terça-feira, 30 de setembro de 2014

É preciso deixar as mulheres brilharem


Estamos presenciando hoje no Brasil, um fato inédito. Duas mulheres líderes nas pesquisas de intenções de voto para presidência da república. Dilma Roussef, candidata à reeleição e a senadora Marina 
Silva.


Alguém vislumbraria esse cenário há dez anos atrás, acho pouco provável. Mas o que temos notado é que as mulheres começaram a mostrar sua força em todos os cenários. Hoje temos mulheres nos mais altos cargos no mundo corporativo, presidentas de estatais, prefeitas, governadoras, enfim, as mulheres estão no poder.

No mundo todo, as mulheres vem pouco a pouco ocupando papel de destaque. Um dos poucos países considerados desenvolvidos onde a resistência às mulheres é maior, é no Japão.

O modo de funcionamento das empresas japonesas, onde trabalhar além da hora e manter o mesmo emprego para toda a vida são regras, e a homogeneidade da sociedade, onde não há lugar para a imigração em massa, são agora desvantagens quando em concorrência com sociedades jovens, onde a inovação e a busca individual de riqueza têm levado a ganhos de competitividade.



Para tentar mudar esse cenário, foi realizada na primeira quinzena de setembro a Assembléia Mundial para Mulheres – WAW, em Tókio com incentivo do governo japonês. Uma das estratégias de crescimento do primeiro-ministro Shinzo Abe é encorajar mais mulheres a exercerem papéis de destaque na sociedade.

Mulheres em posições de liderança em organizações internacionais e empresas no Japão e no exterior foram convidadas a participar do fórum. Entre elas estiveram presentes Christine Lagarde, chefe do FMI, e a embaixadora dos Estados Unidos no Japão, Caroline Kennedy.

O governo de Shinzo Abe promete a realização de mudanças em áreas como o mercado de trabalho e a regulação, para de tentar combater a falta de mão-de-obra com a entrada de mais mulheres. A cada dia se volta cada vez mais para as mulheres, fazendo do tema um dos seus principais cavalos de batalha, usando repetidamente o slogan de que “é preciso deixar as mulheres brilharem”.

Segundo Yoko Ishikura, professora da Universidade de Tókyo, especializada em estratégias de gestão, a iniciativa do governo é muito boa e se as ideias forem adotadas, será um grande avanço nas relações, pois atualmente a posição do Japão é muito baixa em rankings como o relatório do Fórum Mundial sobre a igualdade dos sexos.

Isso é um desperdício de talento, conta Ishikura, já que as mulheres japonesas são bem instruídas. Face ao declínio e ao envelhecimento populacional do Japão, ela sugere que o país deveria fazer com que todas as mulheres com talento que se dispõe a trabalhar tenham um emprego e uma carreira significantes. O estilo laboral que envolve longas e inflexíveis jornadas de trabalho, que dá mais ênfase ao tempo gasto do que aos resultados obtidos, sem um sistema eficiente de avaliação, dificulta a possibilidade de mulheres trabalharem e buscarem uma carreira de sua escolha. A professora observa que algumas iniciativas estão sendo tomadas, como um aumento no número de estabelecimentos para cuidar de crianças, mas ela insiste que o sistema fundamental de trabalho precisa mudar no Japão para permitir que as pessoas que querem trabalhar possam ter um bom emprego e um bom estilo de vida. A conferência WAW irá promover uma visão mais futurística do estilo laboral, promovendo novos setores, novos trabalhos e novos tipos de carreiras, incluindo carreiras múltiplas e o trabalho em casa, para que as pessoas possam ter mais opções.


sexta-feira, 19 de setembro de 2014

A violência urbana – obstáculo para o desenvolvimento sustentável


Uma dos grandes problemas para o desenvolvimento social e econômico de forma sustentável é a violência urbana. A redução da violência está sendo tratada pelas nações desenvolvidas, como uma prioridade global, pois se trata de um grande impedimento para o desenvolvimento. O governo não consegue investimentos em regiões onde predomina um alto índice de violência. Empresas, comércio não se instalam em locais perigosos, travando assim a geração de empregos e conseqüentemente, o desenvolvimento da região. Nações que atingiram certo nível de desenvolvimento foram somente graças a programas de combate aos problemas com a violência.

Quando falamos em violência, um indicador é o número de homicídios. As organizações têm uma ideia de como o homicídio ocorre, quais as razões culturais e sociológicas, por que as pessoas cometem o homicídio. Algumas respostas são: por razões econômicas, outras por razões políticas, outras vezes são por problemas dentro da família, mas cada uma dessas manifestações de violência é um problema na qual os governos têm boas ideias de como tratar, mas acabam esbarrando em políticas internas, corrupção, interesses políticos e mais uma série de fatores que impedem a erradicação do problema.

Todos esses fatores enquadram-se na realidade brasileira, caso o governo não tome uma atitude mais contundente, vamos conviver com o aumento da criminalidade e da violência urbana. Nos últimos dias presenciamos o assassinado de um comandante de uma UPP (unidade de policia pacificadora) no subúrbio do Rio de Janeiro. O capitão Uanderson Manoel da Silva foi morto covardemente defendendo a comunidade. Fatos como esse acabam gerando uma crise de violência ainda maior, pois a policia agora irá fazer uma verdadeira caçada aos assassinos do comandante, decretando uma verdadeira guerra com os marginais.

Há também o fato de que atingir um alto grau de desenvolvimento não bloqueia necessariamente a violência em um país, o maior exemplo são os Estados Unidos, com seus constantes casos de violência em escolas e locais de grande movimentação de pessoas, onde maníacos descarregam suas armas sobre crianças e pessoas inocentes.

São casos distintos, no Brasil há uma razão para os assassinatos, já nos Estados Unidos, não há uma explicação concreta, geralmente são pessoas com sérios problemas mentais que cometem essas atrocidades, deixando a população apreensiva, pois os casos vêm crescendo com o passar do tempo.



A ONU (Organização das Nações Unidas) vem desenvolvendo um programa intitulado ODS (Objetivos do Desenvolvimento Sustentável) cujo principal objetivo de inicio será a promoção da paz mundial, com significativa redução da violência de todas as formas.

Uma das grandes dificuldades da ODS é em relação às estatísticas da violência. Embora todo governo tenha colocado como lei que assassinato é crime, há diferentes tipos de assassinato de acordo com a legislação de cada país. Existe assassinato intencional, acidental, assassinato por razões políticas, assassinato de policiais, então, existem diferentes formas de como os governos lidam com os mesmos fenômenos. E isso torna muito difícil comparar as estatísticas de um governo com outro porque possuem códigos legais distintos. A outra dificuldade é que os governos algumas vezes relutam em compartilhar essa informação sobre crimes porque isso pode ser constrangedor ou porque pode gerar questionamento público sobre se ele está fazendo um bom trabalho ou não. Mas nos últimos sete a dez anos, em parte por causa dos Objetivos do Milênio, a ONU tem trabalhado com governos e acadêmicos para conseguir chegar a algumas definições comuns. Isso permitirá aos governos reportarem estatísticas sobre diferentes tipos de crimes de uma maneira que poderiam se comparadas para dar um quadro geral do crime no mundo. E isso é muito poderoso porque o melhor alicerce para se construir política pública são os fatos. E os governantes estão vendo um consenso emergindo na comunidade internacional sobre como os crimes podem ser definidos e classificados.

Para a ODS, desenvolvimento sustentável significa não jogar simplesmente dinheiro em um problema por um curto período, ou seja, devemos fazer as corretas escolhas de políticas, aquelas que fazem sentido no contexto particular de um país.
Para gerar progresso em diferentes áreas, tem que ser desenhada uma estratégia para cada contexto em particular. E, em geral, sabemos que se você não desenha estratégias e políticas que possam ser levadas adiante no longo prazo – e que serão abandonadas – você não verá ao longo do tempo nenhuma melhora significativa.

Existem sociedades que não tem problemas significativos com violência, mas ainda são muito pobres. E há também países que são ricos e que possuem problemas graves com violência. Há muitas variáveis independentes para essa análise e o ponto é que não há apenas uma explicação que atue em todos os contextos distintos. É preciso entender quais são os principais problemas em um país em particular e tratá-los. A ODS está sendo elaborada agora. Há aspirações, objetivos, esperanças, mas é de bom entendimento que os alvos para qualquer objetivo em particular tem que ser direcionados levando em conta o contexto de cada país individualmente.


A violência faz parte da natureza humana. A questão que todos os governos se deparam é como você muda o comportamento humano de uma maneira construtiva. As pessoas provocam violência por diferentes motivos. Batem nas suas mulheres porque viram suas mães apanhando de seus maridos; abusam de crianças porque foram abusados quando crianças. Ou seja, cometem crimes por muitas razões. As motivações das pessoas são muito complexas e a violência não é um fenômeno que pode ser facilmente explicado. Depende também muito do contexto onde vivem.

sexta-feira, 12 de setembro de 2014

Porque os empregados rendem tão pouco?


Uma pesquisa realizada pela consultoria “BTA” mostra que quase 80% dos empresários brasileiros dizem não acreditar que seus funcionários usem todo seu potencial no ambiente de trabalho.

Para ele, o principal motivo para o baixo desempenho é a insatisfação como desequilíbrio entre a vida profissional e pessoal.

Problemas pessoais, financeiros, insatisfação com suas atividades profissionais, conversas paralelas co colegas no meio do expediente, tudo isso acarreta a baixa produtividade no trabalho.

Outro problema que vem causando problemas para os empresários é a relação dos funcionários com o celular. Atualmente, todos andam conectadas, redes sociais, whatsapp e outras formas de conectividade. Mesmo com restrições ao uso durante o expediente de trabalho, sempre há alguém que consiga burlar a vigilância dos gestores e dão uma conferida nas atualizações dos colegas.

Todos esses fatores refletem diretamente nos resultados da empresa. 75% dos entrevistados pela consultoria, dizem que suas empresas não atuam com desempenho máximo possível e 73% assumem que processo decisório interno é lento – metade considera que as reuniões duram mais que o necessário.



Questionados sobre o tempo improdutivo na rotina do trabalho, 51% afirmam que ele representa de 16% a 30% da carga horária total.

Países como Japão e China, o tempo improdutivo não chega aos 5%. As empresas trabalham com um cronograma muito bem definido, com suas metas cumpridas à risca. Os gestores são cobrados constantemente para que se mantenha a produtividade do pessoa dentro do limite estabelecido.

A mentalidade é outra, os trabalhadores, ao entrarem na empresa, desligam-se do ambiente externo e pessoal, concentrando-se exclusivamente no trabalho, pois sabem que estão sendo avaliados constantemente, dentro do plano de carreira da empresa, onde o rendimento acrescenta vários pontos no critério de avaliação profissional.

Voltando à pesquisa brasileira, outro dado que chama a atenção, é que 62% dos casos de pessoas que apresentam baixo desempenho, são mantidos nas equipes, fato esse, que pode acabar desmotivando os bons profissionais.

Outra conclusão do estudo é o baixo índice de investimento em gestão de pessoas. Dados da pesquisa dão conta de que somente 16% do temo da empresa é dedicado em gestão de pessoas.

São dados para uma melhor reflexão do empresariado, procurar medidas para sanar esses problemas, adotar novos modelos de gestão, caso contrário, a produtividade do negócio, estará seriamente comprometida.