sexta-feira, 28 de agosto de 2015

Japão Barateia Presentes a Seus Centenários para Economizar Custo

Yasutaro Koide, de 112 anos, foi reconhecido o homem mais velho do mundo

Os cidadãos japoneses com mais de 100 anos deixarão de receber a tradicional taça de prata que o governo costuma entregar a todos seus cidadãos que completam 100 anos porque seu aumento progressivo está afetando os cofres públicos.
O Executivo japonês, que começou esta prática em 1963, decidiu buscar uma alternativa mais barata ao presente comemorativo avaliado em 7.600 ienes (cerca de R$ 230), informou nesta quinta-feira (27) a emissora pública japonesa "NHK".
No ano que se pôs em prática a iniciativa, o Japão contava com 150 centenários entre seus cidadãos, mas na atualidade o número se multiplicou por mais de 200.
Segundo dados do Ministério da Saúde, Trabalho e Bem-estar, neste ano 32.400 pessoas receberão a singular taça, o que representará um custo estimado de 260 milhões de ienes (R$ 7,85 milhões).
Taça de prata entregue aos japoneses que completam 100 anos
O governo japonês substituirá a partir do ano que vem essa taça por outra feita com lâminas de prata, uma mudança com a qual prevê cortar a despesa pela metade.
O Japão tem a maior expectativa de vida do planeta. Os centenários registrados no país asiático chegam a 58.820, o que representa 46,21 por cada 100.000 habitantes, segundo dados governamentais de setembro de 2014.
O envelhecimento da sociedade japonesa representa, entre outros aspectos, um grande desafio para o sustento atual do sistema de saúde e de previdência da terceira economia do mundo.

Fonte:Época

terça-feira, 25 de agosto de 2015

Japão lança aplicativo que permite acesso à Wi-Fi gratuito para turistas


O que seria dos smartphones sem os aplicativos? Ferramenta indispensável, seja na vida social, trabalho ou lazer. E para quem viaja pelo mundo, um dos maiores pesadelos é sem dúvida, ficar desconectado.
Mas esse tormento está prestes a acabar, pelo menos no Japão! Um aplicativo gratuito, lançado recentemente no país, vai facilitar a vida dos turistas.
Japan Connect-Free Wi-Fi foi lançado para promover a experiência de utilizar internet gratuita e de qualidade enquanto se faz compras em lojas de conveniência no país. Com alcance de 40 mil espaços, incluindo marcas como Family Mart, Lawson e 7-Eleven.
O aplicativo também permite ao usuário o acesso ao wi-fi gratuito em mais de 130 mil pontos do Japão incluindo os aeroportos de Narita e Kansai, estações de metrô e em diversos pontos.
Pelo Mundo
De acordo com um levantamento divulgado pela Flurry, – uma empresa de análise de aplicativos do Yahoo! – de 2014 para 2015, o número de dispositivos inteligentes cresceu de 1,3 bilhão para 1,8 bilhão, o que representa um aumento de 38% de um ano para o outro.
O número de usuários que utilizam aplicativos entre uma vez e 16 vezes por dia, cresceu de 784 milhões para 985 milhões no mesmo período, um aumento de 25%. Já o número de usuários muito ativos, que usam aplicativos entre 16 e 60 vezes por dia, cresceu ainda mais: de 440 milhões para 590 milhões (aumento de 34%).
Clique aqui para conhecer e baixar o aplicativo.
Fontes: OGlobo / Panrotas

segunda-feira, 24 de agosto de 2015

Conheça o primeiro aeroporto que funciona somente com energia solar

Aeroporto de Cochin na Índia
O aeroporto internacional de Cochin, no sul da Índia, se tornou nesta semana no primeiro do mundo que funciona completamente com energia solar, graças a um sistema de dezenas de milhares de painéis que nutrem a instalação e lhe dão completa autonomia energética.
Caminhar sob o sol entre os vários painéis perfeitamente alinhados na esplanada que termina na cerca exterior do aeroporto de Cochin é como passear por um vinhedo de placas escuras entre as quais se sobressaem as cabeças dos trabalhadores.
São 48.154 painéis fotovoltaicos sobre uma superfície de 20 hectares de terras que não tinham nenhum uso até que em fevereiro a empresa alemã Bosch começou uma instalação que hoje gera 12 megawatts diários de energia, mais do que suficiente para que o aeroporto do estado sulista de Kerala seja auto-suficiente.

"Havia um espaço disponível, que previamente foi pensado para a futura expansão do terminal de carga, mas que achamos que podia ser usada para construir uma usina de painéis solares", afirmou à Agência Efe o diretor-geral do aeroporto de Cochin, José Thomas.
A usina prevê gerar 18 milhões de unidades de energia solar ao ano, o equivalente para abastecer de eletricidade 10 mil casas ao mesmo tempo.
Em uma das estações de controle do sistema, trabalhadores e engenheiros trocam opiniões sobre os dados divulgados após os primeiros dias de funcionamento.
A tela que aponta todos os dados em tempo real mostra como os medidores caem quando uma nuvem passa sobre o lugar e voltam a disparar quando o sol se projeta sobre o manto cristalino de cor negro.
Não há perigo de não acumular suficiente energia; com o funcionamento da nova usina de energia solar, a terceira e maior do complexo, que já contava com outras duas menores previamente, calcula-se que conseguirá de 50 mil a 60 mil unidades de eletricidade ao dia, quando as necessidades do aeroporto rondam 48 mil.
"Com as três usinas solares em conjunto geramos um excedente diário de energia que poderíamos vender", confirmou Thomas.
A ideia de que o quarto aeroporto em tráfego internacional da Índia fosse auto-suficiente começou a ser pensada em março de 2013 com vários projetos que se desenvolveram em paralelo ao aumento do trânsito de aviões.
"Nossas previsões eram boas com as duas primeiras usinas solares e pensamos: por que não fazer um aeroporto capacitado para gerar sua própria provisão de eletricidade?", relatou à Efe o diretor-fundador da instalação aeroportuária, V. J. Kurian.
O projeto desta grande usina de energia solar, com um custo próximo de US$ 10 milhões, foi apresentado através de uma licitação na qual 18 empresas internacionais concorreram pelo contrato, que finalmente foi conquistado pela alemã Bosch.
painéis fotovoltaicos que alimentam o aeroporto
Um investimento que, no entanto será mais do que rentável, segundo o diretor do aeroporto de Cochin.
Com o que economizamos com a implantação dos painéis, em cinco anos, segundo os cálculos, "teremos pago o custo da construção com o que deixamos de gastar", sentenciou Thomas.
Através de sua filial na Índia, a Bosch construiu a instalação em quatro meses, transformando o aeroporto internacional de Cochin no primeiro "aeroporto verde do mundo".
"Tudo está como prevíamos, inclusive melhor do que nos teste prévios, e esperamos que no futuro siga melhorando", afirmou à Efe o diretor do departamento de Energia Solar de Bosch, Pradeepa K. S.
Dado o primeiro passo, o aeroporto já pensa em ir além de gerar sua própria eletricidade e pretende reciclar a água.

"Estamos muito contentes com o que conseguimos com a usina de painéis solares, mas seguimos realizando estudos focados no novo terminal internacional para seguir sendo um aeroporto verde", concluiu V. J. Kurian, agora secretário-chefe auxiliar do governo. 
Fonte: Exame Meio Ambiente e Energia

quinta-feira, 6 de agosto de 2015

Em museu no Japão, cartas de despedida de kamikazes são reveladas

cartas escritas pelos pilotos kamikazes

Durante a Segunda Guerra Mundial, uma das “armas” usadas pelos japoneses, eram o pilotos Kamikazes. Eram pilotos suicidas que jogavam seus aviões carregados de bombas, contra alvos inimigos. Há exatamente 70 anos, esses pilotos participavam de sua última batalha.
Nas cartas, é revelado como a guerra pode ir fundo na vida das pessoas. Nas missões sem volta, eles escreviam cartas de despedida para suas famílias e algumas delas, foram reveladas só agora.
Em Chiran, no sul do Japão, uma planície cercada por montanhas é coberta por plantações de chá. A ideia que se tem de um lugar assim, é que seja calmo, mas nem sempre foi assim. Exatamente de lá, decolavam os pilotos mais conhecidos da Segunda Guerra Mundial: os kamikazes.
Eram as últimas batalhas a serem travadas na pior guerra da história. Tropas americanas avançavam e a tática suicida poderiam detê-los: lançar os aviões diretamente nos alvos, causando assim, mais estragos durante o ataque.
Na década de 1940, Chiran abrigava um centro de treinamento, de tudo, restou apenas antigos depósitos de óleo e munição. E essa é uma das histórias contadas em um museu, muito frequentado. Onde os mais de quatro mil soldados que morreram nas missões são lembrados.
Este museu, vai além de apresentar algumas peças antigas, tenta nos fazer entender aquele período, aquelas pessoas envolvidas. Para isso, conta com um acervo muito raro, feito de papel e tinta: cartas. Os pilotos escolhidos ficavam sabendo das suas missões somente na véspera. Era quase um hábito, tomavam saquê e deixavam uma carta.
Um dos responsáveis pelo museu, Takeshi, se comove toda vez que lê a carta deixada por Fujio Wakamatsu, como tantos outros kamikazes, um jovem de 19 anos: “Querida mãe, não tenho nada a falar neste momento. Estou indo, com sorriso, para uma missão, que considero como meu último ato de devoção a você. Não chore: deposite doces no meu altar pela tarefa cumprida”.
Takeshi explica que “eles sabiam a importância de defender o país, tinham medo do que poderia acontecer no caso de uma invasão inimiga”.
Em Nagasaki, no oeste do país, um senhor de 89 anos conhece muito bem as cartas, foi ele quem reuniu todas para o museu. Tadamasa Itatsu quis honrar os colegas de farda: durante a guerra, ele foi treinado para ser um piloto kamikaze.
Em duas circunstâncias ele escapou da morte: primeiro, o avião falhou e foi necessário um pouso de emergência, na segunda vez, a missão foi cancelada devido ao mau tempo. “Carreguei durante anos um sentimento de culpa, de vergonha, por não ter morrido como os outros colegas. Para esquecer essa agonia, me dediquei ao trabalho de recuperar os textos”, diz Tadamasa Itatsu.
Itatsu leu todas as cartas e afirma que não há arrependimento em nenhuma delas. A tristeza estava gritante em cada uma delas, mas todos os pilotos eram voluntários.
Por mais que fossem mensagens curtas, como a de Toyoje Shimote, que escreveu apenas: “pela minha nação”, ou até mesmo, símbolos do sacrifício a quem ou o que esses homens se dedicavam. Masanobu Kuno, o tenente-coronel, morreu em maio de 1945, e deixou para seus dois filhos, de dois e cinco anos de idade: “Apesar de invisível, sempre estarei olhando para vocês. Escutem bem o que a mamãe diz e sejam obedientes. Quando crescerem, sigam seus desejos e se tornem japoneses dignos. Não tenham inveja dos outros que têm pai”, escreveu ele.
Em programa chamado “Memória do Mundo”, o governo do Japão quer que as cartas sejam reconhecidas pela Unesco. São documentos que registram ações que influenciaram o curso da história, seja positiva ou negativamente. “Queremos mostrar a crueldade da guerra para o mundo e o que ela é capaz de fazer, como as missões kamikaze. Que essa tragédia não se repita nunca mais”, garante Takeshi.
Fonte: G1

terça-feira, 4 de agosto de 2015

Japão ameaça deixar o pacifismo, 70 anos depois

Memorial da Paz em Hiroshima

Hibakusha é a palavra em japonês usada para nomear os sobreviventes das bombas de Hiroshima e Nagasaki, cujo 70º aniversário acontece este mês — assim como a rendição japonesa e o fim da Segunda Guerra Mundial. Significa “pessoa bombardeada” e calcula-se que atualmente existam 193 mil delas no país. Trata-se de um grupo muito especial, vítimas de cicatrizes e suposta radiação, e com forte autoridade moral.

E nos últimos dias um grupo deles chamou atenção ao se unir aos imensos protestos contra a decisão do primeiro-ministro Shinzo Abe de rever uma interpretação constitucional, apoiada pelos EUA, para devolver ao Japão a capacidade de intervir em conflitos bélicos. O político conservador, que sempre foi relutante em aceitar as atrocidades cometidas pelo Japão no passado, conseguiu que seu Conselho de Ministros aprovasse uma interpretação da Constituição redigida pelos EUA pouco depois da rendição. Até agora, o artigo 9 da Constituição japonesa impedia o país de recorrer ao uso da força em conflitos internacionais.

Uma vez que a Câmara Alta aprove definitivamente a nova lei, o Japão poderá defender aliados como os EUA, caso sejam vítimas de um ataque armado, bem como participar em operações de segurança das Nações Unidas. Tóquio poderia aprovar mais facilmente o envio de suas Forças de Autodefesa para áreas de conflito e ainda ampliar o apoio logístico às missões de paz no exterior

Mas, para os hibakushas, assim como para 73% da população, de acordo com uma pesquisa recente, a interpretação é muito vaga para justificar qualquer aventura militar no futuro. E seria a negação da essência do Japão moderno e pacifista que se dedicou a seu desenvolvimento e enterrou a vergonhosa historia de invasões e crimes de guerra cometidos até a Segunda Guerra Mundial.

Durante as massivas manifestações de 15 dias atrás, o grito era “Hibakushas nunca mais, não mais Hiroshimas, não mais Nagasakis!”, segundo as agências de notícias. E é o que os hibakushas têm a dizer sobre o tema, que sempre será importante para a sociedade japonesa.

Em 1989, a Associação Nacional de Hibakushas publicou uma série de quatro livros com depoimentos dos sobreviventes e desde então a obra se transformou em uma das lembranças mais dolorosas do que aconteceu nos dias em que as bombas caíram. Cada história tem um padrão macabro em comum: a liquidação de Hiroshima e Nagasaki, a angústia, a doença e o estigma nas décadas seguintes. Uma mulher anônima de Nagasaki, que tinha 19 anos quando a bomba caiu, descreve um vizinho, que deveria estar preparando o almoço. “Eu vi seu esqueleto de pé. Eu vi pessoas queimando os corpos dos mortos. Aqueles ossos brancos como marfim espalhados aqui e ali”, conta a testemunha.

Em agosto do ano passado, em uma cerimônia comemorativa pelos 69 anos de lançamento da bomba, a hibakusha Nagasali Miyako Jodai criticou o governo de Abe pelo seu interesse no poder atômico e sua agenda de segurança, que ela chamou de “uma afronta à Constituição pacifista do Japão”. Hiroshi Shimizu, secretário-geral de Hiroshima Hidanko, organização de hibakushas, faz eco deste sentimento:

— Nossa época se transformou em uma época muito perigosa. A atmosfera no Japão agora nos faz lembrar os 10 anos de silêncio após a guerra, quando uma lei secreta de Estado ocultava os registros e até a existência dos hibakushas”.

De acordo com o primeiro-ministro, a diplomacia dos EUA e até mesmo alguns meios de comunicação influentes, como o “Financial Times” (adquirido recentemente pelo grupo japonês Nikkei), a decisão é justificada pela mudança geopolítica na região. Agora, dizem eles, a presença expansionista da China e a sempre ameaçadora postura nuclear da Coreia do Norte fazem necessário que o Japão possa ter certa capacidade de dissuasão.

Em um editorial publicado na sexta-feira, o “Financial Times” sustenta que “as mudanças são justificáveis. O crescimento de uma China militarmente mais musculosa altera a paisagem de segurança do Japão”. A ideia, de cara, não agradou a China.


— Solenemente pedimos ao lado japonês que assuma as duras lições da historia, que se agarrem ao caminho do desenvolvimento pacífico, respeitem as principais preocupações de seus vizinhos asiáticos e não comprometam a soberania da China e os interesses de segurança regional danificando a paz e a estabilidade — disse Hua Chunying, porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, de acordo com uma reportagem do “New York Times”.

Para a maioria dos japoneses, segundo as pesquisas recentes, a decisão é uma traição às vítimas das bombas e ao pacifismo do Japão. E é por isso que se espera que este aniversário seja um dia triste para os hibakushas.


Fonte: O Globo