quinta-feira, 19 de dezembro de 2013

Países do Sudeste Asiático buscam crescimento econômico


Neste mês de dezembro, foi realizado o encontro de cúpula entre o Japão e os países membros da Asean.

A Associação de Nações do Sudeste Asiático (Asean) é uma organização regional de Estados do Sudeste Asiático que engloba 12 nações.

Os principais objetivos da Asean são acelerar o crescimento econômico e fomentar a paz e a estabilidade regionais. Nos anos recentes, a Asean estabeleceu seus laços políticos ao mundo ocidental e aos demais países asiáticos não-membros; estabeleceu um fórum conjunto com o Japão, uma das maiores potências do continente, e um acordo de cooperação com a União Européia.


A relação de cooperação entre o Japão e a Asean começou em novembro de 1973, com o estabelecimento de um fórum entre o Japão e a Asean sobre a borracha sintética. A Asean foi fundada em 1967. No início da década de 1970, três países membros da associação - Malásia, Indonésia e Tailândia - eram os maiores produtores e exportadores de borracha natural. Contudo, o setor da borracha nesses países começou a ser prejudicado pelo rápido aumento nas exportações de borracha sintética fabricada no Japão. Por essa razão os países membros da Asean pediram conjuntamente ao Japão que restringisse sua produção e exportação de borracha sintética. Foi assim que começou a parceria de cooperação entre o Japão e a Asean.



Outra questão importante durante as conversações será a Comunidade Econômica da Asean, ou AEC nas iniciais em inglês, que os países membros da associação estão tentando criar até o fim de 2015. Seis países membros, a saber, Indonésia, Malásia, Filipinas, Cingapura, Tailândia e Brunei, já tinham abolido quase todas as tarifas entre si em 2010. Em 2015, o Camboja, o Laos, Mianmar e o Vietnã também deverão remover as tarifas sobre a maioria de seus produtos.

Tal medida criaria uma região de livre-comércio com uma população total de 600 milhões de pessoas. Cada país membro tem interesses diferentes, mas eles precisam deixar suas diferenças de lado e unir-se para conseguir ter mais poder de negociação.

Durante a próxima reunião de cúpula entre o Japão e a Asean, os líderes devem assinar acordos para obter mais assistência do Japão no desenvolvimento da infraestrutura e no treinamento de funcionários de países da Asean como uma maneira de ajudar esses países a diminuírem suas discrepâncias e fortalecerem seus laços mútuos. Essa cooperação seria essencial para que ambos os lados levem vantagem nas negociações.

sexta-feira, 13 de dezembro de 2013

Zâmbia tem estratégia avançada de combate ao HIV


A décima sétima Conferência Internacional sobre Aids e Doenças Sexualmente Transmissíveis na África, de sigla Icasa em inglês, foi realizada na África do Sul na primeira semana de dezembro. Líderes mundiais e pesquisadores vão se reunir para discutir formas de combate ao HIV e à Aids. Estima-se que o número de pessoas infectadas com o HIV em todo o mundo seja de mais de 35 milhões, das quais 70% estariam concentradas na África.

Na República da Zâmbia, localizada no sul do continente africano, a prevalência nacional do HIV passava de 15% da população em 2002, resultando em queda na expectativa média de vida para pouco mais de 30 anos. Depois de uma década desde a implantação de programas para eliminar a epidemia, a expectativa de vida se recuperou e já é de 50 anos. O Japão também tem prestado ajuda a Zâmbia por meio do envio de especialistas da Jica, a Agência de Cooperação Internacional do Japão, que desenvolveram um plano estratégico nacional para diminuir o número de infectados pelo HIV.


O primeiro e principal assunto com o qual o governo decidiu lidar é a educação da população em relação a meios de se prevenir a contração do HIV. Além disso, o governo também introduziu tratamento para aqueles que já são soropositivos. Inicialmente, era uma estratégia de divisão de custos, de acordo com a qual os pacientes precisavam arcar de maneira parcial com o seu tratamento. Acabou sendo provado, no entanto, que isso era um impedimento. Assim, o tratamento antiretroviral, ou ART em inglês, tornou-se gratuito para qualquer cidadão do país que precisasse do tratamento. 

Apesar de o número de pacientes com Aids ter diminuído durante o programa, as autoridades da Zâmbia perceberam rapidamente que as pessoas que viviam em áreas remotas não estavam sendo tratadas devido à falta de acesso. Desse modo, o governo elaborou uma estratégia para levar tratamento para os residentes de áreas remotas, envolvendo a criação de locais conhecidos como serviços móveis contra o HIV.

As instalações que oferecem serviços em áreas rurais são conhecidas como "locais móveis", ao passo que hospitais que dão apoio a essas instalações recebem o nome de "locais estáticos". A Zâmbia possui mais de 100 locais móveis e aproximadamente 50 locais estáticos. Equipes médicas dos locais estáticos visitam os locais móveis uma vez a cada duas semanas para prestar auxílio e entregar medicamentos e recursos adicionais. Esse programa de tratamento antiretroviral provou ser muito eficaz, alcançando mais de 90% das pessoas com necessidade de tratamento.

Estima-se que 100 mil crianças sejam portadoras do HIV na Zâmbia, mas somente 35 mil recebem tratamento. Por meio da combinação de várias estratégias, o governo espera reduzir não apenas o número de crianças infectadas, mas também o número total de pacientes soropositivos no país.

quarta-feira, 11 de dezembro de 2013

Empresa usa tecnologia para produzir um substituto vegetal para o ovo


O ovo de galinha é um dos alimentos mais perfeitos do mundo. Ovos são baratos, abundantes e fontes deliciosas de proteína. Eles também são extremamente flexíveis, capazes de desempenhar até 22 funções culinárias diferentes numa enorme variedade de alimentos.
Em bolos, os ovos prendem os gases da massa, criando uma textura leve e arejada. Em maioneses, as gemas estabilizam uma emulsão de óleo e ácido. Em bolos de carne, eles ligam ingredientes díspares. Em pudins, eles engrossam líquidos para formar um gel.
Há apenas um problema com os ovos. De acordo com Josh Tetrick, fundador de uma novata de tecnologia de alimentos em San Francisco chamada Hampton Creek Foods, eles são extremamente ineficientes.
A produção de ovos é o segmento de crescimento mais rápido da agricultura intensiva já que sua demanda explodiu em economias emergentes. Tetrick lembra que 1,8 trilhão de ovos é produzido a cada ano no mundo, e a ração – feita basicamente de milho e soja, culturas cujo cultivo requer grandes quantidades de terra, água e combustíveis fósseis – é responsável por 70% de seu custo.

Tetrick acredita que pode criar algo mais eficiente. Ele conseguiu financiamento de algumas das maiores firmas de capital de risco da indústria de tecnologia para fazer o que a maioria dos gourmands amantes de ovos, inclusive eu, considera tanto sacrilégio quanto impossível: ele quer substituir ovo de galinha por fontes de proteína de origem vegetal.
Na verdade, isso é simplificar demais o objetivo da empresa: a Hampton Creek quer "superar" o ovo, para criar alimentos sem ovos com um gosto melhor, livres de colesterol, que durem mais tempo fora da geladeira, sejam ecologicamente mais sustentáveis e mais baratos e não exijam o sofrimento de animais.
Este é um objetivo ambicioso, e Tetrick admite que a empresa não está perto de alcançá-lo. Mas a Hampton Creek está avançada o suficiente para ilustrar o poder da chamada "engenharia de alimentos".
Para criar seus produtos sem ovos, um batalhão de bioquímicos, cientistas de alimentos e engenheiros de software da empresa está baseando seus esforços em processos usados pela primeira vez nas indústrias farmacêutica e tecnológica. Se o plano der certo – e meu paladar sugere que sim – a Hampton Creek pode mostrar como as técnicas de inovação de software e da indústria de biotecnologia podem alterar setores além do alimentício.

Considere a massa de biscoito da Hampton Creek, por exemplo, que deve entrar no mercado em fevereiro. Na minha prova, eles não eram doces demais, chegavam a ser até um pouquinho salgados e tinham o equilíbrio perfeito entre crocante e cremoso.
E os biscoitos são quase um benefício colateral da massa. Como a massa não leva ovos, não é preciso se preocupar em assá-los. Ele vem numa embalagem que tem uma colherzinha encaixada na tampa, como se fosse um sorvete de potinho.
Segundo Tetrick, há argumentos fortes para a criação de um bom substituto para o ovo. Tomando emprestado um termo favorito da indústria tecnológica, ovos não geram ganhos de escala. Ele argumenta que sua produção exige demasiados recursos para que ela cresça indefinidamente. E o executivo convenceu diversos especialistas em tecnologia a participar de sua missão. Entre os investidores da Hampton Creek estão a Khosla Ventures, Bill Gates e o Founders Fund de Peter Thiel.
Ao todo, a Hampton Creek já captou US$ 6 milhões, com os quais Tetrick acredita que poderá no futuro tornar ovos um produto "obsoleto" em todas as dimensões, incluindo o preço. No momento, o substituto de ovos da Hampton Creek custa cerca de US$ 0,86 por quilo, cerca de metade do preço de um quilo dos "ovos líquidos pasteurizados" que já existem no mercado hoje.
"Queremos baixar o preço de modo tão radical que seria estúpido considerar qualquer outra coisa", diz.
Josh Klein, diretor de bioquímica de pesquisa e desenvolvimento, compara a estratégia de substituição de ovos da empresa ao processo de uma farmacêutica para combater uma doença. Todos os dias, o laboratório testa dezenas de espécies de plantas novas, em busca de aplicações que podem ser semelhantes às de ovos. Armado com um banco de dados, eles misturam as plantas para criar novos alimentos sem ovo. Em seguida, fazem um protótipo, experimentam e repetem o processo.
De certa forma, a Hampton Creek trata alimentos como se fossem software, pegando emprestado vários pedaços de código de diferentes tipos de plantas.
Até agora, os resultados são muito bons. A Hampton Creek descobriu um tipo específico de ervilha amarela que tem um poder fantástico de emulsão, gerando uma maionese que, segundo a empresa, supera as principais marcas do mercado em testes de sabor.
Tetrick diz que, em grandes quantidades, pode fabricar maionese sem ovo 10% mais barata que a maionese convencional. Animadas pela ideia de um preço menor, muitas lojas da rede de supermercados Whole Foods nos EUA passaram a usar a maionese da Hampton Creek nos alimentos preparados na seção de pratos prontos (como a salada de batata). Mas no varejo, a maionese da Hampton Creek não é muito barata: é vendida por US$ 3,50 ou US$ 4,49 por frasco na maioria dos supermercados Whole Foods. É mais ou menos quanto custa a maionese à base de ovo, mas Tetrick diz que a Hampton Creek ainda poderia reduzir seus preços substancialmente.


quarta-feira, 4 de dezembro de 2013

O Papel das Mulheres Japonesas no Mercado de Trabalho


O Japão sempre foi reconhecido por seu avanço tecnológico, pela educação de seu povo, pela limpeza das suas ruas e por ser um dos países mais industrializados do mundo.

Apesar de toda essa modernidade, o país é um dos que mais conservam suas tradições. Ainda hoje, perdura a sociedade machista, fator que mantém o alto índice de discriminação sexual, onde as diferenças entre homens e mulheres no mercado de trabalho são enormes.

Segundo o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), o Japão é o país rico mais desigual do mundo neste aspecto, e isto tende a se ampliar. Uma pesquisa revelada no último Fórum Econômico Mundial em Davos, na Suíça, mostrou que o Japão caiu do 99º para o 101º lugar em relação à pesquisa anterior em 2009, em matéria de discriminação sexual, de um total de 130 países estudados. De longe a colocação mais baixa entre as nações desenvolvidas. O Brasil ficou no 51º lugar.

Outra pesquisa realizada pela organização não governamental canadense Catalyst, que incentiva a liderança feminina nas empresas, mostrou que diferente das japonesas, as mulheres brasileiras são lideres globais em ocupação de cargos gerenciais. Em aproximadamente 30% das empresas do país, mais da metade dos principais cargos é ocupada por executivas, ante 11% da média mundial.

Uma das principais razões para a desigualdade entre homens e mulheres no Japão, é a difícil tarefa de conciliar trabalho e família. No Japão, não há empregados domésticos, então sempre coube a mulher a tarefa de cuidar do lar.

As mulheres japonesas que trabalham em escritórios, além de realizar suas tarefas administrativas ainda cuidam da limpeza e servem chá para os superiores, enquanto os homens sobem na escala hierárquica.



As japonesas alcançaram pouco progresso, atualmente há mais mulheres em cargos executivos, mais continua distante da média mundial. No entanto, há um problema que persiste: cerca de 70% delas deixam de trabalhar após o nascimento do primeiro filho.

Depois do nascimento dos filhos, é muito difícil para elas voltarem a trabalhar. Elas só retornam depois que as crianças entram na escola, e só conseguem trabalho de tempo parcial por um salário muito baixo.

As empresas japonesas pagam salários maiores para os homens com esposas que não trabalham. As mulheres que retomam um emprego em meio período têm menor renda. Estas são normas e leis criadas na década de 1970 em função da realidade econômica da época, e não mudaram muito.

Com uma população que envelhece rapidamente, a taxa de natalidade diminui, não há outra solução a não ser aproveitar mais a população existente. As mulheres representam 50% dos habitantes do país, tem um elevado nível de educação, mas deixam de trabalhar ao chegarem a determinada idade. Não há outra opção a não ser tomar medidas para que as mulheres continuem trabalhando.

O primeiro passo foi dado pelo primeiro ministro Shinzo Abe, que designou uma autoridade de alto escalão do Ministério da Economia e Indústria como secretária do primeiro ministro. Ela será uma dos sete secretários do gabinete do primeiro ministro.


Makiko Yamada junto ao primeiro ministro Shinzo Abe
Makiko Yamada, de 53 anos, vice-diretora geral para a Estratégia da Tecnologia da Informação do Ministério, tornou-se a primeira mulher a assumir o cargo.

Ela lidará com a s relações públicas do gabinete, assuntos relacionados à mulher e a diminuição da taxa de nascimentos, assim como políticas da tecnologia da informação e telecomunicações.

Outra medida tomada pelo governo foi conclamar os ministérios e agência do governo a assegurarem de ter no quadro de seus funcionários 30% ou mais de mulheres.
Agora, muitas mulheres estão revendo seus conceitos: seguir uma carreira profissional e adiar ou abdicar do casamento e filhos, ou dedicar-se a família.