sexta-feira, 6 de fevereiro de 2015

Obesidade: o fantasma que assombra os “filhos” de Fukushima


Quase quatro anos após a tríplice catástrofe que atingiu o Japão (o terremoto seguido de um tsunami e de um desastre nuclear em 2011), o país convive com um fantasma perigoso: a obesidade infantil. O problema é crescente entre os “filhos” de Fukushima, como são conhecidas as crianças que moram em vilarejos próximos à usina de energia.
Segundo uma pesquisa feita pelo governo e divulgada pela mídia local, as crianças de Fukushima são as mais obesas do Japão. Por medo da exposição à radiação, essa geração passa a maior parte do tempo confinada dento de casa, o que contribui para o desenvolvimento do quadro.
Lançada neste mês, a pesquisa calcula a porcentagem de crianças e adolescentes cujo peso corporal é, pelo menos, 20% superior à média considerada sadia e é aplicada a meninos e meninas de 5 a 17 anos.
O estudo constatou que 15,07% das crianças de 9 anos na província de Fukushima se enquadravam no perfil da obesidade infantil. A taxa é muito maior do que a média nacional, de 8,14%, e é considerada a mais alta entre todas as 47 províncias avaliadas.
Durante muito tempo, as localidades próximas à Fukushima ficaram submetidas a determinadas restrições para exposição ao ar livre.
Em Koriyama, por exemplo, localizada a 55 km da usina em ruínas, a recomendação era de que crianças de até dois anos de idade não gastassem mais do que 15 minutos fora todos os dias. Aqueles com idade entre três e cinco deveriam limitar seu tempo ao ar livre a no máximo 30 minutos.
Atualmente, a restrição se aplica a menos de 10% das províncias. Apesar disso, as crianças não demonstram muito interesse em brincar fora de casa.
Infelizmente, os efeitos de uma infância limitada em seus primeiros anos não se limitam ao ganho de peso.
Falta de coordenação (como dificuldade para andar de bicicleta), estresse, desânimo e temperamentos mais explosivos são algumas das alterações que preocupam os profissionais de saúde.


Fonte: Exame Meio Ambiente

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2015

Novas tecnologias semeiam a discórdia entre casais


Uma matéria publicada no jornal japonês “Japan Today”, com o seguinte título, “Os smartphones podem ser nocivos para o casamento”. A reportagem demonstra os problemas que podem existir quando o tempo dispensado aos aparelhos é maior do que aquele dedicado à relação conjugal.
O jornal evidencia o caso de Yoshiko, uma japonesa de 42 anos, casada há seis com um homem dois anos mais velho. Quando ela chegou aos 38 anos pensou em ter um filho, mas ele recusou. Atualmente, ambos estão trabalhando em tempo integral. A mulher refere que desde que o homem adquiriu um telefone inteligente, a relação vai de mal a pior. O homem, quando está em casa, está quase todo tempo jogando ao telefone. Em função dos jogos online o marido sugeriu, inclusive, que os dois jantassem separadamente, já que ele queria jantar e jogar ao mesmo tempo. Enquanto o marido está absorto pelo smartphone, não quer ouvir uma palavra do que a esposa diz.
O antropólogo sexual Kim Myong-Gan salienta que “na era digital, smartphones tornaram-se uma necessidade social, mas as mulheres conservam a necessidade de conversar”. No lado oposto, adverte o estudioso, estão alguns homens que se satisfazem apenas com a troca de mensagens virtual.
A conselheira matrimonial Semiko Yamazaki ressalta que um telefone inteligente não é a razão para o divórcio, mas pode ser o gatilho para a desconfiança e o fim do relacionamento. Ela ainda refere o caso de um casal que se separou depois que o homem, nervoso ao perder um jogo online, gritou com o filho de 2 anos. A reportagem enfatiza que os smartphones podem semear a discórdia nos relacionamentos.
Aqui no Brasil, uma febre que tomou conta de todo país, é o aplicativo de troca de mensagens WhatsApp que permite trocar mensagens pelo celular sem pagar por SMS, além das mensagens básicas, os usuários do WhatsApp podem criar grupos, enviar mensagens ilimitadas com imagens, vídeos e áudio.
Ao mesmo tempo em que o progresso nos traz enormes vantagens, é preciso saber utilizar as novas tecnologias. Elas não são boas ou más em si. Seu uso é que as torna mais ou menos benéficas.
São inúmeros os casos de brigas entre casais por causa do WhatsApp, em agosto de 2014, O montador de assessórios A.B.M, 36, foi preso em Cuiabá acusado de agredir e ameaçar a esposa por estar descontente com ela que passa muito tempo no celular, no programa de mensagens instantâneas “Whatsapp”. Ele relata que a esposa não larga um minuto sequer o celular, trocando mensagens com pessoas que ele desconhece.

 

Há também o fato do uso indiscriminado do aplicativo no ambiente de trabalho, que vem causando problemas aos empregadores. Os funcionários de muitas empresas têm criado, espontaneamente, grupos de WhatsApp para facilitar a comunicação entre eles. No entanto, além das equivocadas interpretações, algumas atitudes antiéticas estão ocorrendo com frequência. É o caso de pessoas que mandam mensagens ou expõem pessoas a todo o grupo, quando o correto teria sido dar esse feedback diretamente à pessoa. Essa falta de bom senso no uso do WhatsApp e mesmo e-mails ou outras ferramentas digitais, estão criando situações de constrangimento com possíveis efeitos jurídicos nocivos para pessoas e empresas.

“É preciso ter muito cuidado com mensagens escritas, pois o que escrevemos chega de forma impessoal ao destinatário. Só mesmo escritores muito hábeis são capazes de passar a exata emoção naquilo que escrevem. Assim, quase sempre, a pessoa que nos lê numa mensagem digital, não reconhece a emoção que está por trás da mensagem e isso faz com que haja muitas interpretações equivocadas— o que têm provocado muita confusão, conta o consultor de pessoas, Luis Marins.


Fonte: Japan Today, Gazeta Digital,