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terça-feira, 1 de setembro de 2015

O que fazer com as casas abandonadas no Japão


Desde que seu vizinho se mudou, há dez anos, Yoriko Haneda fez todo o possível para que a casa que estava vazia não se tornasse uma ofensa para os olhos. Haneda poda regularmente os arbustos, para que eles não interfiram na vista para o mar. Entretanto, não continuou seu trabalho de jardineira na casa seguinte, que também está desocupada e coberta de bambus.

No bairro de colinas a uma hora de Tóquio, as casas abandonadas são contadas em dezenas.

— Há casas vazias por todas as partes, lugares onde não vive ninguém há vinte anos, e a cada vez elas aumentam mais — diz Haneda, aos 77 anos, que logo se queixa dos ladrões que entraram duas vezes na casa vazia de seu vizinho e do tufão que causou danos ao telhado da outra casa.

Embora a aversão ao desperdício esteja enraizada na idiossincrasia japonesa, as casas abandonadas se espalham por todo o Japão. O índice de imóveis residenciais desocupados a longo prazo aumentou significativamente, acima dos valores dos Estados Unidos e da Europa, e a ilha tem atualmente cerca de oito milhões de casas vazias, segundo dados do governo. Quase metade delas foram abandonadas e completamente esquecidas. Nem sequer estão à venda ou para alugar. Simplesmente estão aí, com seus variados graus de deterioração.

Essas casas fantasma são o sinal mais visível do retrocesso populacional em um país cujo número de habitantes alcançou seu recorde há cinco anos e que, segundo as previsões, se reduzirá em dois terços durante os próximos cinquenta anos. A pressão demográfica tem sido um peso para a economia, já que uma população economicamente ativa cada vez menor deve financiar o crescente número de idosos. Além disso, tem gerado um intenso debate sobre propostas para fomentar a imigração ou para incentivar as mulheres a terem mais filhos.

Por enquanto, depois de décadas de luta contra a superpopulação, o Japão enfrenta o problema inverso: quando uma sociedade encolhe, as autoridades se questionam sobre o que se deve fazer com as edificações que já não são mais necessárias.

Muitas das casas desocupadas no Japão foram herdadas por pessoas que não precisam delas, mas que tampouco podem vendê-las por falta de compradores interessados. No entanto, demoli-las levanta questões complicadas sobre os direitos de propriedade e sobre quem deveria pagar essa despesa. Neste ano, o governo aprovou uma lei de impulso à demolição da maioria das casas em estado avançado de abandono. Mas, segundo os especialistas, a onda de novas casas vazias seria difícil de parar.

— Tóquio poderia terminar rodeada de muitas Detroit — diz Tomohiko Makino, especialista imobiliário que estudou o fenômeno das casas vazias.

Este fenômeno, que se limitava a localidades remotas, hoje alcança as cidades regionais e os subúrbios das grandes metrópoles. Mesmo na movimentada capital, a porcentagem de residências desocupadas está aumentando.

A cidade de Yokosuka está em linha de fogo. Com Tóquio à disposição para o trabalho e cercada de bases navais e de fábricas de automóveis, a cidade sabia atrair milhares de jovens em busca de trabalho na época do pujante crescimento econômico do pós-guerra. Nesta época, a terra era escassa e cara e, assim, os recém-chegados construíram casas pequenas e simples.

No entanto, esse surto se inverte inexoravelmente. Os jovens trabalhadores do pós-guerra são agora aposentados, e muito pouca gente, nem sequer seus filhos, querem ocupar estas casas.

— Os filhos desta geração agora vivem nas torres do centro de Tóquio. Para eles, a casa da família é um peso e não uma propriedade — diz Makino.

A taxa de nascimento do Japão está desde a década de 1970 abaixo do número necessário para manter a estabilidade demográfica, porque os jovens se casam cada vez mais tarde e as mulheres, ao ingressarem no mercado de trabalho, adiam a maternidade.

A cidade de Yokosuka está tentando reverter isso, incentivando os proprietários das casas abandonadas a limpá-las e a colocá-las no mercado em um "banco de casas vazias" online, onde podem mostrar propriedades de que as imobiliárias nem sem aproximam.

Os raros interessados pagariam uma verdadeira pechincha, mas até agora só uma residência foi vendida: uma casa de madeira de apenas um andar, sessenta anos de idade e um pequeno jardim, que estava avaliada em U$ 5,4 mil.

E há terrenos mais elevados, na subida das encostas, que podem ser comprados por algumas centenas de dólares. Quatro casas foram alugadas, uma delas a estudantes de enfermaria que conseguiram um desconto para, em troca, cuidar da saúde dos idosos da região.

Outras cidades testaram suas próprias soluções criativas, como oferecer reembolso efetivo aos outsiders que decidirem comprar e se mudar para uma casa. Algumas cidades conseguiram seduzir grupos de artistas e trabalhadores independentes que podem se manter conectados com clientes na cidade através da internet.

Existe até mesmo um projeto artístico próspero, o Echigo-Tsumari Art Field, que converte edificações desocupadas de uma série de pontos do nordeste em obras de arte. Os visitantes podem passar a noite em uma "casa de sonho", desenhada pela artista Marina Abramovic, que tem camas em formato de caixões e luzes coloridas para estimular os sonhos, ou recorrer a outros edifícios que foram esculpidos, pintados ou preenchidos com esculturas.

— Talvez não sejam utilizadas com seu propósito original, mas é importante que se conservem fisicamente. O importante é preservá-las para algo positivo — diz o fundador do projeto, Fram Kitagawa.

Entretanto, os números brutos sugerem que a quantidade de casas que podem ser recuperadas para habitação é limitada. Espera-se que a população atual de 127 milhões de pessoas do Japão se contrairá em um milhão por ano durante as próximas décadas. Os esforços para aumentar a baixíssima taxa de natalidade do país têm sido mal sucedidos e a população não parece disposta a se abrir à imigração em massa.

— Temos infraestrutura demais — diz Takashi Onishi, professor de planificação urbana e presidente do Conselho de Ciências do Japão.

O governo, segundo Onishi, acabará cortando os serviços públicos, como a água e a manutenção de estradas e pontes das zonas menos habitadas:

— Não podemos manter tudo isto. Temos que tomar decisões duras.

A solução mais direta para as casas abandonadas é demoli-las antes que elas se convertam em um perigo ou que estes bairros ganhem fama de inabitáveis. No entanto, muitas vezes é difícil rastrear seus proprietários, que não querem arcar com os custos da demolição.

Hidetaka Yoneyama, especialista do Instituto de Investigações Fujitsu, disse que até pouco tempo atrás as casas do Japão eram construídas para durar apenas cerca de trinta anos, mas logo eram demolidas e reconstruídas. A qualidade das construções está melhorando, mas o mercado de imóveis usados continua pequeno. As construtoras continuam produzindo mais de 800 mil casas e condomínios ao ano, apesar da abundância de casas vazias.

— Na era do boom econômico, isso era conveniente para todos — diz Yoneyama. Mas dentro de vinte anos, segundo alguns cálculos, mais de um quarto de todas as casas do Japão estarão vazias. — A coisa se inverteu. A população encolhe e ninguém quer viver nestas casas antigas.



sexta-feira, 28 de agosto de 2015

Japão Barateia Presentes a Seus Centenários para Economizar Custo

Yasutaro Koide, de 112 anos, foi reconhecido o homem mais velho do mundo

Os cidadãos japoneses com mais de 100 anos deixarão de receber a tradicional taça de prata que o governo costuma entregar a todos seus cidadãos que completam 100 anos porque seu aumento progressivo está afetando os cofres públicos.
O Executivo japonês, que começou esta prática em 1963, decidiu buscar uma alternativa mais barata ao presente comemorativo avaliado em 7.600 ienes (cerca de R$ 230), informou nesta quinta-feira (27) a emissora pública japonesa "NHK".
No ano que se pôs em prática a iniciativa, o Japão contava com 150 centenários entre seus cidadãos, mas na atualidade o número se multiplicou por mais de 200.
Segundo dados do Ministério da Saúde, Trabalho e Bem-estar, neste ano 32.400 pessoas receberão a singular taça, o que representará um custo estimado de 260 milhões de ienes (R$ 7,85 milhões).
Taça de prata entregue aos japoneses que completam 100 anos
O governo japonês substituirá a partir do ano que vem essa taça por outra feita com lâminas de prata, uma mudança com a qual prevê cortar a despesa pela metade.
O Japão tem a maior expectativa de vida do planeta. Os centenários registrados no país asiático chegam a 58.820, o que representa 46,21 por cada 100.000 habitantes, segundo dados governamentais de setembro de 2014.
O envelhecimento da sociedade japonesa representa, entre outros aspectos, um grande desafio para o sustento atual do sistema de saúde e de previdência da terceira economia do mundo.

Fonte:Época

terça-feira, 25 de agosto de 2015

Japão lança aplicativo que permite acesso à Wi-Fi gratuito para turistas


O que seria dos smartphones sem os aplicativos? Ferramenta indispensável, seja na vida social, trabalho ou lazer. E para quem viaja pelo mundo, um dos maiores pesadelos é sem dúvida, ficar desconectado.
Mas esse tormento está prestes a acabar, pelo menos no Japão! Um aplicativo gratuito, lançado recentemente no país, vai facilitar a vida dos turistas.
Japan Connect-Free Wi-Fi foi lançado para promover a experiência de utilizar internet gratuita e de qualidade enquanto se faz compras em lojas de conveniência no país. Com alcance de 40 mil espaços, incluindo marcas como Family Mart, Lawson e 7-Eleven.
O aplicativo também permite ao usuário o acesso ao wi-fi gratuito em mais de 130 mil pontos do Japão incluindo os aeroportos de Narita e Kansai, estações de metrô e em diversos pontos.
Pelo Mundo
De acordo com um levantamento divulgado pela Flurry, – uma empresa de análise de aplicativos do Yahoo! – de 2014 para 2015, o número de dispositivos inteligentes cresceu de 1,3 bilhão para 1,8 bilhão, o que representa um aumento de 38% de um ano para o outro.
O número de usuários que utilizam aplicativos entre uma vez e 16 vezes por dia, cresceu de 784 milhões para 985 milhões no mesmo período, um aumento de 25%. Já o número de usuários muito ativos, que usam aplicativos entre 16 e 60 vezes por dia, cresceu ainda mais: de 440 milhões para 590 milhões (aumento de 34%).
Clique aqui para conhecer e baixar o aplicativo.
Fontes: OGlobo / Panrotas

quinta-feira, 6 de agosto de 2015

Em museu no Japão, cartas de despedida de kamikazes são reveladas

cartas escritas pelos pilotos kamikazes

Durante a Segunda Guerra Mundial, uma das “armas” usadas pelos japoneses, eram o pilotos Kamikazes. Eram pilotos suicidas que jogavam seus aviões carregados de bombas, contra alvos inimigos. Há exatamente 70 anos, esses pilotos participavam de sua última batalha.
Nas cartas, é revelado como a guerra pode ir fundo na vida das pessoas. Nas missões sem volta, eles escreviam cartas de despedida para suas famílias e algumas delas, foram reveladas só agora.
Em Chiran, no sul do Japão, uma planície cercada por montanhas é coberta por plantações de chá. A ideia que se tem de um lugar assim, é que seja calmo, mas nem sempre foi assim. Exatamente de lá, decolavam os pilotos mais conhecidos da Segunda Guerra Mundial: os kamikazes.
Eram as últimas batalhas a serem travadas na pior guerra da história. Tropas americanas avançavam e a tática suicida poderiam detê-los: lançar os aviões diretamente nos alvos, causando assim, mais estragos durante o ataque.
Na década de 1940, Chiran abrigava um centro de treinamento, de tudo, restou apenas antigos depósitos de óleo e munição. E essa é uma das histórias contadas em um museu, muito frequentado. Onde os mais de quatro mil soldados que morreram nas missões são lembrados.
Este museu, vai além de apresentar algumas peças antigas, tenta nos fazer entender aquele período, aquelas pessoas envolvidas. Para isso, conta com um acervo muito raro, feito de papel e tinta: cartas. Os pilotos escolhidos ficavam sabendo das suas missões somente na véspera. Era quase um hábito, tomavam saquê e deixavam uma carta.
Um dos responsáveis pelo museu, Takeshi, se comove toda vez que lê a carta deixada por Fujio Wakamatsu, como tantos outros kamikazes, um jovem de 19 anos: “Querida mãe, não tenho nada a falar neste momento. Estou indo, com sorriso, para uma missão, que considero como meu último ato de devoção a você. Não chore: deposite doces no meu altar pela tarefa cumprida”.
Takeshi explica que “eles sabiam a importância de defender o país, tinham medo do que poderia acontecer no caso de uma invasão inimiga”.
Em Nagasaki, no oeste do país, um senhor de 89 anos conhece muito bem as cartas, foi ele quem reuniu todas para o museu. Tadamasa Itatsu quis honrar os colegas de farda: durante a guerra, ele foi treinado para ser um piloto kamikaze.
Em duas circunstâncias ele escapou da morte: primeiro, o avião falhou e foi necessário um pouso de emergência, na segunda vez, a missão foi cancelada devido ao mau tempo. “Carreguei durante anos um sentimento de culpa, de vergonha, por não ter morrido como os outros colegas. Para esquecer essa agonia, me dediquei ao trabalho de recuperar os textos”, diz Tadamasa Itatsu.
Itatsu leu todas as cartas e afirma que não há arrependimento em nenhuma delas. A tristeza estava gritante em cada uma delas, mas todos os pilotos eram voluntários.
Por mais que fossem mensagens curtas, como a de Toyoje Shimote, que escreveu apenas: “pela minha nação”, ou até mesmo, símbolos do sacrifício a quem ou o que esses homens se dedicavam. Masanobu Kuno, o tenente-coronel, morreu em maio de 1945, e deixou para seus dois filhos, de dois e cinco anos de idade: “Apesar de invisível, sempre estarei olhando para vocês. Escutem bem o que a mamãe diz e sejam obedientes. Quando crescerem, sigam seus desejos e se tornem japoneses dignos. Não tenham inveja dos outros que têm pai”, escreveu ele.
Em programa chamado “Memória do Mundo”, o governo do Japão quer que as cartas sejam reconhecidas pela Unesco. São documentos que registram ações que influenciaram o curso da história, seja positiva ou negativamente. “Queremos mostrar a crueldade da guerra para o mundo e o que ela é capaz de fazer, como as missões kamikaze. Que essa tragédia não se repita nunca mais”, garante Takeshi.
Fonte: G1

terça-feira, 4 de agosto de 2015

Japão ameaça deixar o pacifismo, 70 anos depois

Memorial da Paz em Hiroshima

Hibakusha é a palavra em japonês usada para nomear os sobreviventes das bombas de Hiroshima e Nagasaki, cujo 70º aniversário acontece este mês — assim como a rendição japonesa e o fim da Segunda Guerra Mundial. Significa “pessoa bombardeada” e calcula-se que atualmente existam 193 mil delas no país. Trata-se de um grupo muito especial, vítimas de cicatrizes e suposta radiação, e com forte autoridade moral.

E nos últimos dias um grupo deles chamou atenção ao se unir aos imensos protestos contra a decisão do primeiro-ministro Shinzo Abe de rever uma interpretação constitucional, apoiada pelos EUA, para devolver ao Japão a capacidade de intervir em conflitos bélicos. O político conservador, que sempre foi relutante em aceitar as atrocidades cometidas pelo Japão no passado, conseguiu que seu Conselho de Ministros aprovasse uma interpretação da Constituição redigida pelos EUA pouco depois da rendição. Até agora, o artigo 9 da Constituição japonesa impedia o país de recorrer ao uso da força em conflitos internacionais.

Uma vez que a Câmara Alta aprove definitivamente a nova lei, o Japão poderá defender aliados como os EUA, caso sejam vítimas de um ataque armado, bem como participar em operações de segurança das Nações Unidas. Tóquio poderia aprovar mais facilmente o envio de suas Forças de Autodefesa para áreas de conflito e ainda ampliar o apoio logístico às missões de paz no exterior

Mas, para os hibakushas, assim como para 73% da população, de acordo com uma pesquisa recente, a interpretação é muito vaga para justificar qualquer aventura militar no futuro. E seria a negação da essência do Japão moderno e pacifista que se dedicou a seu desenvolvimento e enterrou a vergonhosa historia de invasões e crimes de guerra cometidos até a Segunda Guerra Mundial.

Durante as massivas manifestações de 15 dias atrás, o grito era “Hibakushas nunca mais, não mais Hiroshimas, não mais Nagasakis!”, segundo as agências de notícias. E é o que os hibakushas têm a dizer sobre o tema, que sempre será importante para a sociedade japonesa.

Em 1989, a Associação Nacional de Hibakushas publicou uma série de quatro livros com depoimentos dos sobreviventes e desde então a obra se transformou em uma das lembranças mais dolorosas do que aconteceu nos dias em que as bombas caíram. Cada história tem um padrão macabro em comum: a liquidação de Hiroshima e Nagasaki, a angústia, a doença e o estigma nas décadas seguintes. Uma mulher anônima de Nagasaki, que tinha 19 anos quando a bomba caiu, descreve um vizinho, que deveria estar preparando o almoço. “Eu vi seu esqueleto de pé. Eu vi pessoas queimando os corpos dos mortos. Aqueles ossos brancos como marfim espalhados aqui e ali”, conta a testemunha.

Em agosto do ano passado, em uma cerimônia comemorativa pelos 69 anos de lançamento da bomba, a hibakusha Nagasali Miyako Jodai criticou o governo de Abe pelo seu interesse no poder atômico e sua agenda de segurança, que ela chamou de “uma afronta à Constituição pacifista do Japão”. Hiroshi Shimizu, secretário-geral de Hiroshima Hidanko, organização de hibakushas, faz eco deste sentimento:

— Nossa época se transformou em uma época muito perigosa. A atmosfera no Japão agora nos faz lembrar os 10 anos de silêncio após a guerra, quando uma lei secreta de Estado ocultava os registros e até a existência dos hibakushas”.

De acordo com o primeiro-ministro, a diplomacia dos EUA e até mesmo alguns meios de comunicação influentes, como o “Financial Times” (adquirido recentemente pelo grupo japonês Nikkei), a decisão é justificada pela mudança geopolítica na região. Agora, dizem eles, a presença expansionista da China e a sempre ameaçadora postura nuclear da Coreia do Norte fazem necessário que o Japão possa ter certa capacidade de dissuasão.

Em um editorial publicado na sexta-feira, o “Financial Times” sustenta que “as mudanças são justificáveis. O crescimento de uma China militarmente mais musculosa altera a paisagem de segurança do Japão”. A ideia, de cara, não agradou a China.


— Solenemente pedimos ao lado japonês que assuma as duras lições da historia, que se agarrem ao caminho do desenvolvimento pacífico, respeitem as principais preocupações de seus vizinhos asiáticos e não comprometam a soberania da China e os interesses de segurança regional danificando a paz e a estabilidade — disse Hua Chunying, porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, de acordo com uma reportagem do “New York Times”.

Para a maioria dos japoneses, segundo as pesquisas recentes, a decisão é uma traição às vítimas das bombas e ao pacifismo do Japão. E é por isso que se espera que este aniversário seja um dia triste para os hibakushas.


Fonte: O Globo



quarta-feira, 24 de junho de 2015

Japão prepara importação de empregadas domésticas


Uma das grandes dificuldades da mulher japonesa é conciliar trabalho com as atividades domésticas. No país não existe a categoria de “empregado doméstico”. A tradição japonesa com relação à mulher, mesmo nos dias atuais, continua extremamente machista e desde criança são educadas a realizar as tarefas domésticas.
Mas felizmente, as coisas estão mudando.
O projeto de lei que cria uma “zona especial de estratégia nacional – que será votado no parlamento japonês ainda este ano – poderá abrir caminho para a criação de uma nova categoria de trabalhadores estrangeiros no país: as empregadas domésticas.
Com a criação da zona especial, as províncias de Osaka e Kanagawa serão as primeiras a receber as auxiliares de serviços domésticos na fase experimental do projeto.
A principal intenção do governo é ajudar as mulheres japonesas que desejam entrar no mercado formal de trabalho, mas são impedidas por causa das tarefas domésticas e criação de filhos.
Segundo o texto do projeto, as empregadas domésticas seriam recrutadas no exterior por agências certificadas pelo governo para atuar somente nas “zonas especiais” cobertas pela legislação.
“Isso vai ajudar as mulheres que têm forte desejo de entrar no mercado de trabalho, mas estão presas ao trabalho doméstico.” disse Shigeru Shiba, ministro encarregado das reformas especiais.
No entanto, o governo reconhece que, para o projeto ter sucesso, é necessária uma mudança na cultura das mulheres japonesas, que não estão acostumadas a repassar as tarefas domésticas para outra pessoa, principalmente as atividades relacionadas à criação dos filhos.


segunda-feira, 22 de junho de 2015

Comuns no Japão, máscaras oferecem pouco mais do que proteção psicológica

japoneses usando mascaras na saída da movimentada estação de metrô de Tokyo


Uma das coisas que mais me impressionou assim que desembarquei no Japão, é a quantidade de pessoas que andavam nas ruas com máscaras. Em todo lugar se via pessoas com máscaras, nas ruas, nos trens e metros, no trabalho, na escola. Até me acostumar com a ideia, foi meio complicado, mas depois até comecei a fazer uso das mascaras, mesmo sem saber se sua eficácia era comprovada.


Durante os meses de primavera e inverno, as máscaras cirúrgicas se tornam a principal arma dos japoneses contra o pólen e contra o vírus da gripe. Mas, será que elas são realmente eficazes?
Para os alérgicos ao pólen, que se espalha com o vento durante a primavera, a eficácia das máscaras é comprovada quase que instantaneamente. No entanto, contra os vírus invisíveis, elas oferecem pouco mais do que uma “proteção psicológica”, dizem especialistas.
Com a propagação do vírus assassino MERS, que já matou 23 pessoas na Coréia do Sul, a demanda por máscaras cirúrgicas cresceu vertiginosamente, obrigando uma fábrica no Japão, que produz máscaras com filtros especiais, a dobrar o número de funcionários e recusar pedidos, que partem principalmente de países asiáticos.
Enquanto as máscaras japonesas com filtros especiais, que custam até ¥9,980 (R$ 250,00) a caixa com 10 unidades, oferecem garantia de proteção contra vírus infecciosos, a grande maioria das cerca de 4 bilhões de máscaras vendidas no Japão anualmente não são tão eficazes.
Segundo, o professor do departamento de doenças infeccionais da Universidade de Tohoku, Mitsuo Kaku,“Usar máscaras não é garantia de imunidade”, “Pode-se afirmar, porém, que lavar as mãos regularmente e usar máscaras pode reduzir a propagação de microorganismos”, completou.
Para o Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos EUA, as máscaras “impedem que grande parte dos germes chegue até a boca e nariz, mas não são capazes de filtrar as partículas microscópicas que são transmitidas pela tosse ou espirro.
Desde o início do século 20, cobrir o rosto com uma máscara é uma questão de educação e etiqueta no Japão. Uma pesquisa realizada pela Kobayashi Pharmaceutical, mostrou que 70% dos japoneses acreditam que usar máscaras quando se está com resfriado ou gripe é apenas uma questão de boas maneiras.
Fonte: IPC Digital


quarta-feira, 10 de junho de 2015

Contra crise, moda no Japão são hotéis a preços baixos e com espaço mínimo

Hotel Cápsula no Japão

Com os números de turistas e de preços de hotéis no Japão subindo graças a um iene desvalorizado, empreendedores têm colocado a criatividade para funcionar em um novo nicho de acomodações cheias de estilo, mas baratas, em beliches, cabines e compartimentos de todos os formatos e tamanhos.

A diária para uma noite em um quarto duplo pequeno de hotel com serviço limitado na área central de Tóquio pode custar até 30 mil ienes (US$ 240, ou R$ 750) hoje. Mas, se você procurar um pouco mais, pode ir para a cama com conforto por uma fração desse valor.

A apenas dez minutos de caminhada do famoso bairro de compras Akihabara, em Tóquio, um prédio branco de oito andares chamado Grids fica entre blocos residenciais e de escritório. O hotel, uma conversão de um edifício comercial de 34 anos, aberto em abril, oferece quartos que custam de 3.300 a 5.000 ienes (R$ 82 a R$ 125) por pessoa.

A cama de um beliche em um quarto compartilhado é a opção mais barata, e inclui chinelos, toalha de banho e o uso de um armário com chave.

Uma habitação standard dupla, de 12 metros quadrados, com chuveiro e vasos sanitários compartilhados, custa 3.600 (R$ 90) ienes por pessoa. Se você veio com família ou amigos, o último andar tem um quarto premium, de 28 metros quadrados, com tatames em um piso elevado, onde os hóspedes também podem colocar futons para até quatro pessoas, com custo de 5.000 ienes (R$ 125) por pessoa.

"Converter um prédio de escritórios em hotel é uma maneira ideal de responder à imediata necessidade por leitos de hotéis", disse Yukari Sasaki, executivo da Sankei Building, incoroporador do Grids. "Construir um hotel do zero custa hoje muito dinheiro, por causa dos altos custos de construção".

Geralmente, leva-se cerca de três anos para construir um novo hotel; a Sankei gastou menos de um ano para abrir o Grids desde que começou a planejá-lo, no último verão [do hemisfério norte].

A empresa já prepara outra propriedade para o Grids, no distrito de Nihonbashi, próximo à estação Tokyo, e está planejando novos empreendimentos em Kyoto e Osaka.

Um recorde de 13,4 milhões de estrangeiros visitou o Japão no passado, em parte graças a um iene desvalorizado. O país quer aumentar esse número para 20 milhões até 2020, ano da Olimpíada de Tóquio, e para 30 milhões até 2030.

CABINE DE AVIÃO

A First Cabin também possui hotéis em prédios que antes eram comerciais em seis cidades pelo mundo. A rede cobra cerca de 5.500 ienes (R$ 137) por uma "cabine de classe executiva", com uma cama de solteiro e mais nenhum espaço adicional. Isso representa pouco mais de uma unidade de um dos famosos hotéis-cápsula japoneses, mas há um pé-direito suficiente para os hóspedes ficarem em pé. Por mais cerca de mil ienes (R$ 25), você consegue uma "cabine de primeira classe", com espaço para abrir uma mala e se trocar.
Hotel First Cabin, proporciona um pouco mais de espaço

O First Cabin em Tsukiji, próximo ao famoso mercado de peixes de Tóquio, é um prédio de escritórios que passou por retrofit, com um café no térreo, que vira um "wine bar" à noite. Hóspedes tomam banho em banheiros coletivos, para até dez pessoas.

Também há "hotéis de nove horas", baseados na ideia de que pessoas dormem por sete horas e precisam de uma hora antes e depois do sono, em Kyoto e no Aeroporto Internacional Narita.


Eles caracterizam-se por "módulos de dormir", similares às dos hotéis-cápsula, mas são mais elegantes e alegam possuir colchões melhores.


Fonte: Folha de São Paulo

sexta-feira, 5 de junho de 2015

Eleição de miss Japão negra gera debate sobre racismo no país

Miss Japão - Ariana Miyamoto
Um concurso de miss no Japão vem gerando um debate no país que vai muito além das medidas das candidatas ou dos vestidos usados.
A polêmica ganhou força logo após Ariana Miyamoto colocar a faixa de miss Japão. Tudo porque a jovem de 20 anos é mestiça – sua mãe é japonesa e seu pai, um americano negro.
A vitória de Ariana, que ocorreu em maio, trouxe à tona um problema que não é discutido abertamente no país: o racismo.
A própria jovem contou que decidiu participar do concurso depois do suicídio de um amigo, que também era mestiço.


"Ele tinha 20 anos e sofria com problemas de identidade", disse ela à agência de notícias EFE. "Quando ele morreu, decidiu que tinha de fazer algo a respeito."
Ariana é a primeira japonesa mestiça a representar o país no concurso Miss Universo. No Japão, os mestiços são chamadas de hafu (palavra que vem do inglêshalf, que significa "metade").

 Segundo o correspondente da BBC em Tóquio, Rupert Wingfield-Hayes, é dessa forma que os japoneses definem alguém que "não é estrangeiro, mas também não é completamente japonês".
E Ariana diz conhecer bem essa situação. "Quando digo que sou japonesa, as pessoas não acreditam, dizem 'ah, não pode ser'", conta.
Sua vitória gerou uma onda de repercussões negativas nas redes sociais nipônicas. "É certo eleger uma hafu para Miss Japão?", questionaram muitos internautas.
" Me incomoda pensar que ela representa o Japão", disseram outros.
Segundo o correspondente da BBC, a sociedade japonesa tem uma visão bastante limitada do que significa ser japonês.
"O que vejo nas ruas de Tóquio é algo muito monoétnico", disse Wingfield-Hayes. "Os japoneses têm uma tendência em acreditar que são únicos, mas isso não é verdade: são uma mistura étnica, com coreanos, chineses."
As estatísticas mostram que o Japão já não é o país homogêneo que muitos acreditam.

Futuro heterogêneo

Uma em cada 50 crianças nascidas no país é mestiça, o que equivale a 20 mil bebês por ano. Para o correspondente da BBC, o Japão está mudando.
Mas atualmente, a visão predominante segue sendo conservadora.
Um exemplo disso é a pouca atenção dada pela mídia à vitória de Ariana.
"Definitivamente, eu recebo mais atenção de fora do Japão. Quando ando pelas ruas, nenhum japonês me reconhece, mas muitos turistas estrangeiros me param para me cumprimentar", contou a miss à BBC Mundo.
A grande pergunta agora é o que acontecerá com Ariana se ela conseguir a coroa de Miss Universo, no concurso que ocorre no início de 2016.

Fonte: BBC Brasil


terça-feira, 2 de junho de 2015

Revisão das leis do trânsito para ciclistas entra em vigor no Japão


No dia 01/06/2015, entrou em vigor no Japão uma revisão das leis do trânsito. Ciclistas que forem flagrados repetidas vezes realizando infrações perigosas, como ignorar os semáforos ou pedalar enquanto usam seus smartphones, terão de fazer um curso de regras de segurança.

De acordo com as leis de trânsito do Japão, bicicletas são definidas como veículos. Em anos recentes o número de acidentes envolvendo ciclistas e pedestres aumentou bastante. Só no ano passado chegou a 542 o número total de acidentes fatais envolvendo bicicletas.

Segundo o especialista em políticas para bicicletas e pesquisador executivo do Instituto de Pesquisas Sumitomo Mitsui Trust, Muneharu Kokura, ainda não foi possível diminuir o uso perigoso das bicicletas, por um simples motivo:

 “Um fator é que muitos ciclistas não sabem que a bicicleta é um veículo, e por isso não se sentem obrigados a obedecer as regras do trânsito. A culpa desta situação é uma revisão feita em 1970. Naquela época o Japão encontrava-se no auge da chamada “guerra do trânsito”, com mais de 16 mil mortes anuais por acidentes.

Acidentes envolvendo carros e bicicletas também aconteciam com frequência, por isso a revisão permitiu que bicicletas transitassem pelas calçadas, com o objetivo de separá-las temporariamente dos carros. Contudo, esta medida provisória acabou ficando em vigor até os dias de hoje.
Como resultado, acidentes entre ciclistas e pedestres passaram a ocorrer com frequência. Em 2007 o governo criou uma regra segundo a qual, em princípio, as bicicletas deveriam circular nas ruas e o trânsito nas calçadas seria aceito apenas como uma exceção. 

Não havia um sistema de multas para infrações de ciclistas. Punições criminais eram o único tipo existente para ciclistas. Se as autoridades quisessem puni-los, isto teria de ser feito de forma mais severa do que aos motoristas de automóveis. Isso dificultou a imposição das regras.

A revisão que entrou em vigor na segunda-feira obriga infratores a participarem de um curso sobre segurança. Isto é um passo diferente da simples imposição. O curso de segurança é um local para aprender e tem como objetivo a educação dos ciclistas. Ao se locomover nas calçadas as bicicletas precisam ir mais devagar e ficar no lado próximo à guia. De acordo com a revisão, as autoridades vão ser mais severas na imposição das leis, para que essas obrigações sejam cumpridas. Pessoas que usam bicicletas perigosamente serão punidas e obrigadas a participar de seminários de segurança como uma consequência de seus atos. Acredito que a revisão vai aumentar significativamente a segurança dos pedestres”.

segunda-feira, 1 de junho de 2015

'No Japão, terra dos meus pais, descobri que sou 100% brasileiro'


Fitas coloridas de papel vão se rompendo à medida que o navio Kasato Maru se distancia do porto de Kobe. A bordo, 781 pessoas, de 151 famílias, choram e acenam com lenços aos que ficam. Partiam com o coração cheio de incertezas e de temores. Mas a vontade de vencer era, com certeza, muito maior.

O destino final: porto de Santos, no litoral de São Paulo. Começava ali, no dia 28 de abril de 1908, a primeira de uma série de viagens que levaria os imigrantes japoneses para o Brasil.

Depois de quase oitenta anos, foi a vez dos brasileiros fazerem o caminho inverso.

O repórter da BBC, Ewerton Tobace, relata suas passagens como filho de imigrantes no Brasil e o outro lado, de brasileiro no Japão.

Saíram do Brasil em direção à "terra do sol nascente" com o mesmo espírito dos antepassados que um dia cruzaram os mares. Queriam vencer, de alguma forma, no exterior.

O movimento ficou conhecido como decasségui (出稼ぎ, dekasegi), cuja palavra significa, literalmente, sair de sua terra para trabalhar em outro lugar.

Hoje, pesquisadores tendem a torcer o nariz para a palavra, pois ela ficou impregnada de conotações negativas e discriminatórias, muito ligada ao trabalho não qualificado.

A BBC Brasil publica, ao longo desta semana, uma série especial de reportagens contando a trajetória de vários decasséguis, para marcar os 25 anos da chegada deles ao Japão.

Eu cheguei ao Japão para trabalhar como jornalista em um periódico que circulava na comunidade.

Já tinha ido ao país outras duas vezes, apenas para rever a família que morava por lá havia algum tempo. Mas, na terceira vez, a mala foi feita para uma longa estada – já se foram 14 anos.


Fui por dois principais motivos: para ficar perto da família e entender melhor as minhas raízes. Queria ver de perto aquela terra que meus avós tanto comentavam e sonhavam poder rever um dia.

Meu avô, Torazo Tobace, chegou com a família em 1955 ao Rio de Janeiro e, de lá, eles foram para o interior de São Paulo. O restante dos irmãos e os pais dele haviam imigrado bem antes da Segunda Guerra Mundial.

O mais interessante na minha jornada ao Japão foi descobrir minha verdadeira identidade.
No Brasil, é muito comum sermos chamados de japonês e haver uma "pressão" da sociedade para nos comportarmos como um verdadeiro nipônico.

Mas no país dos meus pais fui descobrir que sou mesmo 100% brasileiro, pelo meu jeito de pensar, de agir e, claro, pelo meu idioma materno.

Pesado, sujo e perigoso

Oficialmente, o movimento de retorno teve início em junho de 1990, com a mudança na legislação de imigração japonesa.

A partir daquele ano, os descendentes nipônicos ganharam o direito a um visto temporário de longa estada, que permitiu a atividade econômica no país.


Estes pioneiros carregavam na bagagem, além de roupas e mantimentos – enlatados, café, feijão e embutidos para não sentirem saudades da comida brasileira –, muita esperança.

Não se importavam com o emprego, desde que ganhassem bem. Afinal, o objetivo da maioria naquela época era juntar uma boa poupança e, no máximo em três anos, voltar ao Brasil.

Desempenhavam funções caracterizadas pelos japoneses como três "k" – kitsui (pesado), kitanai (sujo) e kiken (perigoso). Posteriormente, os próprios brasileiros incluíram mais dois adjetivos: kibishi (rígido) e kirai (desagradável).

Passados 25 anos, o cenário mudou bastante. Agora, os brasileiros que chegam ao país não levam mais mantimentos nas malas. Com o crescimento da comunidade, surgiram as lojas de produtos brasileiros, que suprem todas as necessidades.

Talvez a principal característica em comum seja a vontade de voltar, um dia, ao Brasil. Porém, o retorno é sempre adiado, e estes imigrantes acabam se tornando permanentemente temporários no Japão.

Mas há também uma grande parcela que toma passos concretos para ficar em definitivo no país, como comprar casa própria, buscar o visto permanente ou mesmo a naturalização japonesa.

Para os que continuam a fazer a ponte aérea Brasil-Japão, o principal motivo é o econômico, mas há aqueles que já não conseguem mais se readaptar ao país natal.

Adaptação ao país

Confesso que a cultura japonesa não é tão fácil de se assimilar e, mais ainda, de se acostumar. É preciso ter muita paciência para entender tantas regras sociais.
Principalmente quando se tem aparência física de japonês mas atitude de brasileiro, que é o meu caso e o da maioria dos conterrâneos.
 
Foto de crianças a bordo do navio que levou leva de imigrantes japoneses ao Brasil, após a Segunda Guerra Mundial (Foto: Arquivo Pessoal)
Tanto que, no começo, os problemas decorrentes da chegada dos brasileiros ao Japão se resumiam basicamente a atitudes que demonstravam claramente a falta de conhecimento da cultura e dos hábitos locais.

Hoje, estas questões ainda provocam calorosas brigas entre vizinhos, mas os principais problemas são outros. Educação, violência e previdência estão entre os temas mais discutidos nos últimos anos.

Afinal, qual será o futuro das crianças chamadas pelos pesquisadores de "duplamente limitadas" ou "semilíngues", ou seja, que não possuem domínio em nenhum dos idiomas (japonês ou português)?

Ou então das que estudam em escola brasileira, com a esperança de voltar ao Brasil para continuar os estudos, e acabam permanecendo no Japão? E aquelas que são educadas como japonesas e crescem em meio a conflitos de identidade?

E mais: o que fazer para conter o alto índice de violência na comunidade? E os adultos, que estão envelhecendo e não têm nenhum plano de aposentadoria lá ou no Brasil?

Os governos dos dois países batalham para resolver os problemas. A embaixada do Brasil em Tóquio possui inclusive uma seção, chamada Comunidade, inexistente em outras representações brasileiras no mundo.

O diplomata que assume o cargo tem como tarefa principal discutir, na esfera política, assuntos ligados à comunidade brasileira que vive no arquipélago.

Em 2010, por exemplo, após anos de negociação, os dois países assinaram um acordo previdenciário.

Fonte: BBC Brasil - Ewerton Tobace
Fotos: arquivo pessoal