algo mudou, mas que nem por isso o mundo acabou.

Atualmente, lutamos desesperadamente para não envelhecer, pois se admira com muita intensidade a ideia de perfeição de um corpo jovem e bonito.  E uma das coisas que nos libertará da corrida frenética rumo ao rejuvenescimento a qualquer custo é nos lembrar que somos mais do que um corpo.

Não devemos ficar obcecados demais com o envelhecimento do corpo e com o desejo de estar sempre jovem, nem relaxado e displicente demais com o próprio envelhecimento. Em quase tudo, o caminho do meio dá certo.
Um texto do filósofo francês Jean Paul Sartre, ilustra bem esse processo de envelhecimento. “Se o envelhecer for centrado na preocupação com o corpo e com as exigências individualistas do ego, as paredes irão se fechar e se estreitar cada vez mais, pois as perdas e limites serão bem mais evidentes. O envelhecimento se transformará num inferno. Mas essa não é claro, a única alternativa. O envelhecer implica uma troca de códigos, valores, referências e metas. É preciso se reinventar completamente, substituir e compensar. Se a ênfase foi colocada na direção do autoconhecimento e da doação, seguindo os passos do espírito, as paredes automaticamente se abrirão, trazendo mais paz interior, amor e oxigênio para sua existência. O envelhecer poderá se tornar, dessa maneira, um delicioso paraíso”.

Fonte: Revista Vida Simples










terça-feira, 9 de dezembro de 2014

São Paulo importa ideia do Japão para ajudar pessoas a atravessar ruas


São Paulo iniciou nesta segunda-feira (8) uma experiência para dar mais segurança e rapidez às pessoas que precisam atravessar avenidas em um dos cruzamentos da cidade. É a faixa de pedestres diagonal, ou em "X".

Pintadas de azul e branco, as faixas que cortam o cruzamento chamaram a atenção, viraram assunto de conversa na velha esquina do Centro e intrigaram alguns.

“Não tô sabendo ainda”, diz um homem.

Aí um ia explicando para o outro a ideia de trocar a travessia em L, feita em duas etapas por uma reta só em diagonal. A estudante gostou, porque não precisa mais correr.

“Toda vez que eu tinha que atravessar pra cá pra pegar o ônibus, tinha que fazer um trajeto um pouco mais complicado e os faróis não tinham sincronia. Então ajuda bastante”, diz Gabriela Branco, estudante de Direito.

A ideia vem do Japão, onde na grande metrópole de Tokyo, milhares de pessoas caminham pelas movimentadas ruas da capital japonesa. Lá a preferência é pelo transporte público, então nos cruzamentos próximos as estações de metrô, ficam muito movimentadas.
 
cruzamento no bairro de Shibuya em Tokyo
 Pedestre que faz a travessia em X ganhou em média cinco segundos

Lá no Japão, onde tem muita gente para pouco espaço as faixas em X ajudam muito e, por isso, resolveram testar aqui.

Os carros que vem em uma das pistas ficam parados três segundos a mais. Em outra pista, dois segundos a mais, mas o pedestre que faz a travessia em X ganhou, em média, cinco segundos para a travessia e é essa mesma a ideia: favorecer quem anda a pé na cidade.

“Que a gente pudesse fazer alguma coisa pelo pedestre sem prejudicar tanto a corrente de trafego e é isso que estamos testando nesse cruzamento”, explica o diretor de Planejamento, Projetos e Educação da CET, Tadeu Leite Duarte.

A vantagem para o pedestre fica ainda maior se ele chega na esquina bem na hora que o bonequinho ficou vermelho. A espera para chegar do outro lado, caiu de 89 para 61 segundos. Mas tem gente que não confia.

Uma das pessoas que atravessaram percebeu que dá tempo de atravessar mesmo no vermelho piscante, mas ele e outros pedestres estão acostumados com o vermelho no fim da caminhada, só que esse sistema é diferente. 

“A pessoa que já está fazendo a travessia, ela tem a segurança de terminar a travessia, porém ele fica piscando para alertar quem está antes não atravessar”, diz a operadora de trânsito Carmen Moreno.

A Companhia de Engenharia de Tráfego informa que a sinalização e o tempo dos semáforos vão melhorar, mas a intensa discussão sobre o trânsito em São Paulo pode estar fazendo efeito. Dessa vez, os motoristas não reclamaram de nada.

Fonte: G1