terça-feira, 1 de setembro de 2015

Parabéns Mogi das Cruzes, 455 anos


Mogi das Cruzes está completando 455 anos, e é uma das cidades mais antigas do Brasil.
Até bem pouco tempo, a cidade conservava os ares de cidade interiorana e preservava seu patrimônio histórico, conservando alguns dos prédios que mantinham sua arquitetura originalmente da época colonial. Mas com o crescimento desordenado, vários empreendimentos imobiliários foram construídos, o aumento populacional foi se acelerando rapidamente, fazendo com que o centro da cidade não mais comportasse o grande fluxo de veículos e pessoas. A solução foi fazer algumas intervenções, como alargamento de algumas ruas, e consequentemente, ocasionando a desapropriação de alguns imóveis entre eles, alguns representativos na história da cidade. Infelizmente é o preço da modernidade, conseguimos até um determinado momento, conviver entre o histórico e o moderno, mas chega uma hora em que não da mais para se manter os dois espaços juntos.

Finalmente deram inicio às obras de construção da passagem subterrânea em frente à estação da CPTM. A obra, um sonho antigo de toda população, vai permitir que a passagem de nível seja desativada, acabando com os intermináveis congestionamentos nos horários de pico.

Mas toda ação tem uma conseqüência: e já percebemos o que está acontecendo. Nesse inicio das obras, muitos motoristas ainda não se readequaram a nova situação, fazendo com que o trânsito que já era difícil, tornando-se ainda pior. A situação ainda vai perdurar por muito tempo, uma obra vultosa dessas, demanda muito tempo, então temos que nos preparar e procurar outras alternativas, buscando vias alternativas, evitando o uso do carro nas áreas centrais, deixando o carro estacionado um pouco mais longe da área central. Senão forem tomadas essas atitudes, o stress será inevitável.

Apesar desses grandes investimentos, ainda há muito a ser feito, principalmente nos bairros mais afastados, onde a falta de infraestrutura é latente. Só para citar exemplos, bairros como Jundiapeba e Botujuru ainda convivem com ruas sem pavimentação, sem rede de esgoto, alto índice de criminalidade, transporte público ineficiente que não consegue atender a demanda nos horários de pico, pois é justamente nesses locais onde há precariedade nos serviços públicos, é onde a população de baixa renda se concentra.

Rua do Bairro de Jundiapeba
Aqui em Mogi como em qualquer outra cidade brasileira, a desigualdade social é muito grande. Minha esperança é que a próxima administração volte os olhos para essa desigualdade, buscando uma atuação bem mais efetiva na periferia, proporcionando condições dignas de moradia e serviços públicos eficientes, para que daqui a alguns anos, estejamos aqui comemorando mais um aniversário de Mogi das Cruzes, com muito entusiasmo, com as obras de modernização do centro finalmente concluídas, e que a população esteja plenamente satisfeita e animadora em busca do progresso da cidade.

O que fazer com as casas abandonadas no Japão


Desde que seu vizinho se mudou, há dez anos, Yoriko Haneda fez todo o possível para que a casa que estava vazia não se tornasse uma ofensa para os olhos. Haneda poda regularmente os arbustos, para que eles não interfiram na vista para o mar. Entretanto, não continuou seu trabalho de jardineira na casa seguinte, que também está desocupada e coberta de bambus.

No bairro de colinas a uma hora de Tóquio, as casas abandonadas são contadas em dezenas.

— Há casas vazias por todas as partes, lugares onde não vive ninguém há vinte anos, e a cada vez elas aumentam mais — diz Haneda, aos 77 anos, que logo se queixa dos ladrões que entraram duas vezes na casa vazia de seu vizinho e do tufão que causou danos ao telhado da outra casa.

Embora a aversão ao desperdício esteja enraizada na idiossincrasia japonesa, as casas abandonadas se espalham por todo o Japão. O índice de imóveis residenciais desocupados a longo prazo aumentou significativamente, acima dos valores dos Estados Unidos e da Europa, e a ilha tem atualmente cerca de oito milhões de casas vazias, segundo dados do governo. Quase metade delas foram abandonadas e completamente esquecidas. Nem sequer estão à venda ou para alugar. Simplesmente estão aí, com seus variados graus de deterioração.

Essas casas fantasma são o sinal mais visível do retrocesso populacional em um país cujo número de habitantes alcançou seu recorde há cinco anos e que, segundo as previsões, se reduzirá em dois terços durante os próximos cinquenta anos. A pressão demográfica tem sido um peso para a economia, já que uma população economicamente ativa cada vez menor deve financiar o crescente número de idosos. Além disso, tem gerado um intenso debate sobre propostas para fomentar a imigração ou para incentivar as mulheres a terem mais filhos.

Por enquanto, depois de décadas de luta contra a superpopulação, o Japão enfrenta o problema inverso: quando uma sociedade encolhe, as autoridades se questionam sobre o que se deve fazer com as edificações que já não são mais necessárias.

Muitas das casas desocupadas no Japão foram herdadas por pessoas que não precisam delas, mas que tampouco podem vendê-las por falta de compradores interessados. No entanto, demoli-las levanta questões complicadas sobre os direitos de propriedade e sobre quem deveria pagar essa despesa. Neste ano, o governo aprovou uma lei de impulso à demolição da maioria das casas em estado avançado de abandono. Mas, segundo os especialistas, a onda de novas casas vazias seria difícil de parar.

— Tóquio poderia terminar rodeada de muitas Detroit — diz Tomohiko Makino, especialista imobiliário que estudou o fenômeno das casas vazias.

Este fenômeno, que se limitava a localidades remotas, hoje alcança as cidades regionais e os subúrbios das grandes metrópoles. Mesmo na movimentada capital, a porcentagem de residências desocupadas está aumentando.

A cidade de Yokosuka está em linha de fogo. Com Tóquio à disposição para o trabalho e cercada de bases navais e de fábricas de automóveis, a cidade sabia atrair milhares de jovens em busca de trabalho na época do pujante crescimento econômico do pós-guerra. Nesta época, a terra era escassa e cara e, assim, os recém-chegados construíram casas pequenas e simples.

No entanto, esse surto se inverte inexoravelmente. Os jovens trabalhadores do pós-guerra são agora aposentados, e muito pouca gente, nem sequer seus filhos, querem ocupar estas casas.

— Os filhos desta geração agora vivem nas torres do centro de Tóquio. Para eles, a casa da família é um peso e não uma propriedade — diz Makino.

A taxa de nascimento do Japão está desde a década de 1970 abaixo do número necessário para manter a estabilidade demográfica, porque os jovens se casam cada vez mais tarde e as mulheres, ao ingressarem no mercado de trabalho, adiam a maternidade.

A cidade de Yokosuka está tentando reverter isso, incentivando os proprietários das casas abandonadas a limpá-las e a colocá-las no mercado em um "banco de casas vazias" online, onde podem mostrar propriedades de que as imobiliárias nem sem aproximam.

Os raros interessados pagariam uma verdadeira pechincha, mas até agora só uma residência foi vendida: uma casa de madeira de apenas um andar, sessenta anos de idade e um pequeno jardim, que estava avaliada em U$ 5,4 mil.

E há terrenos mais elevados, na subida das encostas, que podem ser comprados por algumas centenas de dólares. Quatro casas foram alugadas, uma delas a estudantes de enfermaria que conseguiram um desconto para, em troca, cuidar da saúde dos idosos da região.

Outras cidades testaram suas próprias soluções criativas, como oferecer reembolso efetivo aos outsiders que decidirem comprar e se mudar para uma casa. Algumas cidades conseguiram seduzir grupos de artistas e trabalhadores independentes que podem se manter conectados com clientes na cidade através da internet.

Existe até mesmo um projeto artístico próspero, o Echigo-Tsumari Art Field, que converte edificações desocupadas de uma série de pontos do nordeste em obras de arte. Os visitantes podem passar a noite em uma "casa de sonho", desenhada pela artista Marina Abramovic, que tem camas em formato de caixões e luzes coloridas para estimular os sonhos, ou recorrer a outros edifícios que foram esculpidos, pintados ou preenchidos com esculturas.

— Talvez não sejam utilizadas com seu propósito original, mas é importante que se conservem fisicamente. O importante é preservá-las para algo positivo — diz o fundador do projeto, Fram Kitagawa.

Entretanto, os números brutos sugerem que a quantidade de casas que podem ser recuperadas para habitação é limitada. Espera-se que a população atual de 127 milhões de pessoas do Japão se contrairá em um milhão por ano durante as próximas décadas. Os esforços para aumentar a baixíssima taxa de natalidade do país têm sido mal sucedidos e a população não parece disposta a se abrir à imigração em massa.

— Temos infraestrutura demais — diz Takashi Onishi, professor de planificação urbana e presidente do Conselho de Ciências do Japão.

O governo, segundo Onishi, acabará cortando os serviços públicos, como a água e a manutenção de estradas e pontes das zonas menos habitadas:

— Não podemos manter tudo isto. Temos que tomar decisões duras.

A solução mais direta para as casas abandonadas é demoli-las antes que elas se convertam em um perigo ou que estes bairros ganhem fama de inabitáveis. No entanto, muitas vezes é difícil rastrear seus proprietários, que não querem arcar com os custos da demolição.

Hidetaka Yoneyama, especialista do Instituto de Investigações Fujitsu, disse que até pouco tempo atrás as casas do Japão eram construídas para durar apenas cerca de trinta anos, mas logo eram demolidas e reconstruídas. A qualidade das construções está melhorando, mas o mercado de imóveis usados continua pequeno. As construtoras continuam produzindo mais de 800 mil casas e condomínios ao ano, apesar da abundância de casas vazias.

— Na era do boom econômico, isso era conveniente para todos — diz Yoneyama. Mas dentro de vinte anos, segundo alguns cálculos, mais de um quarto de todas as casas do Japão estarão vazias. — A coisa se inverteu. A população encolhe e ninguém quer viver nestas casas antigas.



sexta-feira, 28 de agosto de 2015

Japão Barateia Presentes a Seus Centenários para Economizar Custo

Yasutaro Koide, de 112 anos, foi reconhecido o homem mais velho do mundo

Os cidadãos japoneses com mais de 100 anos deixarão de receber a tradicional taça de prata que o governo costuma entregar a todos seus cidadãos que completam 100 anos porque seu aumento progressivo está afetando os cofres públicos.
O Executivo japonês, que começou esta prática em 1963, decidiu buscar uma alternativa mais barata ao presente comemorativo avaliado em 7.600 ienes (cerca de R$ 230), informou nesta quinta-feira (27) a emissora pública japonesa "NHK".
No ano que se pôs em prática a iniciativa, o Japão contava com 150 centenários entre seus cidadãos, mas na atualidade o número se multiplicou por mais de 200.
Segundo dados do Ministério da Saúde, Trabalho e Bem-estar, neste ano 32.400 pessoas receberão a singular taça, o que representará um custo estimado de 260 milhões de ienes (R$ 7,85 milhões).
Taça de prata entregue aos japoneses que completam 100 anos
O governo japonês substituirá a partir do ano que vem essa taça por outra feita com lâminas de prata, uma mudança com a qual prevê cortar a despesa pela metade.
O Japão tem a maior expectativa de vida do planeta. Os centenários registrados no país asiático chegam a 58.820, o que representa 46,21 por cada 100.000 habitantes, segundo dados governamentais de setembro de 2014.
O envelhecimento da sociedade japonesa representa, entre outros aspectos, um grande desafio para o sustento atual do sistema de saúde e de previdência da terceira economia do mundo.

Fonte:Época

terça-feira, 25 de agosto de 2015

Japão lança aplicativo que permite acesso à Wi-Fi gratuito para turistas


O que seria dos smartphones sem os aplicativos? Ferramenta indispensável, seja na vida social, trabalho ou lazer. E para quem viaja pelo mundo, um dos maiores pesadelos é sem dúvida, ficar desconectado.
Mas esse tormento está prestes a acabar, pelo menos no Japão! Um aplicativo gratuito, lançado recentemente no país, vai facilitar a vida dos turistas.
Japan Connect-Free Wi-Fi foi lançado para promover a experiência de utilizar internet gratuita e de qualidade enquanto se faz compras em lojas de conveniência no país. Com alcance de 40 mil espaços, incluindo marcas como Family Mart, Lawson e 7-Eleven.
O aplicativo também permite ao usuário o acesso ao wi-fi gratuito em mais de 130 mil pontos do Japão incluindo os aeroportos de Narita e Kansai, estações de metrô e em diversos pontos.
Pelo Mundo
De acordo com um levantamento divulgado pela Flurry, – uma empresa de análise de aplicativos do Yahoo! – de 2014 para 2015, o número de dispositivos inteligentes cresceu de 1,3 bilhão para 1,8 bilhão, o que representa um aumento de 38% de um ano para o outro.
O número de usuários que utilizam aplicativos entre uma vez e 16 vezes por dia, cresceu de 784 milhões para 985 milhões no mesmo período, um aumento de 25%. Já o número de usuários muito ativos, que usam aplicativos entre 16 e 60 vezes por dia, cresceu ainda mais: de 440 milhões para 590 milhões (aumento de 34%).
Clique aqui para conhecer e baixar o aplicativo.
Fontes: OGlobo / Panrotas

segunda-feira, 24 de agosto de 2015

Conheça o primeiro aeroporto que funciona somente com energia solar

Aeroporto de Cochin na Índia
O aeroporto internacional de Cochin, no sul da Índia, se tornou nesta semana no primeiro do mundo que funciona completamente com energia solar, graças a um sistema de dezenas de milhares de painéis que nutrem a instalação e lhe dão completa autonomia energética.
Caminhar sob o sol entre os vários painéis perfeitamente alinhados na esplanada que termina na cerca exterior do aeroporto de Cochin é como passear por um vinhedo de placas escuras entre as quais se sobressaem as cabeças dos trabalhadores.
São 48.154 painéis fotovoltaicos sobre uma superfície de 20 hectares de terras que não tinham nenhum uso até que em fevereiro a empresa alemã Bosch começou uma instalação que hoje gera 12 megawatts diários de energia, mais do que suficiente para que o aeroporto do estado sulista de Kerala seja auto-suficiente.

"Havia um espaço disponível, que previamente foi pensado para a futura expansão do terminal de carga, mas que achamos que podia ser usada para construir uma usina de painéis solares", afirmou à Agência Efe o diretor-geral do aeroporto de Cochin, José Thomas.
A usina prevê gerar 18 milhões de unidades de energia solar ao ano, o equivalente para abastecer de eletricidade 10 mil casas ao mesmo tempo.
Em uma das estações de controle do sistema, trabalhadores e engenheiros trocam opiniões sobre os dados divulgados após os primeiros dias de funcionamento.
A tela que aponta todos os dados em tempo real mostra como os medidores caem quando uma nuvem passa sobre o lugar e voltam a disparar quando o sol se projeta sobre o manto cristalino de cor negro.
Não há perigo de não acumular suficiente energia; com o funcionamento da nova usina de energia solar, a terceira e maior do complexo, que já contava com outras duas menores previamente, calcula-se que conseguirá de 50 mil a 60 mil unidades de eletricidade ao dia, quando as necessidades do aeroporto rondam 48 mil.
"Com as três usinas solares em conjunto geramos um excedente diário de energia que poderíamos vender", confirmou Thomas.
A ideia de que o quarto aeroporto em tráfego internacional da Índia fosse auto-suficiente começou a ser pensada em março de 2013 com vários projetos que se desenvolveram em paralelo ao aumento do trânsito de aviões.
"Nossas previsões eram boas com as duas primeiras usinas solares e pensamos: por que não fazer um aeroporto capacitado para gerar sua própria provisão de eletricidade?", relatou à Efe o diretor-fundador da instalação aeroportuária, V. J. Kurian.
O projeto desta grande usina de energia solar, com um custo próximo de US$ 10 milhões, foi apresentado através de uma licitação na qual 18 empresas internacionais concorreram pelo contrato, que finalmente foi conquistado pela alemã Bosch.
painéis fotovoltaicos que alimentam o aeroporto
Um investimento que, no entanto será mais do que rentável, segundo o diretor do aeroporto de Cochin.
Com o que economizamos com a implantação dos painéis, em cinco anos, segundo os cálculos, "teremos pago o custo da construção com o que deixamos de gastar", sentenciou Thomas.
Através de sua filial na Índia, a Bosch construiu a instalação em quatro meses, transformando o aeroporto internacional de Cochin no primeiro "aeroporto verde do mundo".
"Tudo está como prevíamos, inclusive melhor do que nos teste prévios, e esperamos que no futuro siga melhorando", afirmou à Efe o diretor do departamento de Energia Solar de Bosch, Pradeepa K. S.
Dado o primeiro passo, o aeroporto já pensa em ir além de gerar sua própria eletricidade e pretende reciclar a água.

"Estamos muito contentes com o que conseguimos com a usina de painéis solares, mas seguimos realizando estudos focados no novo terminal internacional para seguir sendo um aeroporto verde", concluiu V. J. Kurian, agora secretário-chefe auxiliar do governo. 
Fonte: Exame Meio Ambiente e Energia

quinta-feira, 6 de agosto de 2015

Em museu no Japão, cartas de despedida de kamikazes são reveladas

cartas escritas pelos pilotos kamikazes

Durante a Segunda Guerra Mundial, uma das “armas” usadas pelos japoneses, eram o pilotos Kamikazes. Eram pilotos suicidas que jogavam seus aviões carregados de bombas, contra alvos inimigos. Há exatamente 70 anos, esses pilotos participavam de sua última batalha.
Nas cartas, é revelado como a guerra pode ir fundo na vida das pessoas. Nas missões sem volta, eles escreviam cartas de despedida para suas famílias e algumas delas, foram reveladas só agora.
Em Chiran, no sul do Japão, uma planície cercada por montanhas é coberta por plantações de chá. A ideia que se tem de um lugar assim, é que seja calmo, mas nem sempre foi assim. Exatamente de lá, decolavam os pilotos mais conhecidos da Segunda Guerra Mundial: os kamikazes.
Eram as últimas batalhas a serem travadas na pior guerra da história. Tropas americanas avançavam e a tática suicida poderiam detê-los: lançar os aviões diretamente nos alvos, causando assim, mais estragos durante o ataque.
Na década de 1940, Chiran abrigava um centro de treinamento, de tudo, restou apenas antigos depósitos de óleo e munição. E essa é uma das histórias contadas em um museu, muito frequentado. Onde os mais de quatro mil soldados que morreram nas missões são lembrados.
Este museu, vai além de apresentar algumas peças antigas, tenta nos fazer entender aquele período, aquelas pessoas envolvidas. Para isso, conta com um acervo muito raro, feito de papel e tinta: cartas. Os pilotos escolhidos ficavam sabendo das suas missões somente na véspera. Era quase um hábito, tomavam saquê e deixavam uma carta.
Um dos responsáveis pelo museu, Takeshi, se comove toda vez que lê a carta deixada por Fujio Wakamatsu, como tantos outros kamikazes, um jovem de 19 anos: “Querida mãe, não tenho nada a falar neste momento. Estou indo, com sorriso, para uma missão, que considero como meu último ato de devoção a você. Não chore: deposite doces no meu altar pela tarefa cumprida”.
Takeshi explica que “eles sabiam a importância de defender o país, tinham medo do que poderia acontecer no caso de uma invasão inimiga”.
Em Nagasaki, no oeste do país, um senhor de 89 anos conhece muito bem as cartas, foi ele quem reuniu todas para o museu. Tadamasa Itatsu quis honrar os colegas de farda: durante a guerra, ele foi treinado para ser um piloto kamikaze.
Em duas circunstâncias ele escapou da morte: primeiro, o avião falhou e foi necessário um pouso de emergência, na segunda vez, a missão foi cancelada devido ao mau tempo. “Carreguei durante anos um sentimento de culpa, de vergonha, por não ter morrido como os outros colegas. Para esquecer essa agonia, me dediquei ao trabalho de recuperar os textos”, diz Tadamasa Itatsu.
Itatsu leu todas as cartas e afirma que não há arrependimento em nenhuma delas. A tristeza estava gritante em cada uma delas, mas todos os pilotos eram voluntários.
Por mais que fossem mensagens curtas, como a de Toyoje Shimote, que escreveu apenas: “pela minha nação”, ou até mesmo, símbolos do sacrifício a quem ou o que esses homens se dedicavam. Masanobu Kuno, o tenente-coronel, morreu em maio de 1945, e deixou para seus dois filhos, de dois e cinco anos de idade: “Apesar de invisível, sempre estarei olhando para vocês. Escutem bem o que a mamãe diz e sejam obedientes. Quando crescerem, sigam seus desejos e se tornem japoneses dignos. Não tenham inveja dos outros que têm pai”, escreveu ele.
Em programa chamado “Memória do Mundo”, o governo do Japão quer que as cartas sejam reconhecidas pela Unesco. São documentos que registram ações que influenciaram o curso da história, seja positiva ou negativamente. “Queremos mostrar a crueldade da guerra para o mundo e o que ela é capaz de fazer, como as missões kamikaze. Que essa tragédia não se repita nunca mais”, garante Takeshi.
Fonte: G1

terça-feira, 4 de agosto de 2015

Japão ameaça deixar o pacifismo, 70 anos depois

Memorial da Paz em Hiroshima

Hibakusha é a palavra em japonês usada para nomear os sobreviventes das bombas de Hiroshima e Nagasaki, cujo 70º aniversário acontece este mês — assim como a rendição japonesa e o fim da Segunda Guerra Mundial. Significa “pessoa bombardeada” e calcula-se que atualmente existam 193 mil delas no país. Trata-se de um grupo muito especial, vítimas de cicatrizes e suposta radiação, e com forte autoridade moral.

E nos últimos dias um grupo deles chamou atenção ao se unir aos imensos protestos contra a decisão do primeiro-ministro Shinzo Abe de rever uma interpretação constitucional, apoiada pelos EUA, para devolver ao Japão a capacidade de intervir em conflitos bélicos. O político conservador, que sempre foi relutante em aceitar as atrocidades cometidas pelo Japão no passado, conseguiu que seu Conselho de Ministros aprovasse uma interpretação da Constituição redigida pelos EUA pouco depois da rendição. Até agora, o artigo 9 da Constituição japonesa impedia o país de recorrer ao uso da força em conflitos internacionais.

Uma vez que a Câmara Alta aprove definitivamente a nova lei, o Japão poderá defender aliados como os EUA, caso sejam vítimas de um ataque armado, bem como participar em operações de segurança das Nações Unidas. Tóquio poderia aprovar mais facilmente o envio de suas Forças de Autodefesa para áreas de conflito e ainda ampliar o apoio logístico às missões de paz no exterior

Mas, para os hibakushas, assim como para 73% da população, de acordo com uma pesquisa recente, a interpretação é muito vaga para justificar qualquer aventura militar no futuro. E seria a negação da essência do Japão moderno e pacifista que se dedicou a seu desenvolvimento e enterrou a vergonhosa historia de invasões e crimes de guerra cometidos até a Segunda Guerra Mundial.

Durante as massivas manifestações de 15 dias atrás, o grito era “Hibakushas nunca mais, não mais Hiroshimas, não mais Nagasakis!”, segundo as agências de notícias. E é o que os hibakushas têm a dizer sobre o tema, que sempre será importante para a sociedade japonesa.

Em 1989, a Associação Nacional de Hibakushas publicou uma série de quatro livros com depoimentos dos sobreviventes e desde então a obra se transformou em uma das lembranças mais dolorosas do que aconteceu nos dias em que as bombas caíram. Cada história tem um padrão macabro em comum: a liquidação de Hiroshima e Nagasaki, a angústia, a doença e o estigma nas décadas seguintes. Uma mulher anônima de Nagasaki, que tinha 19 anos quando a bomba caiu, descreve um vizinho, que deveria estar preparando o almoço. “Eu vi seu esqueleto de pé. Eu vi pessoas queimando os corpos dos mortos. Aqueles ossos brancos como marfim espalhados aqui e ali”, conta a testemunha.

Em agosto do ano passado, em uma cerimônia comemorativa pelos 69 anos de lançamento da bomba, a hibakusha Nagasali Miyako Jodai criticou o governo de Abe pelo seu interesse no poder atômico e sua agenda de segurança, que ela chamou de “uma afronta à Constituição pacifista do Japão”. Hiroshi Shimizu, secretário-geral de Hiroshima Hidanko, organização de hibakushas, faz eco deste sentimento:

— Nossa época se transformou em uma época muito perigosa. A atmosfera no Japão agora nos faz lembrar os 10 anos de silêncio após a guerra, quando uma lei secreta de Estado ocultava os registros e até a existência dos hibakushas”.

De acordo com o primeiro-ministro, a diplomacia dos EUA e até mesmo alguns meios de comunicação influentes, como o “Financial Times” (adquirido recentemente pelo grupo japonês Nikkei), a decisão é justificada pela mudança geopolítica na região. Agora, dizem eles, a presença expansionista da China e a sempre ameaçadora postura nuclear da Coreia do Norte fazem necessário que o Japão possa ter certa capacidade de dissuasão.

Em um editorial publicado na sexta-feira, o “Financial Times” sustenta que “as mudanças são justificáveis. O crescimento de uma China militarmente mais musculosa altera a paisagem de segurança do Japão”. A ideia, de cara, não agradou a China.


— Solenemente pedimos ao lado japonês que assuma as duras lições da historia, que se agarrem ao caminho do desenvolvimento pacífico, respeitem as principais preocupações de seus vizinhos asiáticos e não comprometam a soberania da China e os interesses de segurança regional danificando a paz e a estabilidade — disse Hua Chunying, porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, de acordo com uma reportagem do “New York Times”.

Para a maioria dos japoneses, segundo as pesquisas recentes, a decisão é uma traição às vítimas das bombas e ao pacifismo do Japão. E é por isso que se espera que este aniversário seja um dia triste para os hibakushas.


Fonte: O Globo



sexta-feira, 24 de julho de 2015

Fraude contábil no Japão

Presidente e diretores da Toshiba pedem desculpas por manipulação de balanços

Para quem trabalha na área contábil sabe muito bem que a manipulação de balanços não é uma prática nova, nem no Brasil, nem no restante do mundo.

No exterior, a manipulação de resultados visa o aumento artificial do lucro, já no Brasil a manipulação sempre foi feita para reduzir lucros. Essa diferença se da pelo fato de lá fora o aumento de lucros visava atrair investidores no mercado de capitais, enquanto que aqui no Brasil a diminuição de lucros sempre visou à sonegação de impostos.

Nesta semana veio a público a noticia de que executivos de alto escalão da multinacional japonesa Toshiba, estavam sistematicamente envolvidos na manipulação de lucros da empresa. A manipulação acusou nos seus demonstrativos contábeis lucros de US$ 1,22 bilhão no período de 7 anos, números muito acima da realidade da empresa. O relatório dos analistas aponta os diretores e responsáveis pelo departamento contábil de não ter consciência ou conhecimento necessário das práticas contábeis adequadas.

O reflexo do escândalo foi imediato. O presidente da Toshiba, Hisao Tanaka, o vice-presidente do conselho de administração, Norio Sasaki, e o conselheiro Atsutoshi Nishida, renunciaram aos seus cargos na terça-feira (21/07), juntamente com oito diretores, ou seja, metade do conselho de administração.

Agora a Toshiba enfrenta dificuldades para formar uma nova equipe administrativa, após a dissolução de quase todo seu conselho.

Segundo a empresa, diretores independentes formarão a maioria do conselho de administração e o comitê de auditoria interna será chefiado por uma pessoa de fora.


terça-feira, 14 de julho de 2015

O que está acontecendo com Mogi das Cruzes?

pai chora ao lado do corpo de jovens assassinados em Mogi das Cruzes
Mogi das Cruzes passou por momentos de terror na semana passada, as vésperas do feriado de 09 de julho, uma chacina que vitimou jovens no bairro Jardim Universo em plena luz do dia. Horas depois, ônibus foram incendiados em pontos diferentes da cidade. Indícios apontam que se trata de ações retaliadoras aos assassinatos.

O que está acontecendo com nossa cidade? Nós sentíamos orgulho de morar em Mogi, com tantas qualidades como, proximidade com a capital e litoral, ótima infraestrutura do comércio e serviços, entre outros. A cidade que vem em processo de pleno crescimento, mas mantendo aspectos de cidade interiorana, está ganhando notoriedade por fatos negativos. Trânsito, violência, falta de espaços de lazer, transporte público de má qualidade. Os antes, problemas das grandes cidades agora são uma constante em Mogi. A cada debate sobre o tema, porém, fica a pergunta: afinal, como melhorar? O que podemos fazer para lidar com questões tão complexas?

Mogi das Cruzes

Mogi das Cruzes cresceu em um todo, não só nos bairros mais valorizados, mas também em direção as áreas mais isoladas, onde a carência por serviços básicos ainda é grande. É nesse clima onde os conflitos sociais tendem a ser mais intensos.

Acredito que atual administração priorizou a urbanização do centro da cidade em detrimento ao combate aos problemas sociais nas áreas periféricas.

- É claro que necessitamos de uma melhoria na área central, afinal a cidade é antiga e não estava preparada para receber esse aumento significativo no fluxo de veículos e de pessoas. Mas esse aumento da população acaba gerando problemas sociais, falta de emprego, moradia, saneamento básico, transporte, etc. Para quem têm boas condições financeiras, as ofertas de imóveis não param de crescer. Já para as classes menos favorecidas, só lhes resta buscar moradia em locais afastados, onde o aluguel cabe no seu bolso.

As maiores queixas dos moradores desses bairros são: saneamento básico, transporte público e a falta de policiamento. Com o crescimento populacional, esses problemas vêm à tona com maior intensidade, e temos percebido que nos últimos anos não foi dada a devida atenção a essas áreas.

No livro Morte e Vida das Grandes Cidades (1961), a jornalista americana Jane Jacobs relata um fato que estava se tornando comum em algumas cidades americanas: “Muitas cidades nos Estados Unidos sofrem de um fenômeno chamado ‘cidade abandonada’, que significa que o espaço público tem sido negligenciado ao ponto em que as pessoas dispensaram a vida na cidade.”

O que podemos perceber é que todo planejamento para Mogi das Cruzes, é resolvido dentro dos escritórios, das áreas técnicas, muito pouco atentas ao que de fato estava acontecendo quanto ao comportamento das pessoas, um planejamento feito de cima para baixo.


Segundo o urbanista Ricardo Correa, é preciso projetar esse lugar ideal. “Porque, senão, você só se importa com o fluxo de pessoas e mercadorias. A cidade vai se tornar um lugar insalubre, só de transição”.

sexta-feira, 26 de junho de 2015

Playground inclusivo


Nos últimos anos o Brasil obteve um avanço significativo em se tratando de acessibilidade. Hoje já vemos os cruzamentos com calçadas rebaixadas, banheiros adaptados, elevadores em estações de metrô, etc.

Mais uma coisa que ainda é difícil de se encontrar, são playgrounds com brinquedos adaptados para crianças com deficiência. Em outros países são comuns os parques públicos com brinquedos que possibilitam a diversão tanto de crianças com deficiência ou não.

Em São Paulo, no Parque do Ibirapuera existe uma área denominada “Playground Inclusivo”, que são brinquedos projetados para integrar crianças com e sem deficiência. Com rampas de inclinação suave, inscrições em braille, piso tátil e suportes ao alcance de uma criança sentada em uma cadeira de rodas, o playground propõe brincadeiras que misturam equilíbrio, força e estímulos sensoriais na medida exata para que crianças cadeirantes, cegas, surdas, com deficiência intelectual ou múltipla possam divertir-se com o máximo de autonomia.

Em outro parque de São Paulo, o “Ceret” localizado no bairro do Tatuapé, foi inaugurado no dia 30/06/2015, o primeiro playground verdadeiramente inclusivo da cidade de São Paulo. Todos os brinquedos adaptados para atender as crianças com deficiência foram doados pela Fundação Sergio Contente.


“Quem sabe o prefeito não se sensibilize com o playground inclusivo e leve a ideia para outros parques”, disse Sérgio, idealizador e mantenedor da Fundação.

A alegria e a emoção estavam nos rostos das mães e crianças, lagrimas escorriam pelos olhos das mães que muitos pela primeira vez estavam tendo a oportunidade de verem seus filhos brincarem em um parque público pela primeira vez.

Essa é uma ideia a ser seguida, precisamos de muitos mais parques como esse. Se você governante, administrador público, gostou da ideia e pretende implantar na sua cidade ou região, entre em contato com a Fundação Sergio Contente, que lá irá encontrar todas as instruções de como adquirir esses brinquedos.

Entre em contato com a fundação no site: http://fundacaosergiocontente.org.br/


quarta-feira, 24 de junho de 2015

Japão prepara importação de empregadas domésticas


Uma das grandes dificuldades da mulher japonesa é conciliar trabalho com as atividades domésticas. No país não existe a categoria de “empregado doméstico”. A tradição japonesa com relação à mulher, mesmo nos dias atuais, continua extremamente machista e desde criança são educadas a realizar as tarefas domésticas.
Mas felizmente, as coisas estão mudando.
O projeto de lei que cria uma “zona especial de estratégia nacional – que será votado no parlamento japonês ainda este ano – poderá abrir caminho para a criação de uma nova categoria de trabalhadores estrangeiros no país: as empregadas domésticas.
Com a criação da zona especial, as províncias de Osaka e Kanagawa serão as primeiras a receber as auxiliares de serviços domésticos na fase experimental do projeto.
A principal intenção do governo é ajudar as mulheres japonesas que desejam entrar no mercado formal de trabalho, mas são impedidas por causa das tarefas domésticas e criação de filhos.
Segundo o texto do projeto, as empregadas domésticas seriam recrutadas no exterior por agências certificadas pelo governo para atuar somente nas “zonas especiais” cobertas pela legislação.
“Isso vai ajudar as mulheres que têm forte desejo de entrar no mercado de trabalho, mas estão presas ao trabalho doméstico.” disse Shigeru Shiba, ministro encarregado das reformas especiais.
No entanto, o governo reconhece que, para o projeto ter sucesso, é necessária uma mudança na cultura das mulheres japonesas, que não estão acostumadas a repassar as tarefas domésticas para outra pessoa, principalmente as atividades relacionadas à criação dos filhos.


segunda-feira, 22 de junho de 2015

Comuns no Japão, máscaras oferecem pouco mais do que proteção psicológica

japoneses usando mascaras na saída da movimentada estação de metrô de Tokyo


Uma das coisas que mais me impressionou assim que desembarquei no Japão, é a quantidade de pessoas que andavam nas ruas com máscaras. Em todo lugar se via pessoas com máscaras, nas ruas, nos trens e metros, no trabalho, na escola. Até me acostumar com a ideia, foi meio complicado, mas depois até comecei a fazer uso das mascaras, mesmo sem saber se sua eficácia era comprovada.


Durante os meses de primavera e inverno, as máscaras cirúrgicas se tornam a principal arma dos japoneses contra o pólen e contra o vírus da gripe. Mas, será que elas são realmente eficazes?
Para os alérgicos ao pólen, que se espalha com o vento durante a primavera, a eficácia das máscaras é comprovada quase que instantaneamente. No entanto, contra os vírus invisíveis, elas oferecem pouco mais do que uma “proteção psicológica”, dizem especialistas.
Com a propagação do vírus assassino MERS, que já matou 23 pessoas na Coréia do Sul, a demanda por máscaras cirúrgicas cresceu vertiginosamente, obrigando uma fábrica no Japão, que produz máscaras com filtros especiais, a dobrar o número de funcionários e recusar pedidos, que partem principalmente de países asiáticos.
Enquanto as máscaras japonesas com filtros especiais, que custam até ¥9,980 (R$ 250,00) a caixa com 10 unidades, oferecem garantia de proteção contra vírus infecciosos, a grande maioria das cerca de 4 bilhões de máscaras vendidas no Japão anualmente não são tão eficazes.
Segundo, o professor do departamento de doenças infeccionais da Universidade de Tohoku, Mitsuo Kaku,“Usar máscaras não é garantia de imunidade”, “Pode-se afirmar, porém, que lavar as mãos regularmente e usar máscaras pode reduzir a propagação de microorganismos”, completou.
Para o Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos EUA, as máscaras “impedem que grande parte dos germes chegue até a boca e nariz, mas não são capazes de filtrar as partículas microscópicas que são transmitidas pela tosse ou espirro.
Desde o início do século 20, cobrir o rosto com uma máscara é uma questão de educação e etiqueta no Japão. Uma pesquisa realizada pela Kobayashi Pharmaceutical, mostrou que 70% dos japoneses acreditam que usar máscaras quando se está com resfriado ou gripe é apenas uma questão de boas maneiras.
Fonte: IPC Digital


quarta-feira, 10 de junho de 2015

Contra crise, moda no Japão são hotéis a preços baixos e com espaço mínimo

Hotel Cápsula no Japão

Com os números de turistas e de preços de hotéis no Japão subindo graças a um iene desvalorizado, empreendedores têm colocado a criatividade para funcionar em um novo nicho de acomodações cheias de estilo, mas baratas, em beliches, cabines e compartimentos de todos os formatos e tamanhos.

A diária para uma noite em um quarto duplo pequeno de hotel com serviço limitado na área central de Tóquio pode custar até 30 mil ienes (US$ 240, ou R$ 750) hoje. Mas, se você procurar um pouco mais, pode ir para a cama com conforto por uma fração desse valor.

A apenas dez minutos de caminhada do famoso bairro de compras Akihabara, em Tóquio, um prédio branco de oito andares chamado Grids fica entre blocos residenciais e de escritório. O hotel, uma conversão de um edifício comercial de 34 anos, aberto em abril, oferece quartos que custam de 3.300 a 5.000 ienes (R$ 82 a R$ 125) por pessoa.

A cama de um beliche em um quarto compartilhado é a opção mais barata, e inclui chinelos, toalha de banho e o uso de um armário com chave.

Uma habitação standard dupla, de 12 metros quadrados, com chuveiro e vasos sanitários compartilhados, custa 3.600 (R$ 90) ienes por pessoa. Se você veio com família ou amigos, o último andar tem um quarto premium, de 28 metros quadrados, com tatames em um piso elevado, onde os hóspedes também podem colocar futons para até quatro pessoas, com custo de 5.000 ienes (R$ 125) por pessoa.

"Converter um prédio de escritórios em hotel é uma maneira ideal de responder à imediata necessidade por leitos de hotéis", disse Yukari Sasaki, executivo da Sankei Building, incoroporador do Grids. "Construir um hotel do zero custa hoje muito dinheiro, por causa dos altos custos de construção".

Geralmente, leva-se cerca de três anos para construir um novo hotel; a Sankei gastou menos de um ano para abrir o Grids desde que começou a planejá-lo, no último verão [do hemisfério norte].

A empresa já prepara outra propriedade para o Grids, no distrito de Nihonbashi, próximo à estação Tokyo, e está planejando novos empreendimentos em Kyoto e Osaka.

Um recorde de 13,4 milhões de estrangeiros visitou o Japão no passado, em parte graças a um iene desvalorizado. O país quer aumentar esse número para 20 milhões até 2020, ano da Olimpíada de Tóquio, e para 30 milhões até 2030.

CABINE DE AVIÃO

A First Cabin também possui hotéis em prédios que antes eram comerciais em seis cidades pelo mundo. A rede cobra cerca de 5.500 ienes (R$ 137) por uma "cabine de classe executiva", com uma cama de solteiro e mais nenhum espaço adicional. Isso representa pouco mais de uma unidade de um dos famosos hotéis-cápsula japoneses, mas há um pé-direito suficiente para os hóspedes ficarem em pé. Por mais cerca de mil ienes (R$ 25), você consegue uma "cabine de primeira classe", com espaço para abrir uma mala e se trocar.
Hotel First Cabin, proporciona um pouco mais de espaço

O First Cabin em Tsukiji, próximo ao famoso mercado de peixes de Tóquio, é um prédio de escritórios que passou por retrofit, com um café no térreo, que vira um "wine bar" à noite. Hóspedes tomam banho em banheiros coletivos, para até dez pessoas.

Também há "hotéis de nove horas", baseados na ideia de que pessoas dormem por sete horas e precisam de uma hora antes e depois do sono, em Kyoto e no Aeroporto Internacional Narita.


Eles caracterizam-se por "módulos de dormir", similares às dos hotéis-cápsula, mas são mais elegantes e alegam possuir colchões melhores.


Fonte: Folha de São Paulo

sexta-feira, 5 de junho de 2015

Eleição de miss Japão negra gera debate sobre racismo no país

Miss Japão - Ariana Miyamoto
Um concurso de miss no Japão vem gerando um debate no país que vai muito além das medidas das candidatas ou dos vestidos usados.
A polêmica ganhou força logo após Ariana Miyamoto colocar a faixa de miss Japão. Tudo porque a jovem de 20 anos é mestiça – sua mãe é japonesa e seu pai, um americano negro.
A vitória de Ariana, que ocorreu em maio, trouxe à tona um problema que não é discutido abertamente no país: o racismo.
A própria jovem contou que decidiu participar do concurso depois do suicídio de um amigo, que também era mestiço.


"Ele tinha 20 anos e sofria com problemas de identidade", disse ela à agência de notícias EFE. "Quando ele morreu, decidiu que tinha de fazer algo a respeito."
Ariana é a primeira japonesa mestiça a representar o país no concurso Miss Universo. No Japão, os mestiços são chamadas de hafu (palavra que vem do inglêshalf, que significa "metade").

 Segundo o correspondente da BBC em Tóquio, Rupert Wingfield-Hayes, é dessa forma que os japoneses definem alguém que "não é estrangeiro, mas também não é completamente japonês".
E Ariana diz conhecer bem essa situação. "Quando digo que sou japonesa, as pessoas não acreditam, dizem 'ah, não pode ser'", conta.
Sua vitória gerou uma onda de repercussões negativas nas redes sociais nipônicas. "É certo eleger uma hafu para Miss Japão?", questionaram muitos internautas.
" Me incomoda pensar que ela representa o Japão", disseram outros.
Segundo o correspondente da BBC, a sociedade japonesa tem uma visão bastante limitada do que significa ser japonês.
"O que vejo nas ruas de Tóquio é algo muito monoétnico", disse Wingfield-Hayes. "Os japoneses têm uma tendência em acreditar que são únicos, mas isso não é verdade: são uma mistura étnica, com coreanos, chineses."
As estatísticas mostram que o Japão já não é o país homogêneo que muitos acreditam.

Futuro heterogêneo

Uma em cada 50 crianças nascidas no país é mestiça, o que equivale a 20 mil bebês por ano. Para o correspondente da BBC, o Japão está mudando.
Mas atualmente, a visão predominante segue sendo conservadora.
Um exemplo disso é a pouca atenção dada pela mídia à vitória de Ariana.
"Definitivamente, eu recebo mais atenção de fora do Japão. Quando ando pelas ruas, nenhum japonês me reconhece, mas muitos turistas estrangeiros me param para me cumprimentar", contou a miss à BBC Mundo.
A grande pergunta agora é o que acontecerá com Ariana se ela conseguir a coroa de Miss Universo, no concurso que ocorre no início de 2016.

Fonte: BBC Brasil