terça-feira, 22 de outubro de 2013

Hidetoshi Nakata – O Beckham da Ásia


Ex-jogador de futebol Nakata
“Eu estou sempre sendo observado”. É essa a semelhança que o ex-jogador japonês Hidetoshi Nakata traça entre a sua antiga carreira e o que tem feito atualmente.

 Ele hoje é um ícone do estilo. Frequenta eventos de primeira grandeza do mundo da moda e já fez campanhas para a Calvin Klein – com direito a estrelar, vestindo somente cueca, outdoors espalhados em todos os cantos do mundo.

Além disso, lançou recentemente uma marca de saquê. “N”, o produto que leva a inicial do ex-atleta como marca, é vendido em edição limitada e se mostra um artigo premium já a partir de sua garrafa, elaborada pelo estúdio japonês Nendo.
 
embalagem do saquê N
Assim como ocorre com outros ex-jogadores, Nakata não iniciou o novo hobby apenas quando deixou o futebol de lado. Ele já caprichava no estilo quando atuava. Não à toa, aliás, esteve sempre entre os preferidos do público feminino – tinha o apelido de “David Beckham da Ásia”.

Nakata conta que ter jogado na Itália (foram sete anos por lá) foi definitivo para que ele se encantasse pelo ambiente da moda. Os italianos são apreciadores do bom estilo e neles o ex-meio-campista teve uma grande fonte de inspiração. Hoje, ele é figurinha carimbada nos eventos da alta costura como a semana da moda de Milão.

No outro país em que atuou na Europa, a Inglaterra, Nakata também deixou sua marca: lançou por lá um bar de saquê em Londres, à época em que a capital britânica sediava as Olimpíadas de 2012.

Segundo o ex-jogador, o principal elo que ele traça entre o futebol e a moda é a necessidade, em ambos os universos, de se manter um bom físico. Ele define que trajar algo que se encaixe perfeitamente em suas medidas é o primeiro (e talvez mais importante) passo para que uma pessoa se vista bem. E, como esportista, sempre esteve em forma – por isso, pode desfrutar das melhores peças desenvolvidas pelas marcas.


Nakata deixou o futebol em 2006, quando somava apenas 29 anos. O último clube foi o inglês Bolton Wanderers. Surpreendeu muita gente quando anunciou a decisão – a interpretação geral era a de que ele tinha ainda muita lenha para queimar (embora já não fosse mais o destaque de antes, que jogou com o Japão três Copas do Mundo). Segundo ele, a principal razão para deixar o esporte foi o cansaço da rotina desgastante de atleta profissional. Ele garante que não deixou de bater uma bola por aí – e sempre dá seus chutes por onde viaja. Entre um desfile e um gole de saquê premium.



Fonte: GQ GLOBO

quinta-feira, 17 de outubro de 2013

Culinária japonesa - patrimônio cultural


A culinária japonesa é uma das mais apreciadas mundialmente, e nas últimas décadas vem se espalhando por diversos países, sendo considerado sinônimo de alimentação saudável e natural.

Somente em São Paulo e Nova York, duas grandes metrópoles mundiais, a quantidade de novos restaurantes japoneses aumenta a cada dia. Empresários do setor estão investindo alto nesse filão, pois nos últimos anos, a preocupação com os altos índices de obesidade da população das grandes cidades, vem fazendo com que os governos locais intensifiquem campanhas de orientação em relação à alimentação saudável e a pratica de atividades físicas constantes.




Pensando nisso, o Japão busca junto a Unesco, o  reconhecimento da culinária do país como herança cultural intangível, uma designação concedida a apenas quatro regiões. Caso seja concedido, o reconhecimento deve elevar o perfil da culinária japonesa em nível global, após a popularização das iguarias do país nas duas últimas décadas.

O patrimônio ou herança cultural de uma nação são divididos em tangíveis e intangíveis. Os tangíveis são as cidades, ruas e monumentos que necessitam ser preservados, porque trazem em si toda a história e toda memória de um povo. Os intangíveis são as manifestações culturais de um povo, suas danças, costumes, artesanato e culinária que são transmitidos de geração em geração, proporcionando um sentido de identidade e continuidade, promovendo assim o respeito pela diversidade cultural e pela criatividade humana.

Um subcomitê da Unesco deve fazer suas recomendações no começo de novembro. Caso sejam positivas, é bem provável que a decisão final, em dezembro, seja favorável ao país.

Embora alguns críticos enxerguem outras motivações por trás do pedido japonês, como o aumento de exportações de alimentos de qualidade, uma autoridade japonesa diz que há outra questão em jogo: a segurança alimentar.

A intenção é aumentar a conscientização sobre os alimentos utilizados e a forma correta do preparo, pois existem muitas variações de país para país acabando por descaracterizar o prato.

Em 2012, o Japão produziu apenas 40% dos alimentos consumidos domesticamente, de acordo com dados do Ministério da Agricultura do país. O porcentual é relativamente pequeno se comparado ao de outros países ricos. Nos EUA e na França, a produção de alimentos corresponde a mais de 100% do consumo doméstico.

Embora nunca tenha sido um exportador de alimentos, o Japão produzia quase 80% do que era consumido no país há cinco décadas. Enquanto restaurantes no exterior passaram a servir cada vez mais pratos da culinária japonesa, no Japão a dieta da população passou a incluir pratos estrangeiros.


Desde o lançamento da lista de herança cultural intangível da Unesco, em 2008, foram incluídas apenas as culinárias francesa, mediterrânea, turca e mexicana. 

quinta-feira, 10 de outubro de 2013

A política dos carros ecológicos na Indonésia

O governo da Indonésia introduziu em junho uma política chamada Projeto LCGC, sigla em inglês para Low Cost Green Car, ou seja, carros ecológicos de baixo custo. A política objetiva facilitar a compra de carros por mais pessoas das camadas de menor renda da população. Outro objetivo é a criação de um ambiente mais verde, por meio da utilização de carros de menor consumo de combustível. Contudo esta política se mostrou controversa, pois muitas pessoas acreditam que ela só venha a complicar ainda mais os sérios problemas de congestionamento de trânsito de Jacarta e outras grandes cidades do país. Perguntamos ao professor Danang Parikesit, da Universidade Gadjah Mada, que também é presidente da Sociedade de Transporte da Indonésia, uma ONG envolvida com o desenvolvimento sustentável do transporte no país, sobre o projeto do governo. Ele nos dá mais detalhes a respeito da controvérsia.



Segundo o professor da Universidade de Jacarta, Danang Parikesit existem duas questões da política do governo. A primeira é se esta política realmente se destina à criação de carros baratos e ecológicos. Se observarmos a estrutura dos custos, veremos que o preço caiu não por causa da redução dos custos de fabricação, mas por causa dos subsídios do governo. 


Questiona-se se o consumidor realmente merece subsídios do governo enquanto existem muitas pessoas pobres precisando de subsídios para outros fins. 

Outra questão é se o carro é realmente ecológico. A título de comparação, a maioria dos carros que trafega em Jacarta consome cerca de 1 litro de combustível em 10 quilômetros, enquanto alegadamente este carro verde pode fazer 20 quilômetros com 1 litro. Portanto o governo espera que o carro verde venha a reduzir o consumo de combustível. Mas isso pode não acontecer, pois existem dois grupos de consumidores.


No primeiro grupo estão os que atualmente usam motocicletas. Atualmente as pessoas deste grupo consomem apenas 1 litro de combustível a cada 40 quilômetros, portanto, se eles passarem a dirigir os chamados carros verdes, acabarão consumindo mais combustível do que agora. O segundo grupo consiste naqueles que já possuem um automóvel. Estas pessoas irão comprar um carro adicional com o projeto LCGC.


Para uma situação que seja benéfica a todos, existem três soluções. 

Primeiro, se o governo ainda pretende ir adiante com a política de carros ecológicos de baixo custo, o subsídio não deve ser dado aos consumidores, mas sim às indústrias que estão no início da estrutura do setor automotivo, como as indústrias de metais, componentes ou peças de reposição. Dando os subsídios a estas indústrias, o custo pode ser reduzido e as indústrias se tornam competitivas contra a Tailândia, Índia e Malásia. 

A segunda solução é encorajar uma indústria de ônibus ecológicos de baixo custo. Esta solução é especialmente recomendada. A indústria automotiva será pressionada, pois a indústria de ônibus vai crescer graças aos subsídios do governo. Essa seria uma solução realmente verde porque se mais pessoas passarem a se locomover de ônibus, o consumo de combustível será reduzido.






A terceira solução seria acabar com os carros ecológicos de baixo custo e ao invés disto fazer grandes investimentos no transporte público, deixando empresas privadas desenvolverem a indústria do transporte. Com mais pessoas utilizando transporte público, haverá menos carros nas ruas e a indústria do transporte também vai crescer.



Fonte: NHK WORLD


terça-feira, 8 de outubro de 2013

Como o trânsito inferniza até a vida das abelhas


Asma, bronquite, doenças cardiovasculares... A conta que o corpo humano paga por causa do trânsito carregado nas grandes cidades é velha conhecida da Ciência. Mas não são apenas as pessoas que padecem com a poluição do ar. Um novo estudo indica que a queima de combustíveis fósseis, especialmente do diesel, inferniza também a vida das abelhas.
De acordo com a pesquisa, publicada no periódico científico Nature, a poluição elimina o odor das flores, o que confunde as abelhas e afeta sua capacidade de sobreviver e polinizar.
As abelhas têm um senso de olfato sensível e uma excepcional capacidade de aprender e memorizar novos odores. É a partir desses odores, que elas localizam e reconhecem as flores onde colhem seu alimento.
“Em um ambiente ideal de campos verdes e ar puro, as abelhas têm pouco problema em traçar a origem dos aromas das flores. Mas, em uma zona urbana poluída ou ao longo de rodovias, a exaustão do carro altera violentamente a composição química dos odores das plantas ou até mesmo os elimina completamente”, explicam os pesquisadores da Universidade de Southampton, do Reino Unido.
Eles chegaram a essa conclusão depois de testes com um membro de flor amarela da família do repolho, conhecida como colza. Eles misturaram odores químicos mistos encontrados no perfume da flor com os da exaustão do diesel e, então, borrifaram o composto em uma área explorada pelas abelhas. O resultado surpreendeu os pesquisadores: os insetos simplesmente não demonstraram nenhum sinal de reconhecimento do aroma original das flores.
Se elas não comem, também não polinizam
Os pesquisadores especulam que os compostos de nitrogênio do escape, óxido nítrico e dióxido de azoto, são os principais responsáveis pela aniquilação dos cheiros de flores. De acordo com a pesquisa, ao não conseguirem encontrar as flores para colher o néctar, as abelhas também deixam de coletar o pólen.
Três quartos das culturas alimentares do mundo dependem de abelhas e outros polinizadores, um serviço ecossistêmico no valor de US$ 135 bilhões por ano no mundo. “O serviço de polinização é crucial para a humanidade”, disse ao The Guardian o neurocientista Tracey Newman.
Nas últimas décadas, as abelhas produtoras de mel têm visto sua população diminuir significativamente. Muitas causas para o declínio no número de abelhas têm sido sugeridas, como a intensificação da atividade agrícola, que consome grandes áreas de terra, incluindo zonas de polinização desses insetos, doenças crescentes, uso excessivo de inseticidas e até fatores inusitados como sinais de telefones celulares.

Fonte: Exame Meio Ambiente


sábado, 5 de outubro de 2013

Discussões sobre a mobilidade urbana

No último mês de setembro, Mogi das Cruzes sediou o 1º Fórum de Mobilidade Urbana, que reuniu autoridades e especialistas no assunto, visando melhorar os problemas no trânsito e os meios de transporte.

fórum de mobilidade urbana em Mogi das Cruzes

A prefeitura apresentou vários projetos de obras viárias que estão em construção ou projeto, visando melhorar os problemas de congestionamento, principalmente na ligação entre Suzano e Mogi, que é um ponto critico nos horários de pico.

Nos últimos anos os governantes vêm incorrendo no mesmo erro, que é priorizar o transporte individual em detrimento ao coletivo. E Mogi vem na mesma linha, todos esses projetos de alto custo e que demandam tempo, irão facilitar os motoristas, mas esquecem de contabilizar o aumento significativo da frota de veículos. Em suma, quando as obras estiverem prontas, o problema dos congestionamentos continuará, pois o numero de veículos circulando estará bem mais elevado do que os atuais.

Para os problemas de melhoria do trânsito no centro da cidade não há nenhuma proposta concreta, o problema é que as autoridades sempre tocam no entrave de Mogi ser uma cidade antiga, com ruas estreitas e cortadas por uma linha férrea.



Nas grandes cidades da Europa e do Japão, também existe o mesmo problema de ruas estreitas por ser uma civilização bem mais antiga que a nossa. Mas com obras e adaptações pontuais, preservando a arquitetura original e, sobretudo contando com a colaboração da população, que vem adotando outras formas de mobilidade urbana, como o transporte público e as bicicletas, os congestionamentos estão diminuindo.

A comunidade européia adotou a partir do ano de 2007 um programa denominado “Livro Verde” que é uma exposição de novas culturas de mobilidade urbana.

Um dos grandes desafios da cidade são os congestionamentos urbanos, que tem múltiplas repercussões: econômicas, sociais e ambientais.

Ao contrário do que vem ocorrendo no Brasil, a Europa investiu pesado em transporte público. O VLT (veiculo leve sobre trilhos) foi introduzido em várias metrópoles, ganhando a simpatia dos usuários que deixaram seus carros na garagem e começaram a usar o VLT, que é um transporte rápido, moderno e inteligente.

Outra ação que desagradou os motoristas no inicio, mas que se fez necessária foi a proibição de estacionar os veículos nas ruas centrais da cidade. Uma atitude que acredito se faz necessária também em Mogi. Proibir o estacionamento nas ruas centrais próximo ao mercado municipal, nas ruas Prof. Flaviano de Melo, Cel. Souza Franco e Barão de Jaceguai, seria uma forma de melhorar a fluidez do trânsito.

Na cidade de Nagoya no Japão, essa proibição de estacionamento nas cruas também foi adotada. A prefeitura fez algumas desapropriações e construiu diversos edifícios garagem, e os estacionamentos particulares já existentes, firmaram um convênio com a prefeitura para ampliação e modernização do sistema, oferecendo mais vagas, e os valores cobrados, são os mesmos do que eram cobrados nas ruas, cabendo a prefeitura fazer o repasse aos proprietários dos estacionamentos.




Essas atitudes, aliado a um transporte publico eficiente, praticamente eliminou os congestionamentos na área central da cidade japonesa.

terça-feira, 1 de outubro de 2013

Rede de restaurantes japonesa produzirá arroz em Fukushima


A rede de restaurantes japonesa Yoshinoya, especializada em pratos de arroz com carne, o tradicional "gyudon", anunciou que cultivará arroz e verduras em Fukushima para apoiar esta cidade vítima de um tsunami e de um acidente nuclear.
Desafiando o medo da radioatividade, a Yoshinoya criou a exploração agrícola "Yoshinoya Farm Fukushima", na região de Shirakawa, a 80 km da central danificada pelo terremoto e tsunami de março de 2011.
Esta rede de restaurantes de fast-food é uma das mais tradicionais do Japão, frequentada, sobretudo por homens, por se tratar de uma comida  rápida, barata e  nutritiva, disse ter considerado por um tempo produzir seus próprios ingredientes para garantir o abastecimento da matéria-prima, a gestão dos custos e a segurança de seus clientes.

"Ao receber o apoio da cidade de Fukushima, pudemos nos associar a agricultores locais para criar esta exploração", explicou o grupo Yoshinoya Holdings em um comunicado.
A cidade de Fukushima havia sido tradicionalmente uma importante região agrícola do Japão, mas após o desastre nuclear provocado pelo tsunami de 11 de março de 2011 atualmente conta com a maior proporção de terras em pousio.
A Yoshinoya prevê explorar até 13 hectares até 2017-2018 (começando com 4,3 hectares) para produzir, além de arroz, quase todos os ingredientes necessários para seu principal prato, o "gyudon" (uma tigela de arroz coberta com carne bovina), como cebolas, repolho e alho poró.
gyudon
Também construirá uma usina para processar os alimentos utilizados nos restaurantes da rede Yoshinoya de todo o país.
"É claro, vamos controlar a radioatividade dos produtos e só utilizaremos aqueles cujo nível for inferior ao limite legal fixado pelas autoridades", disse  Yasunori Yoshimura, um porta-voz da Yoshinoya.