sexta-feira, 24 de julho de 2015

Fraude contábil no Japão

Presidente e diretores da Toshiba pedem desculpas por manipulação de balanços

Para quem trabalha na área contábil sabe muito bem que a manipulação de balanços não é uma prática nova, nem no Brasil, nem no restante do mundo.

No exterior, a manipulação de resultados visa o aumento artificial do lucro, já no Brasil a manipulação sempre foi feita para reduzir lucros. Essa diferença se da pelo fato de lá fora o aumento de lucros visava atrair investidores no mercado de capitais, enquanto que aqui no Brasil a diminuição de lucros sempre visou à sonegação de impostos.

Nesta semana veio a público a noticia de que executivos de alto escalão da multinacional japonesa Toshiba, estavam sistematicamente envolvidos na manipulação de lucros da empresa. A manipulação acusou nos seus demonstrativos contábeis lucros de US$ 1,22 bilhão no período de 7 anos, números muito acima da realidade da empresa. O relatório dos analistas aponta os diretores e responsáveis pelo departamento contábil de não ter consciência ou conhecimento necessário das práticas contábeis adequadas.

O reflexo do escândalo foi imediato. O presidente da Toshiba, Hisao Tanaka, o vice-presidente do conselho de administração, Norio Sasaki, e o conselheiro Atsutoshi Nishida, renunciaram aos seus cargos na terça-feira (21/07), juntamente com oito diretores, ou seja, metade do conselho de administração.

Agora a Toshiba enfrenta dificuldades para formar uma nova equipe administrativa, após a dissolução de quase todo seu conselho.

Segundo a empresa, diretores independentes formarão a maioria do conselho de administração e o comitê de auditoria interna será chefiado por uma pessoa de fora.


terça-feira, 14 de julho de 2015

O que está acontecendo com Mogi das Cruzes?

pai chora ao lado do corpo de jovens assassinados em Mogi das Cruzes
Mogi das Cruzes passou por momentos de terror na semana passada, as vésperas do feriado de 09 de julho, uma chacina que vitimou jovens no bairro Jardim Universo em plena luz do dia. Horas depois, ônibus foram incendiados em pontos diferentes da cidade. Indícios apontam que se trata de ações retaliadoras aos assassinatos.

O que está acontecendo com nossa cidade? Nós sentíamos orgulho de morar em Mogi, com tantas qualidades como, proximidade com a capital e litoral, ótima infraestrutura do comércio e serviços, entre outros. A cidade que vem em processo de pleno crescimento, mas mantendo aspectos de cidade interiorana, está ganhando notoriedade por fatos negativos. Trânsito, violência, falta de espaços de lazer, transporte público de má qualidade. Os antes, problemas das grandes cidades agora são uma constante em Mogi. A cada debate sobre o tema, porém, fica a pergunta: afinal, como melhorar? O que podemos fazer para lidar com questões tão complexas?

Mogi das Cruzes

Mogi das Cruzes cresceu em um todo, não só nos bairros mais valorizados, mas também em direção as áreas mais isoladas, onde a carência por serviços básicos ainda é grande. É nesse clima onde os conflitos sociais tendem a ser mais intensos.

Acredito que atual administração priorizou a urbanização do centro da cidade em detrimento ao combate aos problemas sociais nas áreas periféricas.

- É claro que necessitamos de uma melhoria na área central, afinal a cidade é antiga e não estava preparada para receber esse aumento significativo no fluxo de veículos e de pessoas. Mas esse aumento da população acaba gerando problemas sociais, falta de emprego, moradia, saneamento básico, transporte, etc. Para quem têm boas condições financeiras, as ofertas de imóveis não param de crescer. Já para as classes menos favorecidas, só lhes resta buscar moradia em locais afastados, onde o aluguel cabe no seu bolso.

As maiores queixas dos moradores desses bairros são: saneamento básico, transporte público e a falta de policiamento. Com o crescimento populacional, esses problemas vêm à tona com maior intensidade, e temos percebido que nos últimos anos não foi dada a devida atenção a essas áreas.

No livro Morte e Vida das Grandes Cidades (1961), a jornalista americana Jane Jacobs relata um fato que estava se tornando comum em algumas cidades americanas: “Muitas cidades nos Estados Unidos sofrem de um fenômeno chamado ‘cidade abandonada’, que significa que o espaço público tem sido negligenciado ao ponto em que as pessoas dispensaram a vida na cidade.”

O que podemos perceber é que todo planejamento para Mogi das Cruzes, é resolvido dentro dos escritórios, das áreas técnicas, muito pouco atentas ao que de fato estava acontecendo quanto ao comportamento das pessoas, um planejamento feito de cima para baixo.


Segundo o urbanista Ricardo Correa, é preciso projetar esse lugar ideal. “Porque, senão, você só se importa com o fluxo de pessoas e mercadorias. A cidade vai se tornar um lugar insalubre, só de transição”.