terça-feira, 28 de outubro de 2014

Japão quer exportar tecnologia do trem bala


Pretendemos ter os trens de alta velocidade funcionando em 2014, para a Copa do Mundo”, essa foi a frase dita em 2009 pela então Ministra da Casa Civil Dilma Rousseff. A copa já passou e nada saiu do papel. Agora o governo planeja concluir o projeto em 2020, ou seja, com seis anos de atraso.

A adoção de sistemas de trens de alta velocidade estão sendo adotadas em escala global. A China vem desenvolvendo rapidamente linhas ferroviárias deste tipo desde cerca de 2007. Nos Estados Unidos, a construção de um sistema de trens do gênero começou este ano no estado da Califórnia. Existem planos semelhantes também na Índia, país com grande população e vasto território.
As medidas mundiais de promoção de esforços para lidar com os problemas ambientais também são um fator importante. Quando se levam em consideração a emissão de gases poluentes e o consumo de energia, aviões e automóveis são limitados enquanto meios de transporte de massa entre cidades, e os sistemas ferroviários são mais eficazes neste sentido.

O ponto forte do trem-bala japonês é que ele pode funcionar com segurança mesmo sob condições climáticas severas e durante desastres naturais, como terremotos, tufões e neve. Por exemplo, o shinkansen é equipado com tecnologia que freia imediatamente o trem quando um terremoto é detectado. O trem dispõe ainda de um sistema que previne o tombamento dos vagões. Estas funções foram postas à prova pelo devastador terremoto que atingiu a região leste do Japão em 2011.

Outros pontos fortes da tecnologia são os vagões leves e fortes, os freios que não afetam o conforto dos passageiros, e o treinamento dos funcionários.


Um dos líderes mundiais na tecnologia de trens de alta velocidade é o Japão.

Para os japoneses, o trem-bala é mais do que uma maravilha tecnológica que resiste à passagem do tempo. O shinkansen — nome oficial do superexpresso — ajudou a transportar o país de volta ao cenário internacional no pós-guerra. Em 1964, Tóquio ainda tinha sua imagem associada aos horrores da Segunda Guerra. Mas às vésperas da abertura das Olimpíadas na capital, naquele mesmo ano, o shinkansen fez sua primeira viagem e o mundo entendeu que o Japão havia mudado.

Começava ali a trajetória dos japoneses rumo ao desenvolvimento que criou uma das maiores potências econômicas da história asiática. A inauguração da primeira rota, entre Tóquio e Osaka, em 1º de outubro de 1964, foi comemorada por multidões nas duas cidades, distantes 513km. O trajeto, que antes demorava sete horas, passou a ser feito em quatro, a 210 km/h (hoje a viagem leva pouco mais de duas horas). Desde então, vários modelos de trem-bala foram lançados e já transportaram dez bilhões de passageiros em seu meio século de existência.Trens mais velozes surgiram, enquanto outros países lançaram seus próprios veículos de alta velocidade, mas o shinkansen continua sendo um símbolo incomparável de eficiência, conforto e segurança.

O interior do Shinkansen é igual ao de um avião

Nunca houve um acidente grave envolvendo o trem-bala no Japão. Sua média de atraso é 36 segundos.Viajar de shinkansen não é barato. Em compensação não tem estresse. Com a passagem na mão (comprar na hora é fácil), basta chegar 15 minutos antes na estação. É o tempo suficiente para confirmar o horário de partida, achar a plataforma e posicionar-se à frente do vagão.

O passeio de Tóquio à Kioto é memorável. Nem dá para sentir os 360 kms que separaram as duas cidades. Em duas horas e meia, a viagem, que custa cerca de US$ 140, transcorre entre campos de arroz e casas de madeira. O Monte Fuji ao fundo dá o toque de cartão-postal. Quando o vulcão é avistado, boa parte dos passageiros se levanta para fotografar a montanha. O Fuji, da janela de um trem-bala, é um clássico.



Como o Japão não gosta de ser superado pela China, já está testando seu trem de levitação magnética, o maglev, que poderá chegar aos 500 km/h. A primeira linha, entre Tóquio e Nagoia, está prevista para 2027. Mas nos trilhos japoneses o futuro já chegou há cinco décadas.

 O Japão planeja por em prática, o plano de expansão da rede do shinkansen  e a exportação pode ser uma via para uma maior promoção da tecnologia, desenvolvida durante os 50 anos de operação do trem-bala no Japão, e podem-se esperar ainda efeitos econômicos com as vendas para o exterior. Baseado no apelo de sua filosofia, "segurança em primeiro lugar", que tem orientado a história dos 50 anos sem acidentes fatais de operação do shinkansen.

Um dos pontos em que as negociações podem emperrar, é o fato de o Japão pretende exportar o sistema completo dos trens, representado por um conjunto tecnológico de maquinário, sistemas elétricos, engenharia, operação ferroviária, vendas e outros. O ideal seria que o sistema japonês fosse compatível com as tecnologias e cultura do país importador, mas nem sempre este seria o caso. Mesmo que o shinkansen não possa ser exportado como um pacote único, seria importante também que o Japão não hesitasse em oferecer cooperação tecnológica parcial.


terça-feira, 14 de outubro de 2014

Japão é campeão de reciclagem de latas de alumínio


O Brasil vem aos poucos se tornando um dos campeões de reciclagem de latas de alumínio, mas ainda distante de números como o do Japão, por exemplo, onde o nível de conscientização da população faz com o país seja uma referência mundial em reciclagem.

Diferente do Brasil, onde o trabalho de coleta de latas é feitos pelos recicladores, pessoas que sobrevivem do dinheiro da venda de latinhas, no Japão o trabalho é feito pelos próprios consumidores dos produtos, que separam as latas em suas residências.

A Associação de Reciclagem de Latas de Alumínio do Japão anunciou no seu relatório anual de atividades que, em 2013, essas operações atingiram a porcentagem recorde de 92,9% no Japão. Uma taxa superior a 90% coloca o país no nível mais alto do mundo. Latas de alumínio são utilizadas na venda de bebidas, alimentos processados e querosene. Desde que a lei sobre reciclagem de vasilhames e embalagens entrou em vigor em abril de 2000, a taxa de reciclagem de latas de alumínio  aumentou bastante. A lei obriga empresas a reciclarem as latas. 

Na década de 1980 a taxa de reciclagem de latas de aço girava em torno dos 40%. Essa taxa foi subindo durante a década de 90 e a primeira década deste século. Um dos motivos foi a colaboração bem sucedida entre 3 parceiros: as companhias fabricantes e comerciantes de bebidas em lata, a coleta de lixo feita pelos municípios e os consumidores.

Ao lado das máquinas de refrigerante sempre há uma lixeira

Não há dúvida que a lei de reciclagem de vasilhames e embalagens ajudou a propulsionar as operações. Contudo, os esforços dos municípios e das fabricantes de bebidas também desempenharam um papel importante. Os municípios criaram vários sistemas de separação do lixo. Por exemplo, latas e garrafas de plástico e garrafas de vidro são recolhidas em dias diferentes da semana. As próprias fabricantes de bebidas tiveram a iniciativa de colocar lixeiras para recolher latas usadas ao lado de máquinas de vender refrigerantes.

Na verdade, nas décadas de 1970 e 1980, latas de bebidas não alcoolicas usadas eram deixadas por toda a parte no Japão, prejudicando a imagem das cidades. Isso acabou gerando um problema social, por isso empresas do setor começaram a coletar as latas usadas. Depois disso, a quantidade de lixo continuou aumentando, e o próximo grande desafio foi encontrar depósitos de lixo. Talvez o principal incentivo que resultou na taxa de reciclagem mais alta do mundo tenha sido a voz do público, que pediu uma resolução da questão do lixo acima de tudo.

Como a capacidade de reciclagem já quase chegou ao seu limite, o desafio futuro será como manter essa alta taxa. Um desafio maior do que a reciclagem em si é diminuir o volume total de lixo tornando os vasilhames mais leves.