segunda-feira, 15 de dezembro de 2014

Entendendo melhor o processo de envelhecimento


Durante o período em que morei no Japão, uma coisa que me impressionava era a disposição com que pessoas idosas tinham para o trabalho.

No meu trajeto para o trabalho, passávamos por uma área de atividade agrícola, onde havia várias pequenas propriedades onde se cultivava o plantio de hortaliças, legumes e arroz. No meio dos trabalhadores não se via nenhum jovem, somente pessoas com idade bem avançada, homens e mulheres com mais de 80 anos, cultivando a terra, trabalhando duro sob sol forte ou frio intenso, sempre com a mesma disposição e alegria.

Mesmo quem não trabalhava, mantinha-se ativo. Pela manhã os parques encontravam-se cheios de idosos fazendo caminhadas, passeando com seus cachorros ou ainda pedalando com suas bicicletas a lazer ou indo ao supermercado fazer compras.

Uma rotina bem diferente dos idosos brasileiros que ou estão sentados nas praças jogando conversa fora ou estão em casa assistindo televisão ou ainda estão nas filas dos hospitais reclamando de alguma dor pelo corpo.

No ano que vem completo 50 anos, como chegou rápido, até um dia desses estava na flor da idade, aos 30 anos. Olhando-me no espelho e vendo minha imagem, ainda não vejo a imagem de um velho, por sorte da minha genética e de alguns cuidados básicos, ainda devo aparentar uns 10 anos a menos.

Mas não dá para se enganar. Após os 40 anos, vamos percebendo mudanças no nosso corpo, a curva de nossa estrutura biológica cai inevitavelmente depois de atingir seu ápice aos 25 anos, e o nosso corpo começa sua lenta volta para terra.

A boa nova é que As pessoas estão se cuidando mais e mais cedo, os recursos para compensar o processo natural do envelhecimento se multiplicaram por mil, e os exemplos de gente mais velha e ativa aumentaram com uma velocidade espantosa.



O processo do envelhecimento não começa nem aos 40 e nem aos 50. Com 20 anos, você vai à balada, dorme quatro horas e aguenta  o pique no dia seguinte. Já na faixa dos 30, a história é outra. Com 40, então, nem pensar. Três dias de alta madrugada contínuos já são suficientes para matar. Quem é velho, então? Os chineses fazem uma classificação interessante da velhice: os jovens velhos ficam numa faixa bem elástica, dos 45 anos, aproximadamente, até aos 80. A partir disso são considerados velhos maduros.

Então levando-se em conta a escala chinesa , ainda estou na juventude.

Quando me encontrava com uns 35 anos, percebi o primeiro fator do processo de envelhecimento. É quando as pessoas começam a te chamar de “senhor” de “tio”. Nessa faixa de idade, biologicamente seu processo de envelhecimento já começou, e quem te diz primeiro que você envelheceu são as pessoas, não é o espelho.

O envelhecer é também um fenômeno social, e não apenas algo que acontece no seu mundo interno. Se nós pudéssemos envelhecer sozinhos e em paz, sem ninguém te apontar a ruga ou o sobrepeso, seria mais fácil. Mas não é assim.  Em outras palavras, as pessoas podem se dar conta disso antes de você. A saída é aceitar, perceber que algo mudou, mas que nem por isso o mundo acabou.

Atualmente, lutamos desesperadamente para não envelhecer, pois se admira com muita intensidade a ideia de perfeição de um corpo jovem e bonito.  E uma das coisas que nos libertará da corrida frenética rumo ao rejuvenescimento a qualquer custo é nos lembrar que somos mais do que um corpo.

Não devemos ficar obcecados demais com o envelhecimento do corpo e com o desejo de estar sempre jovem, nem relaxado e displicente demais com o próprio envelhecimento. Em quase tudo, o caminho do meio dá certo.
Um texto do filósofo francês Jean Paul Sartre, ilustra bem esse processo de envelhecimento. “Se o envelhecer for centrado na preocupação com o corpo e com as exigências individualistas do ego, as paredes irão se fechar e se estreitar cada vez mais, pois as perdas e limites serão bem mais evidentes. O envelhecimento se transformará num inferno. Mas essa não é claro, a única alternativa. O envelhecer implica uma troca de códigos, valores, referências e metas. É preciso se reinventar completamente, substituir e compensar. Se a ênfase foi colocada na direção do autoconhecimento e da doação, seguindo os passos do espírito, as paredes automaticamente se abrirão, trazendo mais paz interior, amor e oxigênio para sua existência. O envelhecer poderá se tornar, dessa maneira, um delicioso paraíso”.

Fonte: Revista Vida Simples










terça-feira, 9 de dezembro de 2014

São Paulo importa ideia do Japão para ajudar pessoas a atravessar ruas


São Paulo iniciou nesta segunda-feira (8) uma experiência para dar mais segurança e rapidez às pessoas que precisam atravessar avenidas em um dos cruzamentos da cidade. É a faixa de pedestres diagonal, ou em "X".

Pintadas de azul e branco, as faixas que cortam o cruzamento chamaram a atenção, viraram assunto de conversa na velha esquina do Centro e intrigaram alguns.

“Não tô sabendo ainda”, diz um homem.

Aí um ia explicando para o outro a ideia de trocar a travessia em L, feita em duas etapas por uma reta só em diagonal. A estudante gostou, porque não precisa mais correr.

“Toda vez que eu tinha que atravessar pra cá pra pegar o ônibus, tinha que fazer um trajeto um pouco mais complicado e os faróis não tinham sincronia. Então ajuda bastante”, diz Gabriela Branco, estudante de Direito.

A ideia vem do Japão, onde na grande metrópole de Tokyo, milhares de pessoas caminham pelas movimentadas ruas da capital japonesa. Lá a preferência é pelo transporte público, então nos cruzamentos próximos as estações de metrô, ficam muito movimentadas.
 
cruzamento no bairro de Shibuya em Tokyo
 Pedestre que faz a travessia em X ganhou em média cinco segundos

Lá no Japão, onde tem muita gente para pouco espaço as faixas em X ajudam muito e, por isso, resolveram testar aqui.

Os carros que vem em uma das pistas ficam parados três segundos a mais. Em outra pista, dois segundos a mais, mas o pedestre que faz a travessia em X ganhou, em média, cinco segundos para a travessia e é essa mesma a ideia: favorecer quem anda a pé na cidade.

“Que a gente pudesse fazer alguma coisa pelo pedestre sem prejudicar tanto a corrente de trafego e é isso que estamos testando nesse cruzamento”, explica o diretor de Planejamento, Projetos e Educação da CET, Tadeu Leite Duarte.

A vantagem para o pedestre fica ainda maior se ele chega na esquina bem na hora que o bonequinho ficou vermelho. A espera para chegar do outro lado, caiu de 89 para 61 segundos. Mas tem gente que não confia.

Uma das pessoas que atravessaram percebeu que dá tempo de atravessar mesmo no vermelho piscante, mas ele e outros pedestres estão acostumados com o vermelho no fim da caminhada, só que esse sistema é diferente. 

“A pessoa que já está fazendo a travessia, ela tem a segurança de terminar a travessia, porém ele fica piscando para alertar quem está antes não atravessar”, diz a operadora de trânsito Carmen Moreno.

A Companhia de Engenharia de Tráfego informa que a sinalização e o tempo dos semáforos vão melhorar, mas a intensa discussão sobre o trânsito em São Paulo pode estar fazendo efeito. Dessa vez, os motoristas não reclamaram de nada.

Fonte: G1


quinta-feira, 13 de novembro de 2014

Número de pobres no Japão cresce; brasileiros também vivem apuros


Quando deixou Taubaté (SP), há dez anos, acompanhando o ex-marido numa jornada rumo ao Japão, Priscilla Aparecida Pereira Gonçalves, de 36 anos, vislumbrava uma vida melhor.

Após apenas um ano de trabalho em fábricas japonesas, ela conseguiu pagar as dívidas acumuladas de um pequeno restaurante que tinha na cidade paulista.

Mas hoje, separada e desempregada, os tempos de aperto voltaram e a brasileira tem dificuldades para pagar todas as contas com os cerca de R$ 2.700 que recebe mensalmente de seguro-desemprego.

Para o governo japonês, Priscilla faz parte de um contingente que vem crescendo no país: o de pobres.

Segundo um levantamento divulgado recentemente pelo Ministério da Saúde, Trabalho e Bem-Estar, 16,1% da população do Japão vive com um rendimento abaixo do considerado limite para a pobreza – estipulado no país em cerca de R$ 27 mil por ano.

Isso significa que um em cada seis japoneses vive em situação de pobreza, uma marca recorde no país.

Para Aya Abe, diretora do departamento de pesquisas empíricas do Instituto Nacional de Pesquisa da População e da Seguridade Social, a taxa de pobreza provavelmente subirá ainda por algum tempo.

"A pobreza não é apenas um problema econômico, mas também estrutural. Digo isso porque a taxa aumenta continuamente desde a década de 1980, mesmo durante os anos de prosperidade econômica", disse a pesquisadora à BBC Brasil.
O índice do Japão tem aumentado constantemente e hoje está bem acima da média da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE).

Em ranking publicado em meados dos anos 2000, o Japão já estava, com 15%, em quarto lugar na lista dos países-membros com maiores taxas de pobreza, ficando atrás de México (18,5%), Turquia (17,5%) e Estados Unidos (17%). A taxa mais baixa foi registrada na Dinamarca (5%).

Mães solteiras

Na pesquisa feita pelo governo japonês, 59,9% das famílias responderam que passam por dificuldades.


Entre as causas desse fenômeno estão a queda da renda familiar, o prolongado período de deflação pelo qual o Japão passou e o aumento de lares formados por mães solteiras, que geralmente têm emprego de baixa remuneração.

Entretanto, Aya lembra que a deterioração das condições trabalhistas também colaboraram para o aumento do número de pobres. Um terço da força de trabalho no Japão é composta por trabalhadores com contratos temporários.

"Esses trabalhadores contratados ganham muito menos em comparação com os que tem emprego 'permanente' e isso é, sem dúvida, a principal causa de aumento da pobreza", afirma.

Neste contexto, entram a maioria dos trabalhadores estrangeiros, como os brasileiros.

Um terço da força de trabalho no Japão é composta por trabalhadores com contratos temporários.

Priscilla, por exemplo, trabalhou durante quatro anos numa fábrica e seu contrato era renovado mensalmente.

Ela deixou o emprego no começo deste ano. Fez bicos para poder sobreviver, mas não conseguia ganhar nem R$ 2 mil por mês, o que era insuficiente para pagar todas as contas.

"Por isso, completava com o dinheiro das economias que tinha feito ao longo dos anos", conta.

Mesmo assim, voltar ao Brasil não está nos planos da brasileira. "Hoje me considero pobre, mas sei que é apenas uma fase. Estou há muito tempo fora do mercado de trabalho e longe dos costumes do meu próprio país", justifica.

Pacote de estímulo

Preocupado com a taxa recorde de pobreza, o governo do primeiro-ministro Shinzo Abe anunciou em agosto um pacote de políticas para enfrentar o problema.


O Japão auxiliará em custos com educação dos filhos e ajudará adultos na procura por emprego fixo.

Os críticos dizem que as ações são insuficientes, uma vez que o governo atual tem uma política clara de proteção ao empresário.

Casos como o da brasileira Priscilla são comuns nas empresas japonesas. Cerca de 80% dos que vivem na pobreza no Japão fazem parte dos chamados trabalhadores pobres, de salários baixos, empregos temporários sem garantias e poucos benefícios.

Geralmente, ganham o suficiente para sobreviver, mas não para ir a restaurantes, fazer viagens e comprar supérfluos.

"Sempre quando sobra um dinheiro eu faço algo que gosto. Mas saídas frequentes como eu fazia até o ano passado, compras de roupas, sapatos e maquiagem já são considerados um luxo", confessa Priscilla.

Sem-teto

No período pós-guerra, em que muitos japoneses lutaram para garantir comida e abrigo num país devastado economicamente, a pobreza foi sendo atenuada conforme a economia japonesa retomava os trilhos.



Pouco tempo depois, na década de 1970, havia um forte sentimento entre muitos japoneses de que estavam vivendo em um país mais igualitário, onde "todos pertenciam à classe média".

No entanto, o abismo entre classes se abriu novamente na década de 1990, após o colapso da bolha econômica. A estagnação econômica persistente levou as empresas a acabar com o chamado "emprego vitalício", do qual os japoneses tanto se orgulhavam.

Foi neste período que as ruas das grandes cidades começaram a ser invadidas por sem-teto. Hoje, somente na capital japonesa, o governo estima em cerca de 1.700 pessoas que não possuem um endereço fixo.
O número já foi maior, mas o problema está longe de acabar, já que a taxa de pobreza tem somente aumentado.

Kato Shirai, 68 anos, vive há cerca de quatro anos nas ruas de Tóquio. Ele guarda cuidadosamente alguns poucos pertences embaixo de uma marquise e passa o dia todo praticamente deitado. "É para evitar ficar com mais fome", diz.

Shirai reclama da falta de ajuda do governo e diz que até gostaria de sair das ruas. "Mas como fazer isso se não há emprego?", questiona.

A idade avançada e o fato de não ter um endereço fixo são empecilhos para muitos destes japoneses que vivem nas ruas.

"Para sobreviver, conto com a ajuda de voluntários, que vêm distribuir comida toda noite", conta. "O difícil é quando chove e neva. O restante a gente aguenta", fala.

Fonte:G1

 



terça-feira, 28 de outubro de 2014

Japão quer exportar tecnologia do trem bala


Pretendemos ter os trens de alta velocidade funcionando em 2014, para a Copa do Mundo”, essa foi a frase dita em 2009 pela então Ministra da Casa Civil Dilma Rousseff. A copa já passou e nada saiu do papel. Agora o governo planeja concluir o projeto em 2020, ou seja, com seis anos de atraso.

A adoção de sistemas de trens de alta velocidade estão sendo adotadas em escala global. A China vem desenvolvendo rapidamente linhas ferroviárias deste tipo desde cerca de 2007. Nos Estados Unidos, a construção de um sistema de trens do gênero começou este ano no estado da Califórnia. Existem planos semelhantes também na Índia, país com grande população e vasto território.
As medidas mundiais de promoção de esforços para lidar com os problemas ambientais também são um fator importante. Quando se levam em consideração a emissão de gases poluentes e o consumo de energia, aviões e automóveis são limitados enquanto meios de transporte de massa entre cidades, e os sistemas ferroviários são mais eficazes neste sentido.

O ponto forte do trem-bala japonês é que ele pode funcionar com segurança mesmo sob condições climáticas severas e durante desastres naturais, como terremotos, tufões e neve. Por exemplo, o shinkansen é equipado com tecnologia que freia imediatamente o trem quando um terremoto é detectado. O trem dispõe ainda de um sistema que previne o tombamento dos vagões. Estas funções foram postas à prova pelo devastador terremoto que atingiu a região leste do Japão em 2011.

Outros pontos fortes da tecnologia são os vagões leves e fortes, os freios que não afetam o conforto dos passageiros, e o treinamento dos funcionários.


Um dos líderes mundiais na tecnologia de trens de alta velocidade é o Japão.

Para os japoneses, o trem-bala é mais do que uma maravilha tecnológica que resiste à passagem do tempo. O shinkansen — nome oficial do superexpresso — ajudou a transportar o país de volta ao cenário internacional no pós-guerra. Em 1964, Tóquio ainda tinha sua imagem associada aos horrores da Segunda Guerra. Mas às vésperas da abertura das Olimpíadas na capital, naquele mesmo ano, o shinkansen fez sua primeira viagem e o mundo entendeu que o Japão havia mudado.

Começava ali a trajetória dos japoneses rumo ao desenvolvimento que criou uma das maiores potências econômicas da história asiática. A inauguração da primeira rota, entre Tóquio e Osaka, em 1º de outubro de 1964, foi comemorada por multidões nas duas cidades, distantes 513km. O trajeto, que antes demorava sete horas, passou a ser feito em quatro, a 210 km/h (hoje a viagem leva pouco mais de duas horas). Desde então, vários modelos de trem-bala foram lançados e já transportaram dez bilhões de passageiros em seu meio século de existência.Trens mais velozes surgiram, enquanto outros países lançaram seus próprios veículos de alta velocidade, mas o shinkansen continua sendo um símbolo incomparável de eficiência, conforto e segurança.

O interior do Shinkansen é igual ao de um avião

Nunca houve um acidente grave envolvendo o trem-bala no Japão. Sua média de atraso é 36 segundos.Viajar de shinkansen não é barato. Em compensação não tem estresse. Com a passagem na mão (comprar na hora é fácil), basta chegar 15 minutos antes na estação. É o tempo suficiente para confirmar o horário de partida, achar a plataforma e posicionar-se à frente do vagão.

O passeio de Tóquio à Kioto é memorável. Nem dá para sentir os 360 kms que separaram as duas cidades. Em duas horas e meia, a viagem, que custa cerca de US$ 140, transcorre entre campos de arroz e casas de madeira. O Monte Fuji ao fundo dá o toque de cartão-postal. Quando o vulcão é avistado, boa parte dos passageiros se levanta para fotografar a montanha. O Fuji, da janela de um trem-bala, é um clássico.



Como o Japão não gosta de ser superado pela China, já está testando seu trem de levitação magnética, o maglev, que poderá chegar aos 500 km/h. A primeira linha, entre Tóquio e Nagoia, está prevista para 2027. Mas nos trilhos japoneses o futuro já chegou há cinco décadas.

 O Japão planeja por em prática, o plano de expansão da rede do shinkansen  e a exportação pode ser uma via para uma maior promoção da tecnologia, desenvolvida durante os 50 anos de operação do trem-bala no Japão, e podem-se esperar ainda efeitos econômicos com as vendas para o exterior. Baseado no apelo de sua filosofia, "segurança em primeiro lugar", que tem orientado a história dos 50 anos sem acidentes fatais de operação do shinkansen.

Um dos pontos em que as negociações podem emperrar, é o fato de o Japão pretende exportar o sistema completo dos trens, representado por um conjunto tecnológico de maquinário, sistemas elétricos, engenharia, operação ferroviária, vendas e outros. O ideal seria que o sistema japonês fosse compatível com as tecnologias e cultura do país importador, mas nem sempre este seria o caso. Mesmo que o shinkansen não possa ser exportado como um pacote único, seria importante também que o Japão não hesitasse em oferecer cooperação tecnológica parcial.


terça-feira, 14 de outubro de 2014

Japão é campeão de reciclagem de latas de alumínio


O Brasil vem aos poucos se tornando um dos campeões de reciclagem de latas de alumínio, mas ainda distante de números como o do Japão, por exemplo, onde o nível de conscientização da população faz com o país seja uma referência mundial em reciclagem.

Diferente do Brasil, onde o trabalho de coleta de latas é feitos pelos recicladores, pessoas que sobrevivem do dinheiro da venda de latinhas, no Japão o trabalho é feito pelos próprios consumidores dos produtos, que separam as latas em suas residências.

A Associação de Reciclagem de Latas de Alumínio do Japão anunciou no seu relatório anual de atividades que, em 2013, essas operações atingiram a porcentagem recorde de 92,9% no Japão. Uma taxa superior a 90% coloca o país no nível mais alto do mundo. Latas de alumínio são utilizadas na venda de bebidas, alimentos processados e querosene. Desde que a lei sobre reciclagem de vasilhames e embalagens entrou em vigor em abril de 2000, a taxa de reciclagem de latas de alumínio  aumentou bastante. A lei obriga empresas a reciclarem as latas. 

Na década de 1980 a taxa de reciclagem de latas de aço girava em torno dos 40%. Essa taxa foi subindo durante a década de 90 e a primeira década deste século. Um dos motivos foi a colaboração bem sucedida entre 3 parceiros: as companhias fabricantes e comerciantes de bebidas em lata, a coleta de lixo feita pelos municípios e os consumidores.

Ao lado das máquinas de refrigerante sempre há uma lixeira

Não há dúvida que a lei de reciclagem de vasilhames e embalagens ajudou a propulsionar as operações. Contudo, os esforços dos municípios e das fabricantes de bebidas também desempenharam um papel importante. Os municípios criaram vários sistemas de separação do lixo. Por exemplo, latas e garrafas de plástico e garrafas de vidro são recolhidas em dias diferentes da semana. As próprias fabricantes de bebidas tiveram a iniciativa de colocar lixeiras para recolher latas usadas ao lado de máquinas de vender refrigerantes.

Na verdade, nas décadas de 1970 e 1980, latas de bebidas não alcoolicas usadas eram deixadas por toda a parte no Japão, prejudicando a imagem das cidades. Isso acabou gerando um problema social, por isso empresas do setor começaram a coletar as latas usadas. Depois disso, a quantidade de lixo continuou aumentando, e o próximo grande desafio foi encontrar depósitos de lixo. Talvez o principal incentivo que resultou na taxa de reciclagem mais alta do mundo tenha sido a voz do público, que pediu uma resolução da questão do lixo acima de tudo.

Como a capacidade de reciclagem já quase chegou ao seu limite, o desafio futuro será como manter essa alta taxa. Um desafio maior do que a reciclagem em si é diminuir o volume total de lixo tornando os vasilhames mais leves.



terça-feira, 30 de setembro de 2014

É preciso deixar as mulheres brilharem


Estamos presenciando hoje no Brasil, um fato inédito. Duas mulheres líderes nas pesquisas de intenções de voto para presidência da república. Dilma Roussef, candidata à reeleição e a senadora Marina 
Silva.


Alguém vislumbraria esse cenário há dez anos atrás, acho pouco provável. Mas o que temos notado é que as mulheres começaram a mostrar sua força em todos os cenários. Hoje temos mulheres nos mais altos cargos no mundo corporativo, presidentas de estatais, prefeitas, governadoras, enfim, as mulheres estão no poder.

No mundo todo, as mulheres vem pouco a pouco ocupando papel de destaque. Um dos poucos países considerados desenvolvidos onde a resistência às mulheres é maior, é no Japão.

O modo de funcionamento das empresas japonesas, onde trabalhar além da hora e manter o mesmo emprego para toda a vida são regras, e a homogeneidade da sociedade, onde não há lugar para a imigração em massa, são agora desvantagens quando em concorrência com sociedades jovens, onde a inovação e a busca individual de riqueza têm levado a ganhos de competitividade.



Para tentar mudar esse cenário, foi realizada na primeira quinzena de setembro a Assembléia Mundial para Mulheres – WAW, em Tókio com incentivo do governo japonês. Uma das estratégias de crescimento do primeiro-ministro Shinzo Abe é encorajar mais mulheres a exercerem papéis de destaque na sociedade.

Mulheres em posições de liderança em organizações internacionais e empresas no Japão e no exterior foram convidadas a participar do fórum. Entre elas estiveram presentes Christine Lagarde, chefe do FMI, e a embaixadora dos Estados Unidos no Japão, Caroline Kennedy.

O governo de Shinzo Abe promete a realização de mudanças em áreas como o mercado de trabalho e a regulação, para de tentar combater a falta de mão-de-obra com a entrada de mais mulheres. A cada dia se volta cada vez mais para as mulheres, fazendo do tema um dos seus principais cavalos de batalha, usando repetidamente o slogan de que “é preciso deixar as mulheres brilharem”.

Segundo Yoko Ishikura, professora da Universidade de Tókyo, especializada em estratégias de gestão, a iniciativa do governo é muito boa e se as ideias forem adotadas, será um grande avanço nas relações, pois atualmente a posição do Japão é muito baixa em rankings como o relatório do Fórum Mundial sobre a igualdade dos sexos.

Isso é um desperdício de talento, conta Ishikura, já que as mulheres japonesas são bem instruídas. Face ao declínio e ao envelhecimento populacional do Japão, ela sugere que o país deveria fazer com que todas as mulheres com talento que se dispõe a trabalhar tenham um emprego e uma carreira significantes. O estilo laboral que envolve longas e inflexíveis jornadas de trabalho, que dá mais ênfase ao tempo gasto do que aos resultados obtidos, sem um sistema eficiente de avaliação, dificulta a possibilidade de mulheres trabalharem e buscarem uma carreira de sua escolha. A professora observa que algumas iniciativas estão sendo tomadas, como um aumento no número de estabelecimentos para cuidar de crianças, mas ela insiste que o sistema fundamental de trabalho precisa mudar no Japão para permitir que as pessoas que querem trabalhar possam ter um bom emprego e um bom estilo de vida. A conferência WAW irá promover uma visão mais futurística do estilo laboral, promovendo novos setores, novos trabalhos e novos tipos de carreiras, incluindo carreiras múltiplas e o trabalho em casa, para que as pessoas possam ter mais opções.


sexta-feira, 19 de setembro de 2014

A violência urbana – obstáculo para o desenvolvimento sustentável


Uma dos grandes problemas para o desenvolvimento social e econômico de forma sustentável é a violência urbana. A redução da violência está sendo tratada pelas nações desenvolvidas, como uma prioridade global, pois se trata de um grande impedimento para o desenvolvimento. O governo não consegue investimentos em regiões onde predomina um alto índice de violência. Empresas, comércio não se instalam em locais perigosos, travando assim a geração de empregos e conseqüentemente, o desenvolvimento da região. Nações que atingiram certo nível de desenvolvimento foram somente graças a programas de combate aos problemas com a violência.

Quando falamos em violência, um indicador é o número de homicídios. As organizações têm uma ideia de como o homicídio ocorre, quais as razões culturais e sociológicas, por que as pessoas cometem o homicídio. Algumas respostas são: por razões econômicas, outras por razões políticas, outras vezes são por problemas dentro da família, mas cada uma dessas manifestações de violência é um problema na qual os governos têm boas ideias de como tratar, mas acabam esbarrando em políticas internas, corrupção, interesses políticos e mais uma série de fatores que impedem a erradicação do problema.

Todos esses fatores enquadram-se na realidade brasileira, caso o governo não tome uma atitude mais contundente, vamos conviver com o aumento da criminalidade e da violência urbana. Nos últimos dias presenciamos o assassinado de um comandante de uma UPP (unidade de policia pacificadora) no subúrbio do Rio de Janeiro. O capitão Uanderson Manoel da Silva foi morto covardemente defendendo a comunidade. Fatos como esse acabam gerando uma crise de violência ainda maior, pois a policia agora irá fazer uma verdadeira caçada aos assassinos do comandante, decretando uma verdadeira guerra com os marginais.

Há também o fato de que atingir um alto grau de desenvolvimento não bloqueia necessariamente a violência em um país, o maior exemplo são os Estados Unidos, com seus constantes casos de violência em escolas e locais de grande movimentação de pessoas, onde maníacos descarregam suas armas sobre crianças e pessoas inocentes.

São casos distintos, no Brasil há uma razão para os assassinatos, já nos Estados Unidos, não há uma explicação concreta, geralmente são pessoas com sérios problemas mentais que cometem essas atrocidades, deixando a população apreensiva, pois os casos vêm crescendo com o passar do tempo.



A ONU (Organização das Nações Unidas) vem desenvolvendo um programa intitulado ODS (Objetivos do Desenvolvimento Sustentável) cujo principal objetivo de inicio será a promoção da paz mundial, com significativa redução da violência de todas as formas.

Uma das grandes dificuldades da ODS é em relação às estatísticas da violência. Embora todo governo tenha colocado como lei que assassinato é crime, há diferentes tipos de assassinato de acordo com a legislação de cada país. Existe assassinato intencional, acidental, assassinato por razões políticas, assassinato de policiais, então, existem diferentes formas de como os governos lidam com os mesmos fenômenos. E isso torna muito difícil comparar as estatísticas de um governo com outro porque possuem códigos legais distintos. A outra dificuldade é que os governos algumas vezes relutam em compartilhar essa informação sobre crimes porque isso pode ser constrangedor ou porque pode gerar questionamento público sobre se ele está fazendo um bom trabalho ou não. Mas nos últimos sete a dez anos, em parte por causa dos Objetivos do Milênio, a ONU tem trabalhado com governos e acadêmicos para conseguir chegar a algumas definições comuns. Isso permitirá aos governos reportarem estatísticas sobre diferentes tipos de crimes de uma maneira que poderiam se comparadas para dar um quadro geral do crime no mundo. E isso é muito poderoso porque o melhor alicerce para se construir política pública são os fatos. E os governantes estão vendo um consenso emergindo na comunidade internacional sobre como os crimes podem ser definidos e classificados.

Para a ODS, desenvolvimento sustentável significa não jogar simplesmente dinheiro em um problema por um curto período, ou seja, devemos fazer as corretas escolhas de políticas, aquelas que fazem sentido no contexto particular de um país.
Para gerar progresso em diferentes áreas, tem que ser desenhada uma estratégia para cada contexto em particular. E, em geral, sabemos que se você não desenha estratégias e políticas que possam ser levadas adiante no longo prazo – e que serão abandonadas – você não verá ao longo do tempo nenhuma melhora significativa.

Existem sociedades que não tem problemas significativos com violência, mas ainda são muito pobres. E há também países que são ricos e que possuem problemas graves com violência. Há muitas variáveis independentes para essa análise e o ponto é que não há apenas uma explicação que atue em todos os contextos distintos. É preciso entender quais são os principais problemas em um país em particular e tratá-los. A ODS está sendo elaborada agora. Há aspirações, objetivos, esperanças, mas é de bom entendimento que os alvos para qualquer objetivo em particular tem que ser direcionados levando em conta o contexto de cada país individualmente.


A violência faz parte da natureza humana. A questão que todos os governos se deparam é como você muda o comportamento humano de uma maneira construtiva. As pessoas provocam violência por diferentes motivos. Batem nas suas mulheres porque viram suas mães apanhando de seus maridos; abusam de crianças porque foram abusados quando crianças. Ou seja, cometem crimes por muitas razões. As motivações das pessoas são muito complexas e a violência não é um fenômeno que pode ser facilmente explicado. Depende também muito do contexto onde vivem.

sexta-feira, 12 de setembro de 2014

Porque os empregados rendem tão pouco?


Uma pesquisa realizada pela consultoria “BTA” mostra que quase 80% dos empresários brasileiros dizem não acreditar que seus funcionários usem todo seu potencial no ambiente de trabalho.

Para ele, o principal motivo para o baixo desempenho é a insatisfação como desequilíbrio entre a vida profissional e pessoal.

Problemas pessoais, financeiros, insatisfação com suas atividades profissionais, conversas paralelas co colegas no meio do expediente, tudo isso acarreta a baixa produtividade no trabalho.

Outro problema que vem causando problemas para os empresários é a relação dos funcionários com o celular. Atualmente, todos andam conectadas, redes sociais, whatsapp e outras formas de conectividade. Mesmo com restrições ao uso durante o expediente de trabalho, sempre há alguém que consiga burlar a vigilância dos gestores e dão uma conferida nas atualizações dos colegas.

Todos esses fatores refletem diretamente nos resultados da empresa. 75% dos entrevistados pela consultoria, dizem que suas empresas não atuam com desempenho máximo possível e 73% assumem que processo decisório interno é lento – metade considera que as reuniões duram mais que o necessário.



Questionados sobre o tempo improdutivo na rotina do trabalho, 51% afirmam que ele representa de 16% a 30% da carga horária total.

Países como Japão e China, o tempo improdutivo não chega aos 5%. As empresas trabalham com um cronograma muito bem definido, com suas metas cumpridas à risca. Os gestores são cobrados constantemente para que se mantenha a produtividade do pessoa dentro do limite estabelecido.

A mentalidade é outra, os trabalhadores, ao entrarem na empresa, desligam-se do ambiente externo e pessoal, concentrando-se exclusivamente no trabalho, pois sabem que estão sendo avaliados constantemente, dentro do plano de carreira da empresa, onde o rendimento acrescenta vários pontos no critério de avaliação profissional.

Voltando à pesquisa brasileira, outro dado que chama a atenção, é que 62% dos casos de pessoas que apresentam baixo desempenho, são mantidos nas equipes, fato esse, que pode acabar desmotivando os bons profissionais.

Outra conclusão do estudo é o baixo índice de investimento em gestão de pessoas. Dados da pesquisa dão conta de que somente 16% do temo da empresa é dedicado em gestão de pessoas.

São dados para uma melhor reflexão do empresariado, procurar medidas para sanar esses problemas, adotar novos modelos de gestão, caso contrário, a produtividade do negócio, estará seriamente comprometida.



terça-feira, 26 de agosto de 2014

Baixo índice de natalidade no Japão compromete economia de pequenas cidades


Nas cidades mais afastadas das metrópoles japonesas, paira o ar interiorano, tranqüilidade, índice de violência zero, excelente qualidade de vida. Mas apesar de todos esses atrativos, uma grande preocupação tem ocupado a mente dos governantes japoneses. O baixo índice de natalidade e o constante aumento do número de idosos.

Os jovens ao atingir a maioridade, buscam empregos nas grandes cidades, e abandonam suas cidades, permanecendo apenas os idosos.

Localizada a cerca de duas horas de trem da capital japonesa, Onjuku sofre de um problema comum a quase metade das cidades, distritos e povoados japoneses: a queda constante e crônica da população, que pode levar inclusive estes municípios à extinção.

"É triste ver a cidade definhando aos poucos", lamentou um morador da cidade. "Todo mês vemos no jornal local que o número de mortes é sempre maior do que o de nascimentos", contou.

Segundo estatística do governo japonês, a população de Onjuku diminui em média 0,5% ao ano. Em 1995, a população era de 8.129 pessoas. Em 2013, caiu para 7.632.

Se continuar neste ritmo, em 50 anos a população local será pouco mais de 2,5 mil pessoas.

Dificuldades

Segundo o relatório de uma subcomissão do Conselho de Política do Japão, quase metade dos municípios de todo o país poderá ter dificuldades para continuar operando normalmente até 2040.

O estudo deu especial atenção à população de mulheres com idade de 20 a 39 anos, pois elas são consideradas um fator-chave que irá determinar o futuro da população japonesa.

O grupo, liderado pelo ex-ministro de Assuntos Internos, Hiroya Masuda, definiu cidades, vilas e aldeias cujas populações provavelmente diminuirão em pelo menos 50% ao longo do período 2010-2040.

Pesquisadores da comissão explicaram à BBC Brasil que a estimativa foi feita com base em várias estatísticas do Instituto Nacional de População e Pesquisa da Segurança Social.

No total, 896 municípios, ou 49,8% do total do país, foram indicados como locais que podem desaparecer.

O relatório também alertou que 523 localidades cujas populações estão abaixo de 10 mil moradores – o que representa cerca de 30% do total – têm uma alta propensão a "quebrar" já nas próximas décadas, a menos que medidas eficazes sejam tomadas.

"Infelizmente, esse problema tem sido ignorado há muito tempo, porque ninguém quer falar sobre um futuro desfavorável. Agora, nós (japoneses) devemos reconhecer essa grave questão", comentou uma fonte da subcomissão.

Cidade grande

Em contrapartida, a população nas grandes cidades tem aumentado o que sugere que as pessoas estão deixando os pequenos municípios, onde quase não há oferta de emprego, para buscar oportunidades fora.
Kazuya Shiton, 25, de Onjuku, conta que está planejando deixar a casa dos pais e buscar um emprego melhor em Tóquio ou outra cidade maior.

O jovem, que trabalha na construção de vias públicas, explicou que o serviço atual é ruim e rende pouco dinheiro.

"Aqui também não há locais para lazer para os jovens", lembra. "Todos os meus amigos já se mudaram para outras cidades. Não vejo outra saída."

Para a subcomissão do Conselho de Política do Japão, o problema mais grave é que muitos destes jovens que vão para a capital japonesa não têm filhos.

"Criar uma criança em um ambiente como Tóquio é muito caro. Além da dificuldade de encontrar creches, a assistência é pouca para os pais, o que contribui para a baixa taxa de natalidade verificada na capital japonesa", explicou a fonte da subcomissão.

Para tentar resolver o problema, o governo japonês deve anunciar no próximo mês a criação de um comitê que vai tratar exclusivamente da regeneração de cidades do interior, focado principalmente na criação de postos de trabalho para jovens e no aumento da taxa de natalidade.

Contra a corrente

Por conta própria, o empresário americano Del Ricks abraça a ideia. Instalado em Onjuku apesar dos riscos econômicos, ele é só sorrisos.


"Não tenho do que reclamar", falou. "Enquanto a maioria dos comerciantes locais trabalha mesmo apenas dois meses por ano, nós temos clientela fixa por oito meses."

Ricks dá aulas de surf, aluga equipamento para a prática do esporte, tem uma lanchonete e ainda oferece quartos para turistas.

"Meu público não é o local. Trabalho com pessoas que vêm de Tóquio", explicou.

Além dos turistas que curtem praia, o casal trabalha principalmente com surfistas – que frequentam a cidade quase o ano todo –, pescadores, mergulhadores e empresas que buscam lugares diferentes para fazer festas para os funcionários.

Para o norte-americano, Onjuku poderia se tornar um local atrativo se o governo investisse mais para trazer jovens empreendedores e aposentados que moram nas grandes cidades.

"Aqui, o custo de vida é muito mais barato, além de ser muito menos estressante", defendeu.

Fonte: BBC Brasil