quarta-feira, 26 de dezembro de 2012

Os desafios da preservação do atum azul


O Japão é o líder mundial em consumo de pescados no mundo, atingindo a incrível marca de 60 kg per capita por ano. Para se ter uma idéia da marca, o Brasil tem um consumo de apenas 9,03 kg, sendo que a OMS (Organização Mundial da Saúde) estabelece um consumo médio de 12 kg por habitante.


Uma das mais apreciadas iguarias da culinária japonesa é o atum azul, que devido a pesca desenfreada, corre sério risco de extinção.

Pensando em soluções para esse problema, foi realizado no mês de novembro, uma conferencia internacional, em Agadir no Marrocos, para se discutir sobre as cotas de pesca do atum azul.

A 18ª Reunião Especial da ICCAT, sigla em inglês da Comissão Internacional para a Conservação do Atum no Atlântico, reuniu países como, Japão, Estados Unidos, Canadá, China e União Européia, maiores consumidores mundiais.

A Rede WWF (World Wildlife Fund) que é o Fundo Mundial da Natureza, espera que “tomadores de decisão” e a indústria pesqueira sigam as orientações do Comitê Científico da Comissão Internacional para a Conservação do Atum do Atlântico (ICCAT, sigla em Inglês) e mantenha até 2015 uma quota de pesca máxima de 12.900 toneladas por ano do atum de barbatana azul, no Atlântico Leste e no Mediterrâneo. 

mercado do atum em Tokyo

Nações pesqueiras, incluindo a Turquia e a Croácia, possuem um forte desejo de que as cotas sejam elevadas. Além disso, um comitê da União Européia também decidiu propor à comissão um aumento da cota para 13.500 toneladas.

Ao mesmo tempo, a WWF e outros grupos conservacionistas com sede na Europa e nos Estados Unidos se opõem ao aumento. Dizem que a população de atuns-azuis não se recuperou o suficiente para que as cotas de pesca sejam aumentadas e também afirmam que companhias de comércio do Japão compram atuns-azuis capturados de maneira ilegal.
“A ICCAT precisa manter um alto nível de ambição pela recuperação dos estoques de atum de barbatana azul, uma espécie frágil e um ícone da sobrepesca na última década. Há avanços positivos no manejo da espécie, mas os países signatários e a indústria precisam se comprometer com as orientações científicas, que recomendam quotas máximas anuais”, afirmou Sergi Tudela, coordenador de Recursos Pesqueiros do WWF-Mediterrâneo. 


A atual sinalização de aumento dos estoques do atum-azul é positiva, mas exige cautela. Ela indica que o manejo baseado no esforço conjunto de todas as partes interessadas traz resultados satisfatórios, inclusive para recursos pesqueiros em situação muito preocupante.


"Mas para que a recuperação plena do atum de barbatana azul do Atlântico ocorra na próxima década, os cientistas da ICCAT deixam claro que as quotas de pesca não devem ser aumentadas. Por isso, a Rede WWF conclama os países signatários da ICCAT para que acatem essa recomendação”, disse Tudela.


O foco da ação da Rede WWF pela proteção e recuperação do atum-azul será as medidas de conservação e o chamado “plano de redução da capacidade da frota”, além de medidas para enfrentar a captura ilegal.


A ICCAT adotou um primeiro plano de redução das quotas pesqueiras de atum de barbatana azul em 2008, cujo conteúdo foi revisado dois anos depois. O plano atual termina em 2013, mas uma avaliação recente demonstrou que ele foi baseado em índices subestimados. Ou seja, a pesca acima dos limites suportáveis pela espécie continua. “Ainda há muitos barcos para pouco peixe a ser pescado de forma sustentável”, afirmou Tudela.


Conheça o Projeto Tear


O Projeto Tear é um serviço público de Saúde Mental constituído por oficinas de trabalho artesanal para pessoas em situação de sofrimento psíquico. Localizado no município de Guarulhos/SP, o Projeto Tear iniciou sua trajetória em 2003 por meio de uma parceria entre a Prefeitura de Guarulhos, Associação Cornélia Vlieg e Laboratórios Pfizer.



Atualmente, 120 usuários participam das oficinas de Encadernação & Papelaria Artesanal, Marcenaria & Marchetaria, Serigrafia & Personalização, Tear & Costura, Velas & Sabonetes, Mosaico, Papel Reciclado Artesanal e Vitral que se constituem em espaços de produção, geração de renda e convivência.

No Tear compreende-se o trabalho como um importante instrumento de desenvolvimento humano, em que o resgate da capacidade produtiva a partir do olhar para as potencialidades desses sujeitos contribui para a transformação do lugar de assistidos a participantes, realizadores e produtores de novos lugares sociais, remetendo-os para o exercício da cidadania e fortalecendo laços sociais e familiares.

O Projeto Tear conta ainda com expressiva participação em feiras, exposições e projetos de Economia Solidária e Geração de Renda, proporcionando assim a participação dos usuários na comercialização dos produtos e na administração dos recursos obtidos, que são revertidos à própria oficina para sua sustentabilidade e aos participantes em forma de “bolsa-oficina”.

Uma nova loja do projeto foi ampliada e é toda voltada para a linha ecossustentável. O espaço conta com balcões confeccionados com matéria prima de poda de árvore fornecida pela serralheria ecológica da Prefeitura de Guarulhos.

Além disso, pastilhas decorativas, vitrais e banquetas que dão um toque diferencial ao ambiente são fruto do trabalho desenvolvido nas demais oficinas do projeto.

A coordenadora do projeto, Denise Antunes, destaca que a produção de artesanato sustentável visando o reaproveitamento de materiais tem sido uma das ações dentro de um processo que respeita o meio ambiente e agrega valor ao produto artesanal. “Apostamos tanto no design da nova loja, que parte da estrutura é fruto do trabalho nas oficinas. O resultado foi um novo visual que reafirma a capacidade produtiva e criativa dos participantes do Projeto Tear.”

Os beneficiados pelo Tear são adultos, de baixa renda, com problemas como esquizofrenia, depressão, quadros de ansiedades, selecionados pelo Sistema Único de Saúde de Guarulhos. Ao serem indicados para participar do projeto pela rede de atenção psicossocial, os participantes escolhem entre uma das oficinas do projeto, entre as quais, vitral, mosaico, papel reciclado artesanal, serigrafia, tear e marcenaria.

Além da Loja Tear, os materiais produzidos nas oficinas também podem ser comercializados para empresas. Parte dos valores obtidos com as vendas é revertida para os participantes, contribuindo para a geração de renda. Em 2012, as vendas dos produtos geraram mais de R$48 mil.

“O Tear se destaca pelo pioneirismo enquanto iniciativa de geração de trabalho e renda no campo da saúde mental, estimulando valores como cooperação, coletividade, e promoção de saúde”, diz a coordenadora Denise Antunes.

segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

O Imposto Sobre o Consumo no Japão


No Japão, existem atualmente 50 tipos diferentes de impostos. O nome e a quantia da tributação dependem da natureza e propósito da atividade que é taxada, tais como, renda, transferência de propriedade, consumo e transações, entre outros.

Os impostos são tributados pelos governos nacional, provincial e municipal.

O imposto nacional, tributado pelo governo e o imposto local, coletado pelos governos provinciais e municipais. O imposto nacional inclui imposto de renda, imposto empresarial, imposto sobre a herança, imposto sobre o consumo, etc. O imposto local está dividido em imposto arrecadado pelas províncias (imposto provincial, imposto sobre automóveis, consumo regional, etc.)


O imposto tributado pelo município inclui o imposto do cidadão, imposto de bens fixo, imposto sobre automóveis de pequeno porte, etc.

Dentro do imposto local, há o imposto municipal e provincial que são coletados juntamente. Estes impostos, que chamamos de imposto residencial, são constituídos pelo valor per capita, independente do valor da renda, será tributado a todos os contribuintes pelo valor do calculo baseado na renda do ano anterior.

Imposto sobre o Consumo

Todas as compras efetuadas em território japonês, são taxadas em 5
% sobre o valor da compra, é o famoso imposto sobre o consumo. Você entra no supermercado e pega uma latinha de refrigerante que custa 100 yenes, mas na hora de pagar, irá desembolsar 105 yenes. No cupom fiscal está discriminado o valor da compra, o valor do imposto e o total a pagar.

Algumas transações não sofrem taxação, como por exemplo: compara e venda de terrenos, compra e venda de ações, pagamento de despesas médicas, serviços de bem estar social, etc.

O imposto sobre o consumo foi instituído em 1989, durante a gestão do Partido Liberal Democrático, o PLD, com a taxa de 3%, que era baixa comparada com a de outros países desenvolvidos. Na época, a população reclamou, manifestando-se contrária à criação de mais um imposto, mas com o país passava por um momento de grande crescimento econômico, acabaram aceitando os argumentos do governo.

O PLD, ainda no governo em 1997, elevou a taxa para 5%. A conseqüência da medida veio nas eleições do ano seguinte, quanto o partido teve uma grande derrota na Câmara.

O atual primeiro ministro, Yoshihiko Noda do Partido Democrata, pôs em jogo seu trabalho e decidiu dobrar a taxa de consumo para 10%. O projeto prevê aumentar para 8% em abril de 2014 e em outubro de 2015 atingir 10%, alegando que o sistema de seguridade social pode entrar em colapso, se não for tomada essa medida.

Neste domingo, dia 16 de dezembro, os japoneses foram às urnas para as eleições da Câmara do Parlamento e vimos o impacto causado pelo recém aprovado aumento do imposto de consumo. Como das outras vezes, os eleitores se mostraram altamente contrários a medida e o Partido Democrata teve uma derrota esmagadora, ficando com menos de 2/3 das cadeiras.  O índice de comparecimento às urnas também caiu muito em relação às eleições anteriores, somente 59,32% dos eleitores que se cadastraram para votar, compareceram.

Com o resultado negativo, o primeiro ministro Noda, analisa até mesmo a hipótese de renunciar antes do fim do seu mandato.

Assim como outras nações desenvolvidas, a sociedade japonesa está envelhecendo rapidamente e não há meios para pagar as despesas com aposentadoria.
O Japão gastou com seguridade social mais de um trilhão e 200 bilhões de dólares no ano fiscal de 2010, ou seja, 3,6% a mais em relação ao ano anterior. Porém, as receitas provenientes dos seguros sociais continuam iguais.

Alguns japoneses argumentam que não podem suportar mais taxas. Mais de um milhão e meio de japoneses vivem de auxílios de subsistência. É o maior nível nunca registrado anteriormente. Contudo, o primeiro ministro diz que o governo necessita pagar suas contas e o dinheiro tem que vir de algum lugar.

terça-feira, 11 de dezembro de 2012

A dificuldade em separar o lixo reciclável


Todo mundo já deve ter visto espalhado em algum ponto da sua cidade, lixeiras seletivas, aquelas lixeiras coloridas para  separar diferentes tipos de lixo. Mas na realidade o que presenciamos é que ninguém separa nada, a única preocupação é se livrar do lixo. Isso tudo  deve-se a falta de informação e de campanhas para conscientizar a população a separar o lixo corretamente.



Na verdade, os únicos que se preocupam em separar o lixo, são os catadores de recicláveis, no entanto, a iniciativa visa apenas o lucro, pois é seu meio de subsistência, e o que interessa a eles é a latinha de alumínio, plásticos e papelão, e o restante fica tudo amontoado e  misturado, a espera dos caminhões da coleta urbana.

Fazendo uma pequena pesquisa com algumas pessoas, vizinhos e parentes, todos se dizem dispostos a separar o lixo em suas casas, mas não o fazem por não saberem a forma de fazer a seleção, e por não haver na sua cidade um serviço de coleta seletiva, então pra que separar se no final vai tudo pro mesmo lugar.

Reduzir o lixo

Se o lixo é um problema o  melhor resíduo que existe é o que não foi gerado, pena que é impossível viver sem produzir restos, mas é possível diminuir a quantidade produzida.

Ao repensar a relação que temos com as sobras do lixo doméstico, podemos identificar situações em que outra conduta fará enorme diferença no volume de lixo gerado. Quando fizer compras no supermercado o consumidor pode escolher produtos que venham com menos embalagens  ou com embalagens mais resistentes e reutilizáveis.



Também não podemos ignorar o desperdício de alimentos. Antes mesmo de se tornar lixo os alimentos desperdiçados já são um problema e uma vergonha nacional. O combate à miséria brasileira é batalha de longa data e sempre se soube que o desperdício no Brasil é imenso, provavelmente capaz de reduzir muito a fome em nosso país.

Reciclar e Reutilizar

Quanto aos materiais que podem ser reciclados, eles esbarram em grandes dificuldades. Cada material deve ir para uma fabrica diferente, o que demanda um esquema de separação anterior à coleta. Além disso, nem todas as regiões possuem fabricas que façam a reciclagem de todos os materiais e aí nem sempre adianta separar.

Devido a essas dificuldades torna-se complicado implantar no país o programa dos “três erres” (3 R), que significa, reduzir, reutilizar e reciclar.

É comum que a venda dos materiais não cubra os custos da coleta seletiva e a Prefeitura pode achar que o estímulo à reciclagem não compensa. Por isso é fundamental que o órgão público encare a coleta seletiva de materiais recicláveis não só pela questão econômica, mas como um beneficio social e ambiental para toda a sociedade. Se fizer a coleta seletiva integrada a um importantíssimo sistema de gerenciamento de resíduos, todos os benefícios (sociais, ambientais e econômicos) serão muito maiores.

Esse sistema é a maneira mais completa de lidar como o lixo tóxico, lixo orgânico, aterro sanitário, lixão, impactos da coleta e da disposição, custos, questões de saúde publica e de emprego. Fundamentalmente, cabe ao poder publico pensar na logística, na destinação dos resíduos recicláveis e, sobretudo, na conscientização das pessoas, afinal, a coleta seletiva não significa simplesmente instalar lixeiras coloridas pela cidade.

sábado, 1 de dezembro de 2012

Costa Rica ganha maior usina solar da América Central


Longas fileiras de painéis solares, que produzem eletricidade suficiente para abastecer 600 lares, chamam a atenção no meio do verde característico de La Fortuna de Bagaces, situada na litorânea província costarriquenha de Guanacaste.

Trata-se do Parque Solar Miravalles, a primeira grande usina da Costa  Rica para gerar eletricidade a partir da luz do sol e a maior da América Central, com uma capacidade de 1,2 gigawatts/hora (GWh) ao ano.
A usina, que ocupa uma superfície de 2,7 hectares, conta com 4,3 mil painéis solares de 235 watts de potência cada um e foi construída com uma doação de US$ 10 milhões do Japão.
Painéis  solares do Parque Solar  Miravalles na Costa Rica

A luz do sol captada através destes painéis, constituídos pela união de várias células solares de silício de alta eficiência, acaba transformada em eletricidade em um processo ambientalmente limpo.
A Costa Rica é reconhecida mundialmente por ser um país que supre mais de 90% de sua eletricidade com produção hidrelétrica e eólica, mas, até então, não tinha avançado tanto na geração de energia solar.
O estatal Instituto Costarriquenho de Eletricidade (ICE), que tem o monopólio elétrico do país, estabeleceu pequenas instalações solares em comunidades indígenas e rurais, além uma usina de 15 painéis em seu edifício central. No entanto, o projeto em Miravalles é o primeiro de grande escala do ICE e, inclusive, do país.

Neste aspecto, as autoridades do ICE destacaram que este projeto poderá gerar mais energia limpa para atender a demanda da população e evitar as emissões de gases do efeito estufa que provocam a mudança climática.
"Com esta produção evitaremos a emissão de mais de mil toneladas de dióxido de carbono por ano, um número que equivale ao consumo de cinco mil barris de petróleo", explicou o diretor do Parque Solar, Luis Rodolfo Ajún.
A presidente da Costa Rica, Laura Chinchilla, inaugurou pessoalmente o projeto na quinta-feira passada e assegurou que, com sua operação, a Costa Rica não só aumenta sua capacidade geradora de energia, mas também confirma que seu "crescimento vai seguir através das energias renováveis".
Com sua entrada em operação, o Parque Solar Miravalles enriquecerá uma zona que se transformou em um "corredor" de energias renováveis, já que nesta mesma província se concentram diversos tipos de geração amigáveis com o meio ambiente: solar, geotérmica, eólica e hidrelétrica.
O presidente-executivo da ICE, Teófilo de la Torre, ressaltou que "Guanacaste é agora o celeiro energético do país" e reiterou o interesse da instituição em continuar sua expansão no uso de fontes renováveis.

"De 2010 a 2014 serão inauguradas usinas elétricas renováveis em um total de 435 megawatts (MW), com usinas adicionais de 645 MW. Tudo para totalizar os 1,08 mil MW, ou seja, para alcançar um aumento de 60% de toda a potência renovável instalada anterior ao ano 2010", destacou De la Torre.
O caminho de produção de energia renovável, segundo o Governo, também incluirá a energia geotérmica, que atualmente só conta com um projeto em operação.
É por isto que durante a inauguração da usina solar, a presidente Laura assinou um decreto para que o ICE possa desenvolver pesquisas no Parque Nacional Volcán Rincón de La Vieja, também situado na província de Guanacaste, perto da fronteira com a Nicarágua.
O decreto permitirá que o ICE inicie a avaliação da viabilidade de uma área de 10,4 quilômetros quadrados nesse parque para determinar a eventual implementação de um projeto geotérmico. 

Fonte:  Exame Meio  Ambiente e Energia