quinta-feira, 22 de março de 2012

Lixo - Rejeitado aqui, cobiçado lá fora

Se a reciclagem de lixo não deslancha no Brasil, principalmente no Rio de Janeiro, o panorama é bem diferente na Europa, onde há sistemas que funcionam com eficiência há mais de 20 anos. Dados do Gabinete de Estatísticas da União Europeia (Eurostat) mostram que a média de reciclagem de embalagens de papel, plástico, alumínio, vidro, madeira e metal nos 12 países mais populosos do bloco chegou a 60% em 2009 — última parcial divulgada.

A Bélgica lidera o ranking, gerando 1,64 milhão de toneladas dessas embalagens e reciclando 1,29 milhão, um aproveitamento de 79,07%. Holanda (74,86%), Alemanha (73,43%), República Tcheca (68,83%) e Itália (63,97%) completam a lista dos mais eficientes. Na outra ponta, Grécia (43,82%) e Romênia (40,47%) apresentam percentuais mais baixos.

A maior economia do mundo também atinge bons percentuais. Os Estados Unidos recuperaram 46,3% de suas embalagens em 2010, segundo dados da Agência de Proteção Ambiental. O país produz, anualmente, 200 milhões de toneladas de lixo (três vezes mais que o Brasil). As embalagens representam cerca de metade do volume total de resíduos. No Canadá, o retorno das embalagens é semelhante: 47%.

O Japão é um exemplo mundial no campo da reciclagem. Em 2010, 77% dos materiais plásticos foram reciclados. A reutilização de garrafas PET chega a 72% (até 1995, não passava de 3%) e a de latas está em torno de 88%. Com 128 milhões de pessoas e pouco espaço para aterros, principalmente em metrópoles como Tóquio, o país incinera 80% do lixo que produz. Desde a década de 90, vem investindo também em métodos menos poluentes para diminuir a emissão de gases tóxicos que saem das centrais de incineração.

O Japão produz uma grande quantidade de lixo — cerca de 52 milhões de toneladas vindas apenas de domicílios —, mas cada cidade já tem suas leis para a reciclagem. Não basta pensar apenas nos conceitos de incinerável ou não. O processo está num estágio bem mais avançado que isso.

Portugal conseguiu erradicar lixões

Na Europa, a Alemanha foi a pioneira na implantação de um modelo de reaproveitamento de resíduos. Em 1972, foi editada a primeira lei, estabelecendo o monitoramento do lixo. Vinte anos depois, saía a ordenação sobre embalagens, as bases de um sistema chamado "Ponto Verde". O comércio foi obrigado a estimular os consumidores a utilizarem sistemas de recolhimento de embalagens. Os custos são pagos através da indústria e do comércio e transferidos para os preços.
Já Portugal vivia, em 1996, uma situação semelhante à do Estado do Rio: cada município contava com lixões a céu aberto (eram 341 ao todo) e não havia um sistema de coleta seletiva estruturado. Investimentos maciços da União Europeia e do governo português — de 1997 a 2006 foi aplicado 1,6 bilhão de euros — foram decisivos para mudar o panorama. O país erradicou os lixões e cumpre as metas estabelecidas pelo Parlamento Europeu.






O passo a passo da coleta de lixo que ainda engatinha

O carioca que quiser participar da coleta seletiva de lixo precisa de zelo e disciplina. Em primeiro lugar, o caminhão só passa uma vez por semana em cada rua. E só recolhe os recicláveis — plásticos, papéis/papelão, alumínio e vidro — depositados em sacos transparentes, medida que visa a garantir que restos de comida não estão misturados ao material que vai virar insumo para indústrias.

Ao acompanhar a coleta seletiva, observa-se apenas alguns poucos desses sacos dispostos nas ruas de Santa Teresa. Às 8h30m, o caminhão saiu da gerência da Comlurb em Botafogo.

 A viagem segue pelas ruas Monte Alegre, Riachuelo, Almirante Alexandrino e Dr. Júlio Otoni. Às 11h, o caminhão, com cerca de 2 toneladas de recicláveis (um quarto da capacidade) entra na Usina do Caju, para pesar.
— O caminhão está vazio. Na Tijuca, por exemplo, a quantidade de material que a gente pega é bem maior — diz o motorista do caminhão, Marcelo Bonomeddi, de 39 anos.

Depois de 150 minutos e 27 quilômetros, a máquina despeja o material num galpão da Associação Beneficente Padre Navarro, em Benfica. Lá funciona uma cooperativa, com 25 pessoas. Célia Ferreira Godinho, de 54 anos, é uma delas. Ela conta que construiu a casa dos filhos, na Penha, com o dinheiro do trabalho. Todos os dias, chega ao galpão às 7h e só vai embora às 17h. Ela recebe de R$ 400 a R$ 600 por mês.
— Agora estou fazendo um quarto para mim na Mangueira. Só saio daqui no dia que isso acabar — afirma.

Se do lado de fora os termômetros marcavam quase 40 graus, dentro do galpão o calor parecia ainda maior. Alheia ao desconforto causado pelo telhado de amianto, Deise Silva, de 45 anos, moradora do Caju, comentou, um tanto sem jeito, que prefere ser catadora a ficar em casa.
— Tenho dois filhos e um neto para criar. Aqui a gente ganha por produção: quem separa mais, ganha mais — explica. — Não vou ficar em casa recebendo ordem de marido.

Do galpão da Associação Padre Navarro, imóvel que pertence à Marinha, os recicláveis são vendidos a empresas. O quilo de papel vale 70 centavos; o de garrafas PET, R$ 1,60 e o de alumínio, R$ 2,20. O destino final é bem longe dali, em usinas de Minais Gerais, São Paulo e Paraná.

— Já houve fila aqui na porta em busca de emprego. Hoje há mais dificuldade de se conseguir mão de obra. As pessoas estão atrás de melhores oportunidades — afirma o encarregado da cooperativa, José Divaldo de Metos.

Apesar dos poucos avanços, a legislação é severa com os moradores e comerciantes que ignoram a separação do lixo: A lei 3.273/2001 diz que depositar resíduos diferentes daqueles a que se destinam os recipientes de coleta seletiva constitui infração punida com multa inicial de R$ 50. Mas, até hoje, a penalidade nunca foi aplicada a pessoas físicas ou jurídicas.
Fonte: O Globo










quarta-feira, 21 de março de 2012

Ineficientes, usinas de reciclagem de lixo desperdiçam milhões

Usina da Comlurb em Jacarepaguá
Mesmo se toda a população do Rio participasse da cruzada pela reciclagem, a Comlurb não estaria estruturada para tanta demanda. Das três usinas de separação de lixo, que custaram aos cofres públicos R$ 79 milhões, uma foi desativada, outra funciona com um terço de sua capacidade e a terceira opera precariamente.


Inaugurada durante a Rio-92, com pompa e circunstância, a usina de triagem do Caju sempre foi uma dor de cabeça para os gestores ambientais da prefeitura. Segundo a atual administração da Comlurb, o Rio comprou gato por lebre: a tecnologia francesa já estava defasada.

Usina do Caju, uma constante dor de cabeça

A usina do Caju teria dupla função: a de compostagem (processo de transformação da matéria orgânica em fertilizante) e a de separação do material reciclável, para ser devolvido ao setor produtivo. Mas não foi o que aconteceu.

— Compraram em 1992 (no governo do prefeito Marcello Alencar) uma tecnologia totalmente ultrapassada. A usina então não fez nem a compostagem nem a reciclagem da maneira adequada. Tanto que, dois anos depois, fechou as portas. Em 2000, por força de um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) exigido pelo Ministério Público estadual, a usina voltou a funcionar. Só que ela tem capacidade de processar mil toneladas por dia, metade para o orgânico e a outra metade para o reciclável. Hoje processa em torno de 300 toneladas, sendo apenas 10% de material reciclável. Na verdade, a usina não tem uma manutenção constante — diz o gerente da usina do Caju, José Emídio de Araújo Neto, acrescentando que a Comlurb já negocia para que a iniciativa privada assuma a unidade.

Secretário municipal de Obras na gestão de Marcello Alencar entre 1989 e 1992, o atual deputado Luiz Paulo Corrêa da Rocha (PSDB) argumenta que o problema não foi a tecnologia ultrapassada das usinas:

— A tecnologia era francesa e considerada de ponta. O problema foi falta de manutenção ao longo do tempo. Ajustes teriam de ter sido feitos.

A falta de cuidados técnicos indispensáveis à operação da usina do Caju é facilmente observável. Apenas uma das duas unidades de separação funciona. E o lixo domiciliar orgânico é jogado no mesmo fosso do reciclado, não havendo divisão entre eles.

— É claro que seria melhor se houvesse um fosso só para lixo reciclável — disse um funcionário, sem se identificar.
A 31 quilômetros do Caju, a Usina de Jacarepaguá, inaugurada em 1993, mantém galpões vazios, onde deveria haver a separação do lixo. A estrutura chama a atenção pela grandiosidade, em contraste com a falta de atividade. De acordo com a presidente da Comlurb, Angela Fonti, com o surgimento de condomínios de classe média alta no entorno da usina — localizada numa área residencial — houve muitos protestos contra a presença das instalações, levando a empresa a desativá-las.

Na usina de Irajá, em operação desde 1977, sequer há esteiras para a separação do lixo. Nesse quadro, o percentual de 0,27% de reciclagem parece até muito.

Fonte: O Globo

segunda-feira, 19 de março de 2012

O exemplo do Japão: lixo é um problema de cada cidadão

A capital japonesa é uma das cidades mais limpas do mundo, mas nem adianta procurar latas de lixo nas ruas, a não ser em frente às lojas de conveniência. O lixo é um problema de cada cidadão e se desfazer dele adequadamente é lei. O certo, portanto, é levá-lo para casa e separá-lo para a coleta. A divisão dos resíduos varia de uma região para outra e pode englobar mais de dez categorias, de tampinhas a eletrodomésticos (só os pequenos aparelhos, até 30 centímetros, pois os grandes devem ser recolhidos por um serviço especial). É bastante trabalhoso. Mas funciona.

Estação de Tokyo, sempre limpa

O Japão é um exemplo mundial no campo da reciclagem. Em 2010, 77% dos materiais plásticos foram reciclados. A reutilização de garrafas PET chega a 72% (até 1995, não passava de 3%) e a de latas está em torno de 88%. Com 128 milhões de pessoas e pouco espaço para aterros, principalmente em metrópoles como Tóquio, o país incinera 80% do lixo que produz. Desde a década de 90, vem investindo também em métodos menos poluentes para diminuir a emissão de gases tóxicos que saem das centrais de incineração.
O Japão produz uma grande quantidade de lixo — cerca de 52 milhões de toneladas vindas apenas de domicílios —, mas cada cidade já tem suas leis para a reciclagem. Não basta pensar apenas nos conceitos de incinerável ou não. O processo está num estágio bem mais avançado que isso.
— A maneira como você cuida do lixo é fator fundamental na relação com os vizinhos. Os próprios moradores fiscalizam a separação, ficam sempre de olho para ver quem não está fazendo a coisa certa — conta a brasileira Sueli Gushi, que vive na região metropolitana de Tóquio.
A única maneira de aprender é seguindo um manual. O plástico exige maiores cuidados, tendo que ser dividido nas seguintes categorias: tubos; garrafas (mas não as PETS, que devem ser tratadas separadamente); tampas; caixas; sacolas e filmes; recipientes e copos; bandejas e itens que não se encaixarem em nenhuma dessas divisões, como colheres, cabides e pratos. Tudo tem que ser lavado e colocado em sacos transparentes para serem recolhidos uma vez por semana.
Na cidade de Yokohama, a meia hora da capital, os moradores recebem uma lista de instruções com quase 30 páginas. O detalhamento abrange mais de 500 itens. Quando a prefeitura iniciou a campanha, foi criticada pelo radicalismo. Até para se livrar de um batom, o morador precisava consultar o manual: o tubo devia se juntar à pilha de "metais pequenos" (que inclui também frigideiras menores do que 30 centímetros, por exemplo), mas antes o conteúdo que restara tinha que ser retirado e levado para o saco de restos incineráveis, onde também se encaixam bolinhas de pingue-pongue.
Apesar da trabalheira, a população — acostumada às regras rígidas de uma sociedade onde o coletivo está acima do individual — aderiu. Entre 2001 e 2009, o volume de lixo que não pode ser reciclado caiu 42%.
Em Odaiba, um dos bairros mais modernos de Tóquio, com prédios futuristas de cara para a baía, o reaproveitamento do lixo é de 100%. Os detritos não biodegradáveis são enviados diretamente para uma usina de processamento através de uma extensa rede. A energia produzida é utilizada pelos prédios da própria região. Já a parte biodegradável vira fertilizante

sábado, 17 de março de 2012

Rio de Janeiro sofre com os problemas do lixo

Aterro Jardim Gramacho, considerado o maior aterro da América Latina

Cidade que vai sediar a Rio+20, conferência da ONU sobre desenvolvimento sustentável, em junho, recicla apenas 3% de seu lixo (252 toneladas das 8.403 geradas diariamente). A Comlurb (Companhia Municipal de Limpeza Urbana) tem participação mínima nesse percentual já diminuto: só separa 22,68 toneladas, ou 0,27%. Os outros 2,73% ficam a cargo de catadores autônomos ou de cooperativas. Com isso, o Rio — que há 20 anos foi anfitrião do maior encontro sobre meio ambiente da História — joga fora uma oportunidade de se equiparar a metrópoles como Berlim (Alemanha) e Tokyo (Japão), famosas por não desperdiçarem seus recursos naturais. Capitais européias recuperam, em média, 40% de seus resíduos. Infelizmente os cariocas ainda não têm seu lixo reciclado.

Os motivos são muitos, a começar pela incipiente coleta seletiva. Desde a sua implantação, em 2002, o serviço não deslancha. Poucos cariocas têm o privilégio de receber um caminhão de reciclagem da Comlurb em suas portas. Dos 160 bairros da cidade, apenas 41 são atendidos semanalmente, e, mesmo assim, de forma parcial — por falta de investimentos, a coleta só ocorre em algumas ruas. Hoje, ela apresenta um desequilíbrio entre as áreas do Rio. Está mais presente nas zonas Sul (40%) e Oeste (42%) e bem menos na Norte (18%). Segundo a Comlurb, não existe coleta seletiva em favelas, o que exclui da conta um contingente de cerca de um milhão de pessoas.

— A Comlurb nunca promoveu uma campanha para que a população faça a separação de seu lixo — diz Sérgio Besserman, presidente da Câmara Técnica de Desenvolvimento Sustentável do município.

Parceria de R$ 50 milhões

A maior esperança da prefeitura, por enquanto, está relacionada a um projeto que parece incapaz de resolver o problema. Assinado no ano passado, um acordo entre o município e o BNDES prevê a aplicação de R$ 50 milhões para a construção de seis galpões de triagem de materiais recicláveis. Em contrapartida, a prefeitura promete colocar mais 15 caminhões em circulação, expandindo o serviço dos atuais 41 para 120 bairros. Todos esses esforços, se bem-sucedidos, devem ampliar a coleta seletiva em apenas 2%, elevando para 5% o percentual de reciclagem na capital.

Para a presidente da Comlurb, Angela Fonti, a prefeitura precisa atacar as causas que levam aos baixos índices de reciclagem. Ela dá razão a Besserman, admitindo que a Comlurb nunca fez uma campanha de incentivo à coleta seletiva de lixo.

— A primeira causa é a própria falta de uma campanha maciça em prol da reciclagem, algo que faremos com recursos do BNDES. A nossa coleta precisa ser bem mais abrangente também. A maioria das pessoas quer reciclar seu lixo, mas nossos caminhões não passam em boa parte das ruas. E precisamos tornar o mercado legal. Às vezes, moradores de um prédio separam seu lixo e, quando o nosso caminhão passa para pegá-lo, o lixo reciclável já foi roubado. Os atravessadores ilegais precisam ser eliminados — diz Angela. — E há uma co-responsabilidade nessa história. As empresas, por exemplo, como determina a Política Nacional de Resíduos Sólidos, precisam se engajar nesse processo.

Envolvimento este que, na avaliação de Angela Fonti, pode ser reforçado por medidas mais simples:

— Nosso cronograma inclui pegar o lixo orgânico e reciclável dentro das casas e dos prédios. Os galpões vão melhorar as condições de trabalho e dar um fim aos atravessadores, que diminuem o ganho dos catadores.

Hoje, o reaproveitamento do lixo acaba dependendo fundamentalmente da figura do catador. Muitos trabalham em condições precárias, inclusive na Comlurb vários trabalhadores não usam luvas dentro da usina do Caju.

Situações como essa levaram o governo federal a cobrar uma ação concreta dos municípios, exigindo que apresentem, até agosto, uma proposta de adequação à lei 12.305, que instituiu a Política Nacional de Resíduos Sólidos, aprovada em agosto de 2010. A cidade que não se enquadrar deixará de receber investimentos da União.

— À semelhança de São Paulo e Brasília, o Rio precisa dar uma resposta à questão da reciclagem, porque ela terá um grande poder multiplicador no país. No caso do Rio, essa necessidade aumenta por causa dos grandes eventos que vêm por aí: a Rio+20, a Copa do Mundo e as Olimpíadas. A prefeitura tem até agosto para estabelecer metas concretas de reciclagem — afirma Nabil Bonduki, secretário de Recursos Hídricos e Ambiente Urbano do Ministério do Meio Ambiente.

O prefeito Eduardo Paes concorda que o Rio tem de dar o exemplo, mas admite que o caminho é longo:

— Tivemos que sair do abaixo de zero na questão dos resíduos. Antes, tínhamos um aterro (de Gramacho) que poluía a Baía de Guanabara. Inauguramos o de Seropédica e implementamos outras ações importantes, como o decreto que exige reaproveitamento dos resíduos de todas as obras. Só agora poderemos começar a cobrar uma postura mais participativa dos cidadãos.

O envolvimento da população europeia com o tema inspirou a nova legislação nacional de resíduos. A lei determina que os municípios brasileiros joguem em aterros somente o lixo orgânico, ou seja, não reciclável. A meta deve ser atingida até 2014. O engenheiro químico José Carlos Pinto, professor da Coppe/UFRJ, diz que a lei 12.305 traz avanços em termos de conscientização. Mas defende que é preciso ir além:
— O Rio, por exemplo, é um dos grandes produtores de plástico do país. Mas as empresas daqui, ao contrário do que ocorre na Europa, não se responsabilizam pelo destino final desse material.

Para ele, sem um compromisso das empresas, é impossível fazer uma reciclagem à altura dos atuais desafios de sustentabilidade.

— Hoje, esse mercado existe por iniciativas individuais, em que o serviço do catador é feito longe das condições ideais. Mercado cuja base é sustentada por uma relação de trabalho ligada à exploração — diz José Carlos. — Em países como Japão, Canadá e Alemanha, existe a figura do catador, mas a logística da coleta é tão melhor, que o catador, com boas condições de trabalho, tem um peso muito menor na cadeia. Sem as grandes empresas envolvidas nesse processo, não há como implementar um sistema eficiente.

‘O caminhão desapareceu’

A falta de eficiência, na avaliação do chefe da Diretoria Técnica e Industrial da Comlurb, José Henrique Penido, é explicada pela ausência de investimentos maciços dos três níveis de governo.

— Em 1994, chegamos a ter 20 cooperativas de catadores nos bairros. Não restou nenhuma. Reciclagem só dá algum dinheiro para catador de rua. E ferro-velho só sobrevive porque tem gato de água e de luz. O preço do produto reciclado acaba saindo mais caro do que a matéria prima virgem. Sem pesados subsídios do governo, o sistema não vai funcionar — afirma Penido. — Não há mágica. A Alemanha gasta cinco bilhões de euros por ano para implementar um sistema eficiente. O povo alemão está muito satisfeito. E quanto ao Brasil? O país está disposto a investir?

A advogada Leonor Amaral não percebe esta disposição por parte do poder público. Ela lembra que a Comlurb chegou a fazer um “excelente serviço” de coleta seletiva em sua rua, na Praça Seca, em Jacarepaguá:

— Há quatro anos, o caminhão chegava à nossa rua, e os vizinhos, ao verem esse serviço, também se animaram. Começou a faltar e passou a vir só de vez em quando, até desaparecer por completo em dezembro do ano passado. Liguei para a Comlurb, e me informaram que estavam à espera de recursos para reimplantar o serviço em algumas ruas e expandi-lo. Mas o próprio funcionário da ouvidoria me disse que a coleta seletiva é o patinho feio.


Fonte: O Globo

Japão ainda sofre impacto de acidente nuclear

Um ano após o acidente nuclear em Fukushima, no Japão, o país ainda sofre os impactos econômicos e ambientais causados pelo desastre, e autoridades buscam respostas estratégicas para prevenir ocorrências semelhantes. Representantes do Centro de Cooperação Internacional do Fórum Atômico Industrial do Japão (Jaif-ICC) e da Associação de Pesquisa em Segurança Nuclear (Nsra) estiveram no Rio de Janeiro hoje para falar sobre as mudanças ocorridas no país após o desastre.
                                                                                                                             
Uma delas foi a criação de uma lei especial de biodiversidade estabelecendo as diretrizes básicas para descontaminação em caso de emergências nucleares. Em vigor no país desde o início do ano, o documento determina os procedimentos para medição do índice de radioatividade das áreas contaminadas e as condutas de coleta, transporte e armazenamento do solo recuperado.



Apesar das atividades de descontaminação realizadas pelo governo japonês, há áreas que ainda apresentam índices elevados de radiação. "A região localizada dentro de um raio de 5 km da usina em Fukushima foi gravemente contaminada, e será difícil restabelecer as condições naturais anteriores ao acidente", disse Yutaka Kawakami, consultor da Nsra.

Além dos impactos ambientais, o Japão sofre as consequências econômicas com a queda na produção de energia. Após a interrupção das atividades nas usinas nucleares, as concessionárias japonesas gastaram US$ 11 bilhões em 2011 na compra de combustíveis fósseis para suprir o abastecimento no país - valor 65% superior ao gasto no ano anterior. Em consequência, as tarifas ao consumidor aumentaram em média 20%. Atualmente, apenas duas das 54 usinas nucleares existentes no Japão operam normalmente.

Tokyo sofre com o racionamento de energia

Mesmo com o aumento da tarifa, a população japonesa continua contrária à retomada da produção de energia nuclear. Se, antes do desastre, cerca de 65% da população era favorável à energia nuclear, pesquisas recentes mostram que mais de 70% da população se tornou contrária à produção desse tipo de energia. "As discussões relacionadas à energia nuclear são significativamente afetadas pela opinião pública", ressaltou o representante da Jaif-ICC, Akira Nagano.

Fonte:G1

terça-feira, 13 de março de 2012

Soluções para o Trânsito em São Paulo

Diariamente ao acessar as redes sociais, observo pessoas postando as seguintes mensagens: - estou preso no trânsito. – está tudo parado por aqui. – estou a mais de uma hora parado no trânsito.


Essas manifestações são diárias e constantes, mas faço aqui uma pergunta: além de postar sua indignação nas redes sociais, o que essas pessoas estão fazendo para mudar essa situação?
A responsabilidade não é única e exclusiva do Poder Público, todos devem colaborar para a melhoria do trânsito, pois a frota de veículos aumenta a cada dia e os problemas no trânsito só tendem a piorar.

Dados do Detran-SP, dão conta de que em 2011 a frota de veículos em São Paulo ultrapassou os 7 milhões de veículos. Os automóveis representam 73%, os motociclistas 12%, ônibus 10% e veículos de carga 5% da frota paulista. Somente a capital paulista representa 32% da frota de todo Estado. Todos esses números explicam os constantes congestionamentos que frequentemente atingem acima dos 100 Km de lentidão.
A cidade de Tokyo, capital do Japão, possui uma população de aproximadamente 15 milhões de habitantes em uma área bem inferior a São Paulo, e 80% dos habitantes utilizam o transporte público diariamente. Já imaginaram o caos que seria o trânsito com mais de 10 milhões de veículos circulando nas ruas de Tokyo? Por isso o Governo japonês investe pesado em transporte público, criando novas linhas de trem e metrô, modernizando a frota de ônibus, tornando-os mais acessíveis às pessoas com mobilidade reduzida, oferecendo um serviço eficiente e de qualidade.

O Governo de São Paulo tem feito vários investimentos no transporte, principalmente na ampliação das linhas de metrô e na modernização das estações de trens urbanos. Apesar dos investimentos para melhoria, os serviços prestados ainda deixam muito a desejar em qualidade e eficiência, não conseguindo fazer com que os motoristas migrem para o transporte coletivo.
Teoricamente, resolver o problema do trânsito é simples, basta oferecer um transporte público, eficiente e de qualidade para que os motoristas passem a utilizar os meios de transporte coletivo, desafogando assim as principais vias da cidade. Mas sabemos que o problema é bem mais complexo, envolvendo questões sociais, pois o transporte público no Brasil é de baixa qualidade, e grande parte da população acredita que se destinam as camadas mais baixas da população.

O que podemos fazer em vez de reclamar do trânsito é buscar opções de mobilidade urbana, tais como: em trajetos mais curtos use a bicicleta ou vá caminhando, reúna os colegas de trabalho e faça uso da carona solidária, e experiente o transporte público, você vai ver que não é tão ruim assim. Deixe de lado os preconceitos, e use o ônibus ou o metrô, você vai fazer novas amizades, conhecer as dificuldades do dia a dia do trabalhador, e juntos reivindicar  melhorias para os usuários.
Então, que tal deixar seu carro na garagem e optar por outra forma de se deslocar para o trabalho! Use seu carro no final de semana para passear com a família, fazer compras e admirar melhor tudo o que sua cidade oferece, sem pressa e sem o stress que predomina durante a semana.

Comparativo entre a internet do Brasil e do Japão

Após passar um bom tempo pesquisando sobre aquele CD raríssimo da sua banda preferida, finalmente após encontrá-lo você clica no link e percebe o tempo necessário para o download terminar... é de perder a vontade, né? Se você estivesse no Japão, antes mesmo de você ver o tempo restante para o download terminar, o álbum já teria sido baixado por completo em sua máquina.

Japoneses experimentam internet ultra rapida em feira de informática

Pois é... e se você acha os CDs são um exemplo pequeno, saiba que lá as coisas funcionam assim também com vídeos em alta definição. Mas ao contrário de nós, que temos que fazer download desses filmes, eles o assistem por streamming, ou seja, sem nem sequer precisar baixá-lo para o computador. Por isso decidimos comparar a Internet do Japão com a do Brasil e descobrimos que as diferenças vão muito além da velocidade. Acompanhe!

Sua internet possui 1Gbps?

Não sabe ainda o que é um Gbps? Fique tranquilo pois ninguém aqui no Brasil conhece também (ao menos na prática). Os “bps” (de 'bits por segundo') indicam a velocidade com que a sua conexão é capaz de trafegar dados. Um usuário de conexão discada pelo telefone, por exemplo, possui uma conexão de 56Kbps - isso quer dizer que ele será capaz de trafegar 56 kilobits por segundo.

No Brasil, a velocidade das conexões varia muito, já que o público é igualmente diverso. Ainda existem usuários que utilizam a conexão de 56 kpbs discada, mas também há alguns usuários mais avançados com conexões de até 10 Mbps - tida aqui, até então, como de altíssima velocidade.

Já na terra do sol nascente...

Pasmem, mas as conexões dos nossos amigos do outro lado do mundo podem atingir até 1 Gpbs. Os jogos que você baixa na internet e demoram cerca de duas horas para terminar, lá demoram apenas meio minuto!

As conexões japonesas atingem estes números graças a sua rede de internet via fibra ótica, que garante uma melhor velocidade na conexão - tanto para download quanto para o upload -, be, como mais estabilidade no sinal.

Quanto você paga pela sua internet?

Os serviços de internet no Brasil geralmente ofertam conexões de 1 à 8 Mpbs de velocidade, que convenhamos, são inexpressivos se compararmos com o Japão, que pode ter conexões quase mil vezes mais rápidas. Mas será que essa diferença de velocidade também se aplica ao preço?

O preço médio por conexão de internet aqui no Brasil varia entre R$ 40 e R$100,00 por mês. Se as conexões japonesas são até mil vezes mais rápidas que as brasileiras, então devem custar em média R$70.000 mensais, não? Errado! Uma conexão de fibra ótica no Japão custa, em média, R$100 por mês (sim, o valor já está em reais).

Se seguirmos a lógica dos três zeros de diferença, verificamos que, comparando com os R$ 100 pagos pelos japoneses, deveríamos pagar apenas 10 centavos por mês pela nossa conexão com a internet. Só que aqui não é Japão...

Mas imagine: com o mesmo preço pago aqui no Brasil, os japoneses possuem conexões com velocidades muito superiores às nossas. Então em quantos segundos um programa da Globo Vídeos deve ser carregado no Japão? Em quantos minutos um DVD pode ser baixado no Japão? Em quantas horas todo o backup da sua empresa pode ser copiado no Japão?

Sobre as perguntas, as horas com certeza levarão minutos, os minutos levarão segundos, e os segundos não levarão nem isso.
Para os saudosistas de plantão, reflitam um pouco sobre como era a conexão de internet no Brasil há 10 ou 15 anos, e os grandes avanços que ela sofreu até hoje, tanto em qualidade quanto em velocidade.

Com base nisso, até podemos demorar, mas sabemos que algum dia uma velocidade dessas será possível em nossas casas, e que com certeza algum dia teremos velocidades próximas. Só talvez nunca maior que a do Japão.

Fonte: Techtudo


segunda-feira, 12 de março de 2012

Gomennasai - a cultura da desculpa no Japão

Toda vez que explode um escândalo envolvendo políticos ou grandes empresas no Japão, pode-se ter certeza que, em poucos dias, a mídia do país vai estar saturada de imagens de burocratas ou executivos curvados pedindo desculpas formal e publicamente.


O gesto não é um padrão estipulado pela lei. Mais forte do que isso, a cultura do “gomennasai” (peço desculpas) é um ritual necessário em diversos momentos na vida do japonês, seja o motivo grave ou não.
De irresponsabilidades que resultam em mortes até o simples fato de se esbarrar em alguém na rua, pedir ou não perdão - por mais absurdo que possa parecer - faz a maior diferença, segundo as tradições nipônicas. Seguindo a formalidade a risca, e dependendo da enrascada em que a pessoa se encontra, um simples acenar com a cabeça e um “gomennasai” sussurrado bastam.

Em casos mais radicais, o culpado faz o “doguezá” (ajoelhar-se com a testa quase encostada no chão) acompanhado de um “moushiwake arimasendeshita” em alto e bom som (algo como ’sou culpado e não tenho nada a declarar a meu favor’). Não tão extremo e trágico se comparado aos rituais feudais, em que as pessoas tiravam a própria vida como pedido de desculpa ao Shogun.
Uma história famosa que ilustra a honrosa retratação é a do general Akashi Gidayu, que cometeu o “seppuku”, ritual que consiste em cortar a própria barriga com uma espada, em 1582, após sua tropa ser derrotada em batalha.

Para se ter ideia da dimensão que a cultura da desculpa pode tomar, governadores, ministros e até mesmo imperadores na história do Japão já fizeram seus pedidos formais de desculpas para reatar relações diplomáticas. Recentemente, o atual Imperador Akihito retratou-se com o presidente da Coréia do Sul pela ocupação japonesa na Coréia entre 1910 e 1945.
Por conta desse peculiar costume, empresas estrangeiras que se instalam no Japão muitas vezes cometem o erro de ignorá-la, pagando um preço caro por isso. O caso da Schindler, fabricante suíça de elevadores, é emblemático desse fenômeno. Após um acidente em um de seus aparelhos em junho de 2006, que resultou na morte de um adolescente de 16 anos, a empresa se limitou a colocar uma mensagem de condolências em seu site, seguindo suas normas padrões.

A resposta da opinião pública foi furiosa, especialmente pelo fato da empresa não ter se desculpado devidamente. O oficial sênior da Schindler, Roland Hess, não escondeu o seu assombro. “A reação foi muito maior do que estamos acostumados em outros países”, informou ele.
 Na lógica ocidental da empresa, ela só deveria pedir desculpas caso as investigações determinassem que a culpa foi de fato da companhia, ou da empresa japonesa que cuidava da manutenção dos elevadores.

“No Japão você pode muitas vezes ser perdoado se pedir desculpas rapidamente”, disse o consultor de controle de crise Tatsumi Tanaka. “Multinacionais estrangeiras costumam ter como política imposta por sua matriz não admitir culpa a qualquer custo”. Dessa forma, advogados corporativos do ocidente desaconselham seus clientes a se desculpar, pois o pedido de perdão seria também uma confissão de culpa.
Já a tradição nipônica exige o contrário. Por exemplo, a imprensa do arquipélago demonstra particular interesse se réus de crimes violentos mostram arrependimento frente à sociedade e família da vítima e é comum juízes levarem tais declarações em conta ao emitirem sua sentença.

Para o japonês, o pedido de desculpas é visto muito mais como uma forma de submissão à sociedade do que uma declaração de culpa propriamente. É um gesto de humildade, que mostra a insignificância e submissão do indivíduo frente uma sociedade maior - e mais importante do que ele.


Refugiados de Fukushima com futuro ainda incerto

Um ano depois de serem obrigados a abandonar suas residências após a catástrofe nuclear de Fukushima, dezenas de milhares de refugiados ainda enfrentam um futuro de incerteza, sem saber quando ou se poderão retornar para casa.
Alguns que fugiram das nuvens radioativas expelidas pelos reatores após a passagem do tsunami de 11 de março de 2011 podem ser autorizados a retornar dentro de alguns anos, quando as localidades forem descontaminadas.

Mas outros correm o risco de esperar décadas, porque algumas cidades se tornaram muito perigosas e inabitáveis.
Doze meses depois do desastre, poucos refugiados receberam as indenizações esperadas da empresa Tokyo Electric Power (Tepco), que administra a central Fukushima Daiichi.
Confrontadas com o poder deste grande grupo empresarial, as vítimas se consideram "formigas atacando um elefante".
"Continuamos vivos. Ainda não estamos mortos", afirma um arrozeiro de 70 anos, cujos cultivos ficavam a apenas quatro quilômetros da central.
"Alguns dizem que poderemos retornar dentro de 30 a 40 anos, mas como vamos viver até lá?", se pergunta o idoso, que preferiu não revelar a identidade.
Quase dois milhões de pessoas deveriam receber indenizações da Tepco, entre elas os refugiados expulsos de uma área de 20 km ao redor da central acidentada.
Os advogados das vítimas acusam a Tepco de avaliação abaixo do correto no momento de compensar os bens - terrenos e residências - agora invendáveis dentro da zona de exclusão.
Além da devolução dos gastos ocasionados pela saída forçada, a operadora oferece um subsídio por "sofrimentos mentais" de 120.000 ienes mensais (1.200 euros), mas exige que os beneficiários renovem a demanda a cada três meses por meio de um processo longo e complexo.
Tsutomu Aoki, um dos advogados que ajudam os refugiados de Futaba, aglomeração onde foi construída a central, critica a lentidão dos pagamentos.
"As pessoas retiradas precisam de dinheiro para viver. O problema delas é saber durante quanto tempo receberão este dinheiro. A Tepco não tem demonstrado nenhuma consideração por suas condições de vida".
Para as 1,5 milhão de pessoas fora da zona de exclusão que viram suas terras agrícolas contaminadas e seus estabelecimentos comerciais fechados, a operadora oferece uma indenização de 400.000 ienes (4.000 euros) para as mulheres grávidas e as crianças, valor ao qual são adicionados 200.000 ienes (2.000 euros) para os que fugiram voluntariamente, e apenas 80.000 ienes (800 euros) para todos os demais.
O pagamento único supostamente cobre o período que ia da catástrofe até 31 de dezembro de 2011.
A empresa não previu nada para depois, mas exige que aqueles que aceitam as quantias se comprometam a não exigir mais compensações por este período.
O advogado Izutaro Managi considera injusto que a Tepco tente encerrar estes casos, quando os efeitos das radiações podem durar anos.
"O acidente não está concluído e as vítimas ainda não avaliam com clareza os danos sofridos", explica.
Uma porta-voz da Tepco informou que o grupo tenta solucionar os casos pendentes e elevou o número de pessoas sob tratamento de 3.000 a 10.000.
Para o agricultor Mamoru Narita, que vive em Koriyama, 60 km ao oeste da central, os 80.000 ienes a que tem direito representam uma parte ínfima do que considera ter perdido na catástrofe.
"Cultivava arroz sem adubos nem pesticidas para garantir uma segurança alimentar e proteger o meio ambiente", recorda Narita, de 61 anos.
"Todo o entorno está contaminado hoje e não recebemos esta quantia? Nós, agricultores, temos que ficar de braços cruzados?"
Mia Isogai, 31 anos, que fugiu com o marido e o filho de dois anos para a cidade de Yokohama, afirma que a família está à beira da falência.
"Comemos com meu salário de tempo parcial, mas não podemos pagar o aluguel", conta, antes de explicar que ainda não encontrou trabalho.
A família deve receber um total de 760.000 ienes da Tepco, o equivalente a três meses de salário médio no Japão.
"O proprietário do imóvel disse que não pediria até o verão, mas depois não sei o que faremos", conclui.

Fonte:NHK World

quarta-feira, 7 de março de 2012

Reflexos da catástrofe no Japão

Neste dia 11 de março, completa um ano  do grande terremoto seguido de tsunami que devastou a região norte do Japão, que por consequência atingiu a usina nuclear de Fukushima, ocasionando a explosão dos reatores contaminando toda a região.

O Japão é um dos países que mais se investe em treinamento contra desastres naturais. São realizados palestras e treinamento em escolas, indústrias, condomínios residenciais e vários programas especiais na televisão.
treinamento para terremotos nas escolas

Mas tudo isso de nada adiantou frente à força da natureza, que veio de forma devastadora, pegando a população de surpresa, deixando todos inertes e sem reação.

As consequências da catástrofe foram gigantescas, milhares de mortos e desabrigados, cidades inteiras destruídas, e agora passado um ano lutam pra a reconstrução, mas contam com muitas dificuldades, principalmente a falta de mão-de-obra, pois com o acidente na usina nuclear e a consequente contaminação radioativa, milhares de moradores migraram para outras regiões, e quem permaneceu sofre com a falta de estrutura e pouca informação por parte do governo em relação à segurança e o perigo de uma contaminação radioativa se perpetuar. Atualmente o governo afirma que os níveis de radioatividade estão dentro dos limites aceitáveis, mas existe muita desconfiança por parte da população.

A tripla tragédia, segundo dados da polícia japonesa, deixou um saldo de 15.853 pessoas mortas - maior perda de vida num desastre no Japão desde a Segunda Guerra Mundial. Outras 3.283 pessoas foram dadas como desaparecidas.

A policia vem desempenhando papel nunca antes imaginado como, fazer a medição da radiação nos arredores da usina e também vigiar todo o complexo nuclear para evitar ataques dos “terroristas nucleares” como são chamados os  ativistas contrários a instalação das usinas nucleares.
O desastre em Fukushima colocou em xeque o processo de recuperação da imagem da energia nuclear como uma fonte segura e confiável. Esse fato gerou sérias dúvidas sobre a consistência da politica energética de vários países que contavam com essa fonte para fazer face ao atual contexto energético e o crescente desequilíbrio entre a oferta e a demanda de energia e de crescente restrição ambiental ao uso dos combustíveis fósseis.


O impacto desse acidente sobre a opinião pública foi muito desfavorável à expansão dessa fonte de energia despertando respostas politicas que apontaram na direção da reavaliação dos planos de construção de novas usinas ao redor do mundo, buscando novas alternativas de fonte de energia renováveis, cujos riscos econômico, industrial e tecnológico são manejáveis tanto pela burocracia quanto pelas empresas do setor.




Vítimas do tsunami têm dificuldade para retomar vida normal no Japão

Quem chega a uma das cidades destruídas pelo tsunami que devastou o Japão no ano passado percebe uma aparente normalidade, embora as marcas do desastre, que deixou mais de 15 mil mortos, ainda estejam lá.
o duro trabalho de reconstrução

Quando um morador é abordado, o olhar distante e a fala embargada denunciam que um ano foi pouco tempo para que estas vítimas pudessem esquecer uma das maiores tragédias naturais já vividas pelo país.
Segundo uma pesquisa feita pelo jornal Nikkei, cerca de 60% dos 37 prefeitos de cidades e vilas japonesas ouvidos disseram que a retomada das atividades normais ainda é muito lenta.

Keiko Katayama, de 67 anos, afirma que a família não consegue levar uma vida normal.
'Meus netos choram por qualquer motivo e morrem de medo de chegar perto do mar, meu filho não consegue trabalho, gastamos grande parte das nossas poupanças e não sabemos o que será do futuro', desabafou.

Pouca oferta de trabalho, problemas de moradia e dificuldade para frequentar escolas - as crianças foram obrigadas a ir estudar em cidades ou bairros distantes - são os principais problemas enfrentados pela população.
A questão da reconstrução das casas é um dos assuntos que geram discussões nas reuniões com as autoridades.

Até agora, em muitas vilas, não sabe se será possível reconstruir as residências nas áreas próximas ao mar.
Por isto, muitos resolveram se mudar para outras regiões e as autoridades temem que, com o tempo, as cidades percam ainda mais moradores.

A enquete encomendada pelo Nikkei levantou que as 37 localidades pesquisadas perderam cerca de 50 mil pessoas, entre os mortos e os que se mudaram.
Antes da tragédia, a população total destas cidades e vilas era de 2,48 milhões de pessoas.

Falta trabalho

O tosador de cães Nobuchika Kimura, de Iwaki (província de Fukushima), é um dos que pensou em levar a esposa e duas filhas adolescentes para outra província e recomeçar a vida.
Além de perder muitos amigos, vítimas da onda gigante, ele viu também seu negócio praticamente acabar.

'Mas consegui um bico num restaurante, único tipo de comércio que não foi afetado por aqui', conta Kimura.
Kimura calcula um prejuízo de cerca de R$ 20 mil reais no seu rendimento anual. 'E ainda vai levar um tempo para as coisas se normalizarem', admitiu o japonês, que foi obrigado a buscar clientes em cidades vizinhas.

Outra pesquisa, feita pelo jornal Yomiuri, mostrou que de 27.149 pequenos e médios empreendimentos localizados nas províncias de Miyagi, Iwate e Fukushima, 22% (5.947) fecharam temporariamente ou permanentemente suas portas.
Os setores de pesca e agricultura foram os mais afetados e muitos empresários ainda não sabem quando vão poder retomar as atividades.

O próximo domingo (11), marca um ano do terremoto seguido de um tsunami e de uma crise nuclear que devastaram parte do país.
A tripla tragédia, segundo dados da polícia japonesa, deixou um saldo de 15.853 pessoas mortas - maior perda de vida num desastre no Japão desde a Segunda Guerra Mundial. Outras 3.283 pessoas foram dadas como desaparecidas.

 Fonte: BBC Brasil

segunda-feira, 5 de março de 2012

São Paulo busca ajuda no Japão para combater desperdício de água tratada

No Brasil, quatro em cada dez litros de água potável que saem das companhias de abastecimento são perdidos antes de chegar às moradias. Para combater o desperdício, São Paulo foi buscar ajuda do outro lado do mundo.


A água retirada dos reservatórios ainda é suficiente para abastecer os 20 milhões de habitantes da Grande São Paulo. E no futuro? A cada ano são 200 mil novos consumidores. Uma pressão e tanto, agravada por um problema antigo: as perdas na distribuição.
No percurso até as casas na Região Metropolitana, um quarto da água fica pelo caminho. A média brasileira é mais alarmante: quase 40% da água que se produz são perdidos. Na Europa, as perdas são de, no máximo, 15%.

Em uma rua, onde a água só chega à torneira à noite, ela corre solta no asfalto. O buraco foi causado durante a instalação de um poste de luz. “Esse é um dos milhares que devem ter nessa cidade”, comenta um senhor.
Mas os maiores vilões ainda são os gatos, as ligações clandestinas, e principalmente a falta de manutenção da rede.

O Brasil foi procurar ajuda ao Japão, onde o desperdício não passa de 3%, e também reutiliza cerca de 80% da água destinada à indústria. “Nós estamos aprendendo com os japoneses como identificar vazamentos que não são visíveis no nível do solo”, afirma a presidente da Companhia de Saneamento Básico de São Paulo (Sabesp), Dilma Pena.
Os vazamentos não são visíveis, mas a máquina japonesa percebe. O serviço tem que ser feito de madrugada, porque, nesse horário, o consumo da água pela população é mínimo, e, se durante a medição o computador detecta um aumento brusco no consumo, ele dá o sinal de alerta para um provável risco de vazamento.

Se houver indícios, outro aparelho identifica o barulho emitido pela água e aponta onde está o vazamento. “Quando não existe perda, não existe som nenhum”, diz o técnico.
É um trabalho caro e demorado. A meta é reduzir para 15% as perdas até 2020, a um custo de R$ 1,2 bilhão. O consumidor sabe que ela é essencial e vai cobrar os resultados.

“A água é muito importante para ser desperdiçada”, e o Japão reconhece isso há muito tempo. A população é consciente disso, e colabora com a economia e controle do desperdício, e a qualquer alteração no consumo médio em sua residência, a companhia de água é informada para averiguar se existe algum vazamento.